Stephanie Pazuello foi nomeada para cargo na RioSaúde
Leandro Prazeres
BRASÍLIA – O nome da filha do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, Stephanie dos Santos Pazuello, aparece na lista do governo federal como solicitante do auxílio emergencial pago a trabalhadores informais e pessoas de baixa renda para diminuir o impacto econômico da epidemia causada pelo novo coronavírus. A informação consta dos sites da Dataprev, Caixa Econômica Federal e do Portal da Transparência. Consultas feitas pelo GLOBO mostram que o pedido em nome da filha de Pazuello chegou a ser aprovado, mas o valor não foi liberado porque os sistemas detectaram inconsistências no cadastro dela. Procurada, Stephanie não comentou o assunto. Já a assessoria de imprensa do ministro informou que Pazuello não tinha conhecimento do pedido.
De acordo com o site da Dataprev, a solicitação em nome de Stephanie para recebimento do benefício de R$ 1,2 mil foi feita no dia 7 de abril de 2020, quase duas semanas antes de seu pai assumir a secretaria-executiva do Ministério da Saúde, ainda durante a gestão de Nelson Teich no comando da pasta da Saúde. Segundo o portal da Dataprev, o requerimento foi recebido pelo órgão no dia 12 de abril.
O painel de consulta do auxílio emergencial do site da Caixa mostra que o pedido feito chegou a ser aceito e o pagamento enviado a uma conta do banco, mas o valor não foi sacado. Isso porque, após um novo cruzamento de dados, os sistemas do governo detectaram irregularidades no cadastro de Stephanie.
No site da Dataprev, a mensagem é de que Stephanie foi considerada “não elegível” para o benefício. O problema detectado: laço familiar. Não fica claro que laço familiar de Stephanie o sistema da Dataprev detectou para impedir o pagamento.
No painel de consulta da Caixa, o pedido em nome de Stephanie aparece como “em avaliação”. Logo abaixo, a mensagem diz o motivo: “Seu cadastro foi identificado com indícios de desconformidade com a Lei 13.982/2020 e está sendo reavaliado”.
O Portal da Transparência mostra que o local de residência de Stephanie Pazuello é o município de Resende. A cidade é a mesma onde fica a sede da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde seu pai se formou, e a mesma onde Stephanie prestou um concurso público em 2010 para o cargo de administrador. Ela ficou em 124º no concurso que tinha apenas uma vaga.
Nomeada na gestão Crivella
Esta não é a primeira vez na qual a filha de Pazuello se vê envolvida em polêmica. Na quinta-feira passada, ela foi nomeada para um cargo comissionado na Empresa Pública de Saúde do Rio de Janeiro (RioSaúde), sob o comando do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), como informou a colunista do Extra Berenice Seara. Apesar do parentesco com o ministro, segundo a empresa, sua nomeação nada tem a ver com o fato de ela ser filha de Pazuello.
Em nota, a empresa disse que Stephanie foi nomeada por “atender aos critérios técnicos necessários ao cargo para o qual foi admitida”.
O benefício foi criado pelo governo para reduzir os impactos econômicos da epidemia causada pelo coronavírus e que no Brasil já matou mais de 81 mil pessoas. Para receber o benefício é preciso, entre outras coisas, ter mais de 18 anos de idade (exceto mães adolescentes), não ter emprego formal e ter rendimentos tributáveis menores que R$ 28,5 mil no imposto de renda de 2018.
Desde sua criação, o auxílio emergencial vem sendo alvo de inúmeros problemas operacionais e tentativas de fraudes. Levantamento do Ministério da Defesa, por exemplo, mostrou que mais de 72 mil militares das Forças Armadas receberam o benefício de forma irregular.
Entre as tentativas de fraudes que também foram detectadas estão casos em que pessoas usaram dados de terceiros para requisitar o auxílio emergencial.
A reportagem do GLOBO enviou questões sobre o assunto ao Ministério da Saúde e à RioSaúde,.
Entre as perguntas, O GLOBO questionou se o requerimento foi efetivamente feito por Stephanie e se ela entendia estar habilitada a receber o benefício.
Por telefone, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde disse que o Eduardo Pazuello não tinha conhecimento do pedido.
A RioSaúde, por sua vez, disse, por e-mail, que, como o auxílio emergencial é de competência federal, as perguntas deveriam ser encaminhadas “aos órgãos federais competentes”. O GLOBO solicitou à RioSaúde o contato de Stephanie, mas não recebeu retorno.
A reportagem também entrou em contato com um dos advogados de Stephanie, Philipe Monteiro Cardoso. Por telefone, ele disse que encaminharia a demanda à sua cliente, mas não recebeu respostas.
A reportagem também enviou mensagens a Stephanie Pazuello por meio de sua página no Facebook, mas até o fechamento desta matéria, também não recebeu nenhum retorno.
O Globo/montedo.com
Respostas de 4
Não estou satisfeito com este governo, acredito que a política na saúde está tendo péssimo resultado, acho também que militar da ativa é no quartel mas, agora, colocar que a filha do general pediu auxilio…aí já é demais. Fiquei preocupado em verificar se meu CPF não consta nesta lista…
O fato da moça ser filha do General Pazuello não quer dizer absolutamente nada. Se ela é maior de idade, tem seu próprio CPF e não depende do pai, o importante é saber se ela se enquadra nas condições exigidas para fazer jus ao recebimento do benefício, haja vista que o amparo legal abrange a todos os que perderam seus empregos ou que já estavam nessa condição antes da pandemia. Meu filho, que perdeu o emprego e voltou a morar comigo, tem tanto direito quanto a filha do general e está recebendo legalmente as suas cotas. Dependente é uma coisa, beneficiária é outra totalmente diferente. Na realidade o que estão querendo, é usar politicamente o caso com a nítida intenção de atacar, denegrir e desgastar o Presidente Bolsonaro, nada além disso.
Se seu filho é declarado como dependente e não constituiu familia, ele ainda integra a sua família. Então vale a seguinte regra:
Pertença à família cuja renda mensal por pessoa não ultrapasse meio salário mínimo (R$ 522,50), ou cuja renda familiar total seja de até 3 (três) salários mínimos (R$ 3.135,00).
Assim, se ele come na sua mesa, mora contigo, se vc declara ele como dependente no imposto de renda, se ele está integrado à sua célula familiar, ele não entra na regra. O critério não é somente ser maior de 18 anos e desempregado, mas ter renda familiar abaixo desse valor
a maioria absoluta dos meus colegas de colegio militar filhos de oficiais nao prosperaram na vida.
O fato de ser filha do Gen Pazuello nao diz nada. A informacao seria relevante se a receita informasse se ela é declarada como dependente, ou se a reportagem dissesse que ela mora com seu pai, o que faria a renda familiar ser superior ao limite estabelecido.
Descontextualizada acredito que nao tem relevancia