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Publicação original: 16 de agosto de 2009
Major Boanerges Lopes de Sousa
“Pousamos neste dia (23 Setembro de 1928) no sítio Floresta, já no estirão de Cucuí, onde reside uma velha paraguaia de nome Maria de Jesus, que tem diversas filhas casadas com praças do destacamento de Cucuí. No povoado deste nome, desembarcamos às oito horas da manhã, onde fomos recebidos pelo cabo comandante interino do destacamento. Cucuí ou Fronteira, nome por que é mais conhecido na região, compõe-se de 23 casas, inclusive a do comando e o barracão que serve de alojamento às praças solteiras. As casas são espaçadas uma das outras e em uma só fila acompanhando o barranco, todas de pau a pique, barreadas, caiadas a tabatinga, piso de chão batido e cobertura de palha. Foram construídas pelas próprias praças do destacamento e constituem propriedade delas. (…)
A largura do rio em frente ao destacamento é de 740 metros, à jusante da ilha São José é de 1.020 metros e na foz do Xié é de 1.230 metros. Mandamos chamar dois venezuelanos empregados na firma Bustos&Fontes, com barracão à margem direita do rio Negro, em frente aos marcos fronteiriços e que serviram de guias à expedição Melo Nunes, para nos acompanharem na excursão que projetávamos no dia 26 (Setembro de 1928) ao Cerro Cucuí. Ao amanhecer deste dia, parti em companhia do Dr. Luetzelburg, do fotógrafo Louro, dos práticos referidos, Soldados Bruno e Neto e uma praça do destacamento de Cucuí. Subimos o rio no nosso motogodile, passando já em território venezuelano para as ubás que nos aguardavam à boca do igarapé donde atingimos o caminho por terra que iniciamos às nove horas da manhã, alcançando com uma hora e meia de marcha, por entre mata de igapós, o sopé da montanha.
Às 13h30min, alcançamos o cume do cerro cuja altitude, determinamos por observações barométricas simultâneas com o auxílio do Dr. Glicon, encontrando 440 metros. Os dois picos que lhe ficam ao lado, para Sul e para Norte, como se fossem agulhas que apontassem para o céu tem aproximadamente 35 e 50 metros, respectivamente, o que eleva para 473 e 488 metros as altitudes dos dois citados picos.
– General Cândido Mariano da Silva Rondon
“Era minha intenção seguir, desta vez, pelo interior do Brasil, para ganhar em Belém do Pará a navegação do Amazonas, em demanda da fronteira da Venezuela, em Cucuí, de onde iniciaria a inspeção das fronteiras de Oeste e Sul, ainda não percorridas por mim. (…)
A 16 (16 de janeiro de 1930) chegamos a Cucuí. Receberam-nos os Chefes da Comissão Mista de Limites: Comandante Braz de Aguiar, por parte do Brasil, Dr. Duarte, por parte da Venezuela e Dr. Braulino de Carvalho, médico da Comissão. Diversas providências a tomar. Deveria a Comissão de Limites prover a todas as necessidades da fiscalização da fronteira; não existia, porém, uma só embarcação que pudesse reprimir qualquer desacato à soberania nacional, por parte dos bandoleiros que frequentavam a linha limítrofe.
Inspecionando o equipamento do Contingente, examinando o arquivo, encontrei-os nas condições dos destacamentos das fronteiras das Guianas, mergulhados no caos do abandono, sem tradições militares, sem condições que lhes permitissem funcionar com eficácia. Havia uma turma estudando a linha ‘Marco da margem esquerda do rio Negro – Salto Huá do Criaboi’.
A 17 (17 de janeiro de 1930), Pedra de Cucuí, onde poderíamos obter fotografias da formidável planície Amazônica e da linha da fronteira assinalada pela crista da Cordilheira Parimã. Penosíssima, porém indispensável façanha alpinista. Tais foram as dificuldades vencidas, que nos convencemos não ser essa ascensão menos perigosa e de palpitante interesse do que as mais afamadas. O patamar mais alto fora, até então, considerado inacessível.
Foi proveitosíssima a exploração sob todos os aspectos e voltamos com rica messe de observações, fotografias, filmes. O Major Reis abriu, a buril, no como do mamelão superior, a seguinte inscrição: ‘Inspeção de Fronteiras – General Rondon – 1930’ (17.1.1930)”. (Viveiros)
1º Vôo Cucuí – Vila Bitencourt
Encontrando-se inspecionando o Pelotão de Fronteira Cucuí, em 1952, O Gen Cmt da 8ª RM – Gen Eudoro Barcelos de Morais – deliberou permitir, para os nativos residentes na região da fronteira, a não observância da estatura mínima de 1,60m, para sentarem praça (situação de familiares Caixeiro, de pequena estatura) (…)
Ocorre que àquela época os Catalinas, devido à falta de proteção ao vôo, voavam sempre seguindo o curso do rio, aquatizando em caso de perigo ou necessidade, sendo comum em mau tempo, fazerem vôo rasante, em cima do rio, dado que a navegação era a olho nu. (…)
Vôos rasantes
(…) O Catalina tem na parte traseira duas bolhas de Observação, por onde se entra para o interior do avião. Dali, se observa bem a rota do vôo, a paisagem e se tinha a sensação – tão baixo e acoplado às copas das árvores se voava – que se estivesse numa prova de hipismo a todo galope, por cima da mata, subindo e descendo conforme seu traçado. Impressionante também, ver o esforço do piloto e co-piloto na condução do avião enfrentando os obstáculos que se sucediam, empunhando os manchos …
(…) No Catalina, existem duas camas de lona em seu interior e como estávamos cansados, assim que decolamos, nos deitamos e dormimos, só acordando ao chegarmos em Manaus, Esperando o Comandante e o copiloto saírem primeiro, surpreende-nos os dois, molhados de suor, como se estivessem numa sauna, diz o Cmt: bom é não saber e vir dormindo… Acabamos de enfrentar dois CB’s fechando a entrada de Manaus, quase em cima do escurecer e felizmente conseguimos chegar antes…” (Sá).
Extrato do artigo do Coronel Hiram Reis e Silva, publicado no PANTANAL NEWS
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