Único oficial entre os presos foi o primeiro a atirar em carro de músico, dizem militares

Os militares, ao deixar o Fórum da Justiça Militar Foto: Rafael Soares / Rafael Soares

Rafael Soares
O tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo, único oficial entre os nove militares presos pelo fuzilamento do músico Evaldo dos Santos, foi o primeiro dos agentes a abrir fogo contra o carro onde a vítima estava com sua família. A informação veio à tona nos depoimentos dos militares ao Exército, prestados na madrugada do último domingo, antes de os agentes serem presos em flagrante pelo Exército. Os outros oito agentes que admitiram ter feito disparos disseram que só apertaram o gatilho depois que o agente de patente mais alta atirou. Os militares também alegaram ter ouvidos barulhos semelhantes a disparos antes de começarem a atirar.
Nesta quarta-feira, os nove agentes que admitiram ter feito os disparos tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Mariana Queiroz Aquino Campos, da 1ª Auditoria Militar do Rio. Por decisão da magistrada, o soldado Leonardo Delfino Costa, único entre os militares a afirmar que não fez disparos, foi solto. A perícia feita pela Polícia Civil no carro encontrou marcas de mais de 80 disparos no carro do músico. Não havia armas ou drogas no veículo.
Em seus depoimentos, todos os militares afirmaram que confundiram o carro do médico com um outro veículo cujos ocupantes haviam trocado tiros com os agentes na manhã do mesmo dia. Ainda segundo os relatos, o confronto aconteceu por volta das 11h da manhã e deixou marcas de tiros nos blindados usados pelo grupo. Após a troca de tiros, o grupo foi almoçar e voltou ao mesmo local na parte da tarde. O crime aconteceu pouco depois das 15h.
— Eles não checaram a placa do carro e começaram a atirar. Não teve um comando para atirar. Atirou quem quis — afirmou o procurador Luciano Gorrilhas, responsável por pedir à Justiça a manutenção da prisão dos nove agentes.
Seguem presos, além do tenente, o sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva e os soldados Gabriel Christian Honorato, Matheus Santanna Claudino, Marlon Conceição da Silva, João Lucas da Costa Gonçalo, Leonardo Oliveira de Souza, Gabriel da Silva de Barros Lins e Vítor Borges de Oliveira. Todos os militares são lotados no 1º Batalhão de Infantaria Motorizado, na Vila Militar.
Os agentes foram presos em flagrante pelo crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução, com pena máxima de seis meses de detenção por terem descumprido regras de engajamento, ou seja, atirarem sem terem sido alvos de ameaça. Durante a audiência, entretanto, o Ministério Público Militar (MPM) pediu à Justiça que os militares respondam pelo homicídio do músico e por tentativas de homicídio contra os outros membros de sua família e do catador de material reciclável Luciano Macedo, baleado quando tentava ajudar as vítimas. Ele segue internado no Hospital Carlos Chagas.
Paulo Henrique Pinto de Mello, advogado dos dez réus, disse que as famílias dos militares estão sendo ameaçadas:
— Todos os militares não são novos na Força, não são recrutas, mas moram em favelas e suas famílias estão sendo ameaçadas. A prisão é ilegal, porque o artigo do CPM (Código Penal Militar) pelo qual eles foram presos (inobservância de lei, regulamento ou instrução) sequer prevê pena de prisão.
Na tarde desta quarta-feira, o Comando Militar do Leste (CML) postou, em seu perfil no Twitter, uma mensagem de condolências à família pela morte de Evaldo.
EXTRA/montedo.com

Respostas de 23

  1. Isso quer dizer, que se estiver em uma missão e o mais antigo mandar fazer algo do tipo, é para pensar duas vezes antes de obedecer e se o militar resolver não obedecer a ordem, será que ele vai ser punido.

      1. Eu sei que ordem absurda não se cumpre, mas o que é uma ordem absurda, esta na imaginação de cada um, o que pode ser absurdo para um, não é absurdo para outro.

    1. Leia o texto antes de falar bobagem. O tenente teve a iniciativa de atirar mas não deu ordem para ninguém. Os demais atiraram porque quiseram.

      1. Não estou falando bobagem e li o texto muito bem. O que tem até agora é depoimento e não uma gravação provando o que aconteceu.

      2. O mais antigo arrastou pelo exemplo.
        Pelo julgamento dele, influenciou aos demais a julgarem atirar ser o correto naquele momento. Muito fácil falar não estando na situação deles.

  2. Não entendi a manchete da matéria. Seria “culpar apenas o oficial”? E a propósito culpar está entre aspas, pq não vejo culpa na situação toda. Infelizmente foi um erro, com vítima fatal, mas não dá pra saber como cada um reagiria sem passar pela situação. Eles já vivem em risco (como policiais) e tendo trocado tiros anteriormente, é possível imaginar o nível de adrenalina além de medo.

  3. Não quero justificar o inaicetável. Mas ponham-se no lugar dos militares.
    Imaginem vocês durante uma patrulha e sofrem um atentado por um veículo sedan da cor branca. Troca de tiros, risco de morte, e em seguida o carro segue em fuga.
    Horas mais tarde vocês passam pelo mesmo lugar, estão pilhados, com a adrenalina lá em cima devido à recente experiência. Logo de cara, ouve-se barulho que lembra tiros, avistam um sedan branco, o reflexo imediato faz o coração acelerar, e a reação do mais antigo do grupamento é atirar no suposto alvo.
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    Como falei no início, não quero justificar a conduta errada nessa tragédia. Mas ao me por no lugar deles, me vejo sendo induzido a cometer um erro parecido.

  4. Tropa que sai da Base sem o mínimo de orientação quanto à regra de engajamento dá nisso. Torço muito que não volte a ocorrer esse tipo de fato, mas infelizmente o futuro não é dos melhores. Ainda bem que saí cedo, quando militares realmente tinham o seu comandante como exemplo e espelho. A gurizada hoje em dia pensa que é Rambo quando vai prá missão. Se vê de tudo errado, desde máscara de caveira ao gorrinho de marrento, sem contar a malandragem que acompanha desde sempre. Existem inúmeras formas de encurralar um veículo, como jacaré, cavalos de friso, etc, mas é muito pesado prá carregar né.
    Erros acontecem, mas na maioria das vezes é por pura falta de responsabilidade, negligência e imprudência.
    Desculpem, mas respeitem minha sincera opinião.
    Brasil!!!

  5. Mudo meu nome se o tenente não é temporário, e digo isso não no sentido de querer menosprezar os oficiais R2 mais porque eles são formados apenas em um ano e em período de meio expediente. Muitos vão para tropa com o pensamento ainda de aluno e não tem a responsabilidade de um oficial ou sargento de 15 a 20 anos de serviço. Mostrou seu despreparo ao iniciar o tiroteio quando, em tese, seria o último que atirasse. Se o comandante da tropa é o primeiro a atirar, é o mesmo que dar uma ordem para o restante atirar. O soldado que não atirou safou uma onça, talvez por cagasso de atirar ou pelo bom senso, apesar da idade. Que sirva de aprendizagem esse episódio.

  6. Resumindo: O Exército não está apto a fazer abordagem nas ruas, no artigo 7 do CTB tem a relação de todos agentes que podem atuar no transito, em momento nenhum cita o EB, somente no art 10 cita um possivel representante do Ministério do Exercito (Ministerio que nem existe mais) mas não fala claramente representante do que, portanto quem deveria ser responsabilizado é quem deu a ordem para esses militares atuarem nas ruas não observando a luz da Constituição.

  7. A história da “ordem absurda não se cumpre” é apenas uma forma de tirar a responsabilidade daquele que deu a tal ordem, quando faz besteira. Porque se um superior hierárquico deu ordem, pressupõe-se que ele saiba, por experiência, que está fazendo o certo. Um soldado de 19 anos, sem nenhum conhecimento concreto do regulamento, não vai questionar seu comandante, até porque ao soldado só cabe tomar esculacho, até quando está correto, e ter de ficar calado. É assim na prática.

  8. Isso é despreparo total. Porque o carro parece não quer dizer que é. Checou o modelo, a côr e o principal que é a placa. Checou? . Então gente cadeia neles pra aprenderem a trabalhar corretamente. No meu Tempo de EB 1981 a 1987 não acontecia essas cagadas não!!!

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