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A PF (Polícia Federal) brasileira solicitou à polícia da Espanha a extração e compartilhamento de informações do celular do segundo sargento da FAB (Força Aérea Brasileira) Manoel Silva Rodrigues. Ele foi detido naquele país com 37 kg de cocaína, durante viagem presidencial de Jair Bolsonaro (sem partido) à cúpula do G-20, em junho de 2019.
Após o UOL revelar que, apesar de preso, o sargento segue na ativa da FAB e recebendo salário de R$ 8,1 mil brutos, a imprensa espanhola repercutiu o caso. Segundo o Diario de Sevilla, “autoridades brasileiras militares” solicitaram à Justiça espanhola compartilhamento de informações.
O UOL apurou que o pedido foi feito há dez dias pela Superintendência regional da PF em Brasília, que comanda o caso, acompanhado pela CGPRE (Coordenação Geral de Repressão a Drogas, Armas e Facções Criminosas).
A investigação tenta identificar se há participação de outras pessoas no tráfico, a origem da droga e a possível ocorrência de lavagem de dinheiro que seria realizada por Rodrigues ou outra pessoa ligada a ele.
A PF já havia pedido outras informações sobre o caso. Essa troca de informação depende de trâmites burocráticos e do estágio das investigações nos dois países.
Fora da PF, Rodrigues responde a um processo na Justiça Militar. O Ministério Público Militar acusou o sargento pelo tráfico de 37 kg de cocaína. A droga tem valor estimado em R$ 6,3 milhões. Uma audiência para ouvir testemunhas de acusação foi marcada pelo juiz da 2ª Auditoria da 11ª Circunscrição Judiciária Militar, Frederico Magno de Melo Veras, para o dia 20 de agosto.
Rodrigues fazia parte de uma equipe que embarcou antes do presidente para o encontro do G-20 realizado no Japão. Ele não estava na mesma aeronave de Bolsonaro e foi preso com a droga durante escala em Sevilha, na Espanha.
A cocaína estava na bagagem do sargento que voou em uma aeronave de apoio da comitiva presidencial.

A Guarda Civil da Espanha considerou que havia 39 kg de drogas. O MP Militar no Brasil aponta que são 37 kg Imagem: Divulgação/Guarda Civil da Espanha

Relembre o caso
Na Espanha, Rodrigues foi condenado a seis anos de prisão. O juiz do caso fixou multa em 2 milhões de euros (cerca de R$ 12 milhões). Durante o processo, o sargento disse que aquela foi a primeira vez que traficou drogas, porque seu salário “não é muito alto” e passava por dificuldades financeiras.
Segundo o jornal ABC de Sevilla, Rodrigues afirmou à Justiça que teria que entregar a droga para uma pessoa que lhe faria “um sinal” num centro comercial. O destino da cocaína seria a Suíça.
No Brasil, o promotor da Justiça Militar, Jorge Augusto Caetano de Farias, investigou a participação da então companheira de Rodrigues, de um tenente-coronel (cargo de alta patente na FAB), de dois sargentos e de um soldado, mas pediu arquivamento da investigação. Com o pedido, o juiz do caso determinou o arquivamento e deu prosseguimento à denúncia contra Rodrigues.
À época da prisão de Rodrigues, Bolsonaro e o vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), condenaram a conduta do militar.
A defesa do sargento, feita pelo escritório Furtado e Jaime Advogados foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até a publicação deste texto.
A FAB manteve a manifestação que já havia enviado ao UOL sobre o pagamento de salários ao sargento preso. A Força Aérea informou que concluiu dentro do prazo um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar o caso do sargento detido no aeroporto de Sevilha, Espanha, em 25 de junho de 2019.
“Os autos foram encaminhados para a Auditoria Militar competente, que enviou para o Ministério Público Militar, a quem coube oferecer a denúncia, estando a ação penal em curso, conforme determina o Código Processo Penal Militar”, disse a nota.
“O Comando da Aeronáutica deu início ao processo administrativo para exclusão do sargento e encaminhou, por meio dos órgãos competentes, para que o Estado espanhol efetive a notificação do militar. Atualmente ele cumpre pena de prisão na Espanha. A Força Aérea Brasileira atua firmemente para coibir irregularidades e reitera que repudia condutas que não representam os valores, a dedicação e o trabalho do efetivo em prol do cumprimento de sua missão institucional”, informou.
UOL/montedo.com

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