O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça-feira, 2 de junho, o Decreto N° 10.386 que autoriza o Exército Brasileiro (EB) a operar aviões. Até então, a força terrestre nacional tinha permissão somente para voar com helicópteros.
Segundo o novo estatuto, os Comandos da Marinha e da Aeronáutica cooperarão para a reestruturação da Aviação do Exército. O EB também recebeu permissão para utilizar a rede nacional de aeródromos e instalações de serviços aeronáuticos das forças naval e aérea do Brasil.
A determinação também revoga o Decreto N° 93.206, de 3 de setembro de 1986, quando o Exército foi autorizado a operar helicópteros, antes restritos à Força Aérea Brasileira e à Marinha do Brasil (que conseguiu o direito operar helicópteros somente em 1965 e aviões navais, em 1998). De acordo com os termos do novo decreto, o EB agora tem permissão para operar aeronaves de asa fixa e de asas rotativas.
O novo decreto abre o caminho para o Exército adquirir as aeronaves de transporte Short C-23B Sherpa, que vem sendo negociadas com os EUA desde 2017. O EB vai receber oito unidades do bimotor, dos quais seis exemplares terão capacidade operacionais as outras duas unidades servirão como fonte de reposição de peças. A entrega do primeiro avião é prevista para o primeiro semestre de 2021.
Os Sherpa serão operados pelo 4º Batalhão de Aviação do Exército (4° BavEx), baseado em Manaus (AM). A chegada dos aviões também exigir a construção de um novo hangar na sede do 4° BavEx com capacidade para o manejo de cargas e embarque nos bimotores turboélice.
O objetivo do EB é utilizar seus próprios aviões no transporte logístico na região Amazônica e assim obter independência da FAB, que hoje faz esse trabalho. Sem grandes recursos, a Exército optou por comprar aviões usados, fabricados há mais de três décadas, porém, tendo à frente cerca de 15 anos de vida útil.

80 anos de espera
Quando finalmente receber os Sherpa, o Exército Brasileiro encerrará um hiato de 80 anos sem operar aeronaves de asa fixa. Com a criação do Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, a Força Aérea Brasileira obteve por meio de decreto presidencial assinado por Getúlio Vargas a exclusividade da realização de estudos, serviços e trabalhos relativos à toda atividade aérea nacional. Como consequência disso, a Aviação Naval Brasileira e a Aviação Militar do Exército foram extintas.
Antes da criação da FAB, cabia ao Exército a função de “força aérea”. Sua origem teve como cenário os campos de batalha da Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870, quando o EB empregou balões cativos em operações de reconhecimento. Após a guerra, foi criado o Serviço de Aerostação Militar, cujas atividades balonísticas se desenvolveram por quase 50 anos.
Em 1913, foi fundada a Escola Brasileira de Aviação (EsBAv) no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro (RJ), ocasião em que foram adquiridos os primeiros aviões do exército de fabricação italiana. O primeiro oficial aviador do EB foi o tenente Ricardo Kirk, considerado o maior herói da Aviação do Exército.
Mais adiante, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, dezenas de aviões de observação e caças foram empregados pelo Exército em combates contra as forças opositoras de São Paulo, Rio Grande do Sul e do estado revolucionário de Maracaju (atual Mato Grosso Sul) que tentavam derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas, que venceu o conflito em 1934.
O Exército Brasileiro, junto da Marinha, também foi responsável pela criação do correio aéreo nacional, em 1931, instituição que traria repercussões profundas na evolução da aviação militar e no desenvolvimento do próprio país, permitindo “descobrir” o interior do Brasil.
AIRWAY/montedo.com
Respostas de 13
Excelente, alargando os horizontes para o incremento da profissionalização das FFAA com a perspectiva de novas competências na formação e no emprego do pessoal e do material. Próximo passo, Comando de Operações Aeroespaciais. Hu-hu!
Finalmente era inexplicável o EB ser responsável pelos Pelotões de Fronteira e depender da FAB para cumprir essa missão.
Po não há verbas pra manter a FAB com caças realmente prontos para o combate, e ainda investiram milhões na fabricação de um cargueiro KC 190 e não em um caça nacional, cada o xavante, agora querem colocar aviões no exército que nem blindados e tanques para guerra têm.
A marinha inves de comprar um porta aviões, comprou um porta helicóptero, anfibio; o Brasil vai invadir algum país ? vai desembarcar tropas do exército EB, ou do EB da marinha os fuzileiros d’agua.
Po tá tudo errado, cada um no seu quadrado, está parecendo a briga dos três poderes em Brasília, um quer metet o bedelho no quadrado do outro.
Fiquei curioso quanto ao valor do investimento nas aeronaves.
Excelente notícia. Os soldados recrutas poderão trabalhar na aviação.
Finalmente o EB responsável pelos Pelotões de Fronteira dependia da FAB para cumprir essa missão.
Mais sucata para ficar indisponível por falta de pessoal e recursos financeiros para manutenção de aeronaves, conforme já se vê na AvEx desde fim dos anos 90…Lamentável…
galera dos afonsos da Fab chega a tremer kkk
Esse Presidente só assina decreto inútil. Vai conseguir em poucos anos, manchar a imagem das FAAs.
Preparem-se para o pós governo Bolsonaro sofremos ainda mais do que nos foi tirado ao longo dos anos após 74!
Li a reportagem, fui procurar me aprofundar no assunto, e concluí que a iniciativa é muito boa para o EB. Pois ele ganhará autonomia em apoio às operações nos locais distantes da
Amazônia.
Todavia, depois fiquei pensando… O EB, de posse de navios próprios, também ajudaria na sua autonomia, no melhor cumprimento das missões e deslocamento de tropas. Logo, o EB, também, necessita de navio de transporte de tropa. Também de aviões como o milênio, com maior autonomia e capacidade de transporte e carga. Seria o que chamam de “estado da arte” do glorioso Exército de Caxias.
Pensei um pouco mais, e acredito que à FAB, também, poderia ser concedido o uso de porta-aviões. Sim! O projeto FX pode ser expandido e prover aeronaves de asa fixa para operação nesses gigantes dos mares. Um melhor emprego da infantaria da nossa Força Aérea exigirá a aquisição de blindados, e outros navios como aqueles da Marinha, os NDCC. Sim! essa dotação de meios navais elevaria nossa FAB ao patamar das mais modernas forças do planeta.
Continuei pensando, então vejo que a Marinha necessita, urgentemente, de uma frota de porta-aviões – um para a atual esquadra, outro para a segunda esquadra, em planejamento, e um terceiro para expansão dos meios – e aviões, é claro. Mas, não somente aviões para operação nos navios, refiro-me ao caças tradicionais.
É isso! é fundamental que dotemos nossas forças de todos os meios, pois não podem depender de apoio mútuo. Nossas Forças Armadas têm que ter a capacidade de atuar de forma autônoma em qualquer ambiente de combate. Penso até que poderíamos estender essa doutrina às forças auxiliares. Isso! Devemos estar preparado. Em um mundo repleto de conspirações internacionais, neste momento em que nossos “líderes” enxergam inimigos nas próprias sombras, é mister preparar-se para tudo. Até para as paranoias…
Gostaria de sugerir um pouco de retorno ao Regime Militar que usava os aviões da FAB como Correio Aéreo Nacional fazendo ligação nos mais longínquos rincões da nossa Amazônia! Quantas ajuda e serviços esses Correio Aéreo Nacional prestou transportando remédios, Materiais Higiênicos, Médicos, Dentistas, Engenheiros, Índios e Militares doentes com problemas sérios de saúde para um local onde haveria esses recursos. Militares que servem nos Pelotões de Fronteira, em Batalhões de Engenharia de Construção e por ai em diante! Foi só sair o Governo Militar que acabaram com o CAN. uma lástima! Presidente volte a ativar o CAN que a Amazônia agradece!
Estão estranhando, mas nos EUA é assim. Lá, Marinha tem aviões de carga, na base da Força Aérea tem prédios da Marinha e do exército, chega na seção tem gente das três forças trabalhando em conjunto etc. Há muitas coisas a se aprender pelos brasileiros.
O único estranhamento é referente aos recursos financeiros, anônimo.
Se o país tivesse real condição, poderiam comprar um jato e um porta-aviões e entregar a cada recruta. e ninguém se importaria com isso.