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João Batista dos Reis Moreira*
Ainda reverbera no noticiário o mais recente vexame do governo Bolsonaro. O pós-doutor que não era doutor, o mestre que copiava teses… Carlos Alberto Decotelli foi oficial RM-2 (reserva de segunda classe da Marinha, militar por um ano apenas) e parece que pintou e bordou o próprio currículo para se abrilhantar aos olhos do Presidente. Má fé? Excesso de zelo pela missão!? O incidente diz mais sobre a vítima do que sobre o agressor.
E a vítima não é só a impoluta imagem do nosso desavisado presidente, mas primordialmente o MEC (chamado por alguns de Ministério da Endoutrinação Comunista).
Uma das pastas ministeriais mais sensíveis, o MEC é o “barril de amontillado” do primeiro governo de direita no Brasil, desde a proclamação da república. Com cerca de 300 mil servidores, o Ministério é um verdadeiro exército a serviço daquilo que se convencionou chamar de “progressismo” (nomenclatura millenial para “marxismo cultural”).
A cadeira almejada pelo (des)doutor Decotelli é responsável por lastrear os parâmetros educacionais brasileiros na nefasta obra “Pedagogia do oprimido” do famigerado e intocável Paulo Freire. E antes que os leitores prudentes e sofisticados torçam o nariz e digam que isso é ladainha bolsonarista, eis algumas pérolas do padroeiro dos professores brasílicos, todas pescadas na referida obra:

A ‘revolução cultural’ toma a sociedade em reconstrução em sua totalidade,(…)” nos últimos quefazeres dos homens, como campo de sua ação formadora.”

“Como poderiam os oprimidos dar início à violência, se eles são resultado de uma violência?”

“A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida.”

Essa cantilena revolucionária permeia a educação das nossas crianças e jovens, principalmente nas escolas públicas, onde estão os mais necessitados de tantos valores caros à formação de cidadãos livres e conscientes.
Resultados da ação danosa dessa pedagogia maldita podem ser encontrados na BNCC (Base Nacional Comum Curricular – documento normativo de referência obrigatória para as redes de ensino e suas instituições públicas e privadas) disponível no site https://www.bnccnapratica.com.br/explore-a-matriz. Eis algumas amostras:
Na primeira série do ensino médio encontra-se o Objeto de Conhecimento “Violência de Estado”, que pretende habilitar o aluno a “Entender a violência estatal”!
No primeiro ano do ensino fundamental (crianças com dez, onze anos!) nossos filhos conhecerão as “novas formas de parentalidade” e poderão “contrastar as estruturas de famílias tradicionais com as estruturas de famílias modernas”.
No terceiro ano do ensino médio os jovens aprenderão a “valorizar instituições e indivíduos que se destacam pela luta contra a LGBTQIfobia a partir de diversas iniciativas”.
É esse campo minado que Jair Bolsonaro precisa com urgência mapear e destruir, antes que se escoem os restantes dois anos e meio de seu governo. Os colégios militares,  que foram bandeiras da campanha presidencial, seriam um lenitivo para essa (des)educação que corrói nas bases valores antes tidos como sagrados pela sociedade brasileira. Mas esse contraponto simplista de militarização das escolas não será páreo para décadas de enraizamento desse “duplipensamento” estrutural de matiz avermelhado.
A importância do MEC não deveria aparecer na mídia só nas críticas aos currículos fraudulentos, mas também na atestada incapacidade de esse modelo fazer retornar à Nação brasileira na forma de profissionais competentes os rios de dinheiro que o povo é obrigado a aplicar nele através dos impostos.
A missão é hercúlea, mas não impossível. É preciso estabelecer novas fundações, a começar por olhar para a Educação não só como arma ideológica, mas como matéria prima do futuro. Ela é a sementeira de tudo o que se espera de uma Nação próspera. É nela que palpita o coração do Brasil.
Boa sorte ao novo titular da pasta!
*Suboficial da reserva da FAB

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