Ruben Barcellos de Mello

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“Eu porém, inclinado à minha estrela, vou pela estreita senda da Cavalaria, por cujo exercício desprezo a fazenda, mas não a honra”. 
Há qualquer coisa de Dom Quixote em cada militar. Um não sei quê de ideal e Pátria, de ousadia e servidão, de coragem e desprendimento. Se lhes fora dado mil vidas, morreriam mil mortes para renascerem soldados.
Quando eles marcham, irmanados pela cadência dos passos, estremecem os corações. Olhos fixos à frente, frontes erguidas sem arrogância nem temor. Eles lutam nas guerras, empunham bandeiras, sangram uniformes e fazem histórias. E se não voltam, vivem nas lembranças de quem ficou.
Os quartéis os forjam e os colocam lado a lado, com mochilas iguais onde está o medo da morte e o desprezo por ela. Estes homens fizeram e fazem o Brasil do tamanho que ele é. Defenderam e defendem suas fronteiras no meio das impenetráveis florestas, entre as ondas do mar e no infinito do céu: sempre alertas, sempre vigilantes. Alguns já fizeram isto antes de chegarmos e outros o farão depois que nos formos.
Vejo Osório cavalgar entre a fumaça dos canhões, espada em riste e poncho ao vento indo de encontro ao perigo, perdido de patriotismo. Vejo Caxias, freando a tensão da sua montaria antes da carga, vislumbrando o sangue misturado à poeira do entrevero, tudo em nome da paz. O toque de clarim diz que é hora de atacar. E se Deus não lhes deu a certeza da vitória, lhes deu a coragem para buscá-la. E eles foram. E venceram.
Hoje somos os guardiões da Pátria. A nós foi confiada a missão de mantê-la livre, digna, indivisível. Diante da Bandeira juram defender a Pátria “cuja honra, integridade e Instituições defenderão com o sacrifício da própria vida” – e já o fizeram, e o fazem hoje, e farão amanhã porque seu compromisso não tem tempo de terminar.
As provas por que estes homens passam, podem tirar-lhes o couro, mas o que eles tem mesmo é muito couro para tirar. Às vezes não se sabe de onde tiram a força para superar as dificuldades. Eles, porém a encontram no rigor do tempo, na solidão das guaritas e nos pilares da disciplina e da hierarquia, sem esquecer que Deus lhes protege e orienta.
Onde houver uma altura a ser transposta é lá que hasteiam sua bandeira. E se pouco lhes dão, com pouco se contentam.
Porque é no peito do homem fardado, que vibra mais forte… a nobreza de servir.

Respostas de 7

  1. Nobre texto.
    MONTEDO, vc teria como nos disponibilizar o link, em pdf, do livro Simples Mente, do Tenente Ruben Barcellos de Mello.
    Uma obra em homenagem a caserna e aos seus ex-integrantes do 3º Regimento de Cavalaria Mecanizado (BAGÉ-RS).

  2. Alguém deveria escrever um texto como esse, mas falando sobre os atuais militares da ativa e da reserva, contrários a Reestruturação da carreira dos Militares.

    O título poderia ser esse:

    “A astúcia em se servir”…

  3. Excelente texto! Emocionante! Minha continência ao Tenente Barcellos, o qual tive a honra de chocar esporas no 3º R C Mec.

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