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Seleções para Aeronáutica, Marinha e Exército atraíram o interesse de mais jovens no primeiro ano do governo Bolsonaro

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo
Sem perspectiva de novas seleções para as carreiras civis federais e com o destaque que a ala fardada vem ganhando no governo, a procura por cursinhos preparatórios voltados a concursos militares aumentou no primeiro ano de governo Bolsonaro.
Maria Gabriela Souza, de 18 anos, tenta uma vaga na Academia da Força Aérea (AFA) desde os 15 anos e sabe que a concorrência aumentou. “Não tenho militares na família, mas desde pequena comecei a pesquisar a trajetória de mulheres que seguiram nas Forças Armadas.”
Ela conta que no ano passado não foi aprovada por pouco e que este ano vai reforçar os estudos de matemática. “Quando a gente é aprovado, passa por um curso de formação que dura quatro anos. Como há limite de idade para se tornar oficial, se até os 21 não conseguir, minha segunda opção é estudar direito e ser Policial Militar.”
Segundo coordenadores de escolas preparatórias especializadas ouvidos pelo Estado, a busca por turmas voltadas para seleções da Aeronáutica, Marinha e Exército aumentou 30%, entre 2018 e 2019.
Aos 19 anos, Giovani da Costa faz cursinho há três anos também para tentar uma vaga na AFA. “No ano passado, só não passei por nervosismo. Quando fui ver a correção da prova, tomei um susto. As provas das Forças Armadas ainda são muito pouco divulgadas, fiquei sabendo das carreiras por um amigo da família. O que mais quero é me tornar aviador.”
Para André Barbosa, diretor do Curso de Seleção Magister, de Brasília, com o desemprego alto e a falta de seleções para servidores civis, é natural que a procura pelas carreiras militares tenha aumentado. “Temos hoje 15 turmas preparatórias para colégios militares e para as carreiras nas Forças Armadas.”
Ele conta que as seleções para o Exército são as que atraem mais pessoas, pela maior quantidade de vagas. “Muita gente passou a considerar as carreiras militares, mas acaba se assustando quando tem de enfrentar provas mais específicas, com questões de matemática e física. A parte boa é que, depois de formado, em algumas carreiras é possível ganhar remunerações iniciais de até R$ 8 mil.”
ESTADÃO/montedo.com

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