Comando de Mísseis e Foguetes do Exército sai do RS e vai para o Planalto Central

Cerimônia de inauguração do novo Comando de Artilharia em Formosa (GO) contou com exibição de lançamento de foguetes
Ministério da Defesa / Divulgação

Por que o Exército transfere do RS para o Planalto Central o Comando de Mísseis e Foguetes
Ideia é fortalecer miolo territorial do Brasil e dar mobilidade caso seja necessário atuar em fronteiras mais remotas e hostis

HUMBERTO TREZZI
Não foi à toa que o vice-presidente Hamilton Mourão, um artilheiro, prestigiou a inauguração do Comando de Artilharia no Forte Santa Bárbara, em Formosa (GO), na quarta-feira (29). O local concentra agora as principais baterias de mísseis do país. Além de sediá-los ali, vai coordenar a elaboração do Míssil Tático de Cruzeiro, com alcance de 300 quilômetros, desenvolvido no Programa Estratégico do Exército Astros 2020. Fabricado pela Avibras, indústria de São José dos Campos (SP), será o primeiro míssil brasileiro. Deve estrear em 2021. O governo ainda desenvolve o foguete guiado SS40G, de 45 km de alcance, também fabricação própria.
Foguetes já existentes foram lançados no campo de instrução militar de 64 quilômetros quadrados, onde é possível testar lançamentos de mísseis e foguetes, durante a cerimônia, para deleite de Mourão.
A transferência do comando para Formosa fez com que a cidade visse mais do que dobrar o contingente de militares, de 700 para 1,5 mil. Antes de ser em Formosa (cidade a 80 quilômetros de Brasília), a sede do Comando de Artilharia do Exército ficava em Porto Alegre, com tropa especializada em São Leopoldo, no 16º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (16º GAC AP). Os militares desse quartel já estão indo para Goiás, somar-se aos dois grupos de mísseis e foguetes que já estão lá. O Rio Grande do Sul perde uma tropa, é fato.
Até poucos anos atrás, existiam cinco baterias de foguetes Astros pelo país, três em zonas litorâneas – Macaé (RJ) e São Vicente (SP) –, com apoio técnico e logístico complicado. Então o Exército decidiu transferir tudo para o Brasil central, inclusive mais propício para vastas áreas de campo de tiro. Primeiro foram grupos móveis de foguetes, agora os mísseis Astros. O nome do local em Formosa é Forte Santa Bárbara, chamada “santa do trovão”, patrona da Artilharia.
Nem toda artilharia fica lá, óbvio. Grande parte dos canhões e obuseiros do Brasil está no Rio Grande do Sul, como o 29º Batalhão de Artilharia Autopropulsado, de Cruz Alta. Até por isso, o nome Comando de Artilharia não é o mais apropriado para Formosa. Deveria ser Comando de Misseis e Foguetes.
E por que concentrar mísseis no Planalto Central? Porque os adversários em potencial não estão mais ao sul, mas, sim, ao norte, no entender dos militares brasileiros. A relação com argentinos, uruguaios e paraguaios é excelente, algo que não se pode dizer em relação a governos como os da Venezuela. Em relação à Bolívia e Equador também há receio de retorno da retórica bolivariana, à qual os chefes do Exército brasileiro são avessos.
Os lançadores de mísseis situados no Planalto Central podem ser transportados rapidamente para qualquer fronteira, sobretudo a norte, por meio do novo jato de carga brasileiro, o Embraer KC-390, cuja base é em Anápolis (GO), explica o analista de assuntos militares Nelson Düring, editor do site especializado Defesanet.com.br.
– Com aviões e mísseis juntos você multiplica a mobilidade estratégica. O Brasil construiu ali a mais poderosa unidade de foguetes do Hemisfério Sul. Só existe similar nos EUA, Rússia e China, pondera Düring.
E o Rio Grande do Sul? Perde, mas continua sendo o bastião do Exército nacional. É a maior concentração de carros de combate do país, com blindados e obuseiros (tipo de canhão cujo projétil tem trajetória vertical em curva) ultramodernos, espalhados entre Cruz Alta, Santa Maria e Rosário do Sul. Acaba de receber 36 obuseiros auto propulsados M109A5+BR, cujo alcance de tiro aumentou de 20 km para cerca de 50 km, com munições especiais. Um poder de fogo nada desprezível.
ZERO HORA/montedo.com

Respostas de 7

  1. Está na hora do EB restituir a Belém do Pará a condição de mais importante sede militar para a defesa da Amazonia. Foi da Metrópole da Amazônia, localizada estrategicamente na foz do maior rio do mundo que em 1937 Pedro Teixeira partiu para conquistar a Amazônia brasileira. Nenhuma embarcação chega a Manaus sem passar por Belém. Nenhuma riqueza sai da Amazonia também. Além da ligacao rodo-ferroviária com o resto do País, hoje em expansão, a capital do Pará localiza-se relativamente próximo aos EUA ,África e Guianas. Sediado em Belém
    o Comando Militar do Norte tem jurisdição sobre toda a Amazonia Oriental. Não esqueçamos que durante a 2 Grande Guerra devido a proximidade com o continente africano Belém e Natal eram nossas bases mais importantes.

    1. Corrigindo meu texto . A expedição de Pedro Teixeira para conquistar e desbravar a Amazônia, partiu de Belém do Pará em 25 de julho de 1637.

  2. Parabéns a nossos comandantes por essa brilhante visão estratégica.
    Não é novidade para ninguém que o mapa geopolítico muito mudou ao longo das décadas, estando, de fato, os potenciais focos de crise na fronteira norte.
    Por isso eu digo e repito, temos muita capacidade e visão de futuro. Esses atributos mantém nossas fronteiras intocadas. Muito orgulho de pertencer a essa Força de antigas tradições.

  3. Se o problema está no norte, e se considerarmos somente a capacidade bruta dos nossos adversários, a movimentação de nossas baterias de mísseis e foguetes do RS para o planalto central coloca o que a gente tem de melhor dentro do alcance dos Sukoy 30 venezuelanos, e não temos a necessária cobertura anti aérea para defendê-los. De qualquer maneira, do ponto de vista logístico, parece ser a decisão mais acertada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *