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Paulo Ricardo da Rocha Paiva*
É preciso dizer, o assunto carece da avaliação abalizada por oficiais da FAB. Em assim sendo, sem maiores divagações/delongas sobre qual seria o melhor caça para equipar nossa, atualmente, fragilíssima Força Aérea, considerando que, tomada a decisão pelo “GRIPEN”, somente uma “mudança de cabeça” de características dominantes, no nível “corpo de exército”, poderia reverter as expectativas, vai-se apenas colocar na balança o trinômio localização/alcance/autonomia para que, no mais curto prazo e com menor gastança de combustível, se consiga fazer frente à uma ameaça que se delineie face: aos estados adjacentes às guianas, à foz do Rio Amazonas e às bacias pré sálicas, isto sem falar no aparato necessário para proteção da capital federal.
A pesquisa permitiu levantar dados e formular questionamentos, julgados pertinentes para serem confrontados, em decorrência da notícia de que a previsão da base sede dos GRIPEN, a partir de 2020, será em Anápolis/GOIÁS. Em assim sendo cabem questionamentos. Os “36” caças a incorporar serão todos baseados no Planalto Central? Considerando que a autonomia deste caça é de 3250 km (dúvida de leigo, seria 1625 km de ida e outros tantos de volta?) e que seu alcance em configuração de combate é de 1 800km, qual o tempo estimado de combate aéreo efetivo, partindo de Anápolis/GO, se, por exemplo, a luta fosse nos céus: de Belém/PA, a 1655 km; de Boa Vista/RR, a 2491 km; de Macapá/AP, a 1835 km; de Santos/SP, a 891 km; do Rio de Janeiro/RJ, a 948 km?
Estas perguntas conduzem a uma outra visualização, esta focada em dispositivo mais abrangente a ser adotado de início para, tão somente, “36” caças cuja missão principal/vital deve priorizar a proteção da calha norte do Rio Amazonas, a sua foz e o litoral defrontante do pré sal. Sem confrontar as vantagens e desvantagens de um dispositivo mais ou menos concentrado dos vetores alados, vai-se “ousar” levantar então uma sugestão, deixando o aprofundamento da avaliação para os pilotos de combate de nossa Força Aérea, herdeiros legítimos da agressividade do heroico 1 Grupo de Aviação de Caça, este que, junto com a gloriosa FEB, escreveu páginas de coragem para honra e glória do nosso Brasil.
A ideia a sugerir contempla a Base Aérea de Anápolis com “10” caças e, as de Santa Cruz/RJ e Belém/PA, cada uma com “13” caças. A justificativa pode ser entendida: pela extensão das áreas a serem cobertas; pelo menor tempo para o estabelecimento do contato com o inimigo e pelo significado estratégico das Amazônias verde e azul. A avaliação dos especialistas é fundamental. Quanto à distância média do litoral/costa, até a bacia do pré sal, de 200 a 300 km, é de se pensar que, os falcões alados decolando a partir desta linha de partida, os prejuízos com a compra de um outro “fumacée” sejam impositivamente dispensáveis, máxime pelo alcances e autonomia, tanto do “GRIPEN como do próprio F5 (bélico de 1405 km e autonomia, de 3700km?) e, também, pela extensão atual do mar territorial até 200 milhas (370 km).
* Coronel de Infantaria e Estado-Maior

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