Mourão: EUA não farão ação militar na Venezuela

O vice-presidente Hamilton Mourão durante conversa com o vice americano, Mike Pence, em Washington – Twitter/Reprodução

Mourão se reúne com Pence e diz que EUA não farão ação militar na Venezuela
Vice-presidente afirmou que questão militar é ‘tarefa dos venezuelanos’

WASHINGTON
Marina Dias
Patrícia Campos Mello

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que os EUA não farão uma intervenção militar na Venezuela para tentar resolver a crise que assola o país sob a ditadura de Nicolás Maduro. A declaração foi dada nesta segunda-feira (8) minutos depois de Mourão se reunir com o vice-presidente americano, Mike Pence, na Casa Branca, em Washington. Segundo o general, a ação militar é uma tarefa de responsabilidade das Forças Armadas venezuelanas. Aos outros países, argumenta o vice brasileiro, cabe fazer pressão política e econômica para desgastar o governo Maduro.
“Nenhum dos nossos países vai intervir na Venezuela de maneira militar. A intervenção que está sendo feita é política e econômica. A questão militar é dos venezuelanos”, afirmou Mourão a jornalistas após reunião com Pence. Ele citou como exemplo de pressão as sanções que os EUA impuseram contra navios e empresas que transportam petróleo da Venezuela para Cuba, anunciada pelo próprio Pence na semana passada —a principal atividade econômica da Venezuela hoje é a venda de petróleo.
Questionado sobre a quais países estava se referindo, o general afirmou que eram todos aqueles que fazem parte do Grupo de Lima, “inclusive os EUA”. O bloco é formado por 12 países, incluindo Brasil e Argentina —os EUA não integram oficialmente o grupo, mas têm participado das reuniões que tiveram posições críticas à situação na Venezuela e declararam apoio ao líder de oposição Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino do país.
Mourão, assim como a ala militar do governo brasileiro, não é favorável a uma intervenção militar no vizinho e quer ater as ações do Planalto à ajuda humanitária na fronteira. Segundo o vice brasileiro, Pence perguntou diretamente sua opinião sobre o assunto.
“Ele perguntou minha opinião, que todos vocês sabem: a situação da Venezuela tem que ser solucionada pela Venezuela. Os EUA têm feito bem a parte dele de pressão política e econômica. Não temos forma de bolo”.
Em Boston, Mourão já havia dito que o discurso duro em relação à Venezuela do presidente Donald Trump era mais uma “figura de retórica”do que uma ação efetiva. Para o vice brasileiro, não há solução imediata para a crise da Venezuela, mas a pressão econômica vai “estrangular o país” e, nesse momento, os militares venezuelanos vão conseguir tirar Maduro do poder e convocar eleições para substituí-lo.
Trump tem feito um discurso de escalada contra a Venezuela. O presidente Jair Bolsonaro, quando esteve em Washington em março, não descartou de imediato o apoio do Brasil caso os americanos decidissem intervir militarmente no país latino-americano. Dias depois, porém, o líder brasileiro recuou e disse que não daria suporte a esse tipo de ação. Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta segunda, Bolsonaro não descartou a possibilidade e afirmou que consultaria o Conselho de Segurança Nacional e o Congresso brasileiro antes de tomar a decisão.
Indagado se apoia a construção do muro na fronteira com o México, Mourão disse: “O presidente Bolsonaro já disse que apoia, se ele declarou, eu também apoio. Estou que nem um paraquedas com ele, estou com ele e não abro.”
Mourão afirmou nesta segunda que o principal objetivo do encontro com Pence era fazer “o aproveitamento do êxito” da visita de Bolsonaro a Washington.
“Bolsonaro criou empatia com Trump. Era minha vez de fazer [o mesmo] com minha contraparte”.
O vice disse ainda que ambos se deram muito bem e que o americano manifestou vontade de visitar o Brasil com a esposa.
“A sensação é que posso passar a mão no telefone, eu o chamo de Pence e ele me chama de Tony”, disse Mourão. “Quem sabe levamos ele para o Rio, e ele joga uma partida de futevôlei comigo”.
De acordo com Mourão, a reunião com Pence ainda tratou sobre o status do Brasil de aliado prioritário dos EUA extra-Otan e a relação com China. O vice afirmou que deixou claro ao americano que Pequim é um parceiro estratégico
para o Planalto —apesar da guerra comercial que os EUA estabeleceram com aquele país.
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

Respostas de 5

  1. Isso dos EUA dizer que não terá ação Militar Americana na Venezuela e porque sabem que lá o Chumbo e Grosso Rússia es China Juntas os Americanos tremem sabem que Certamente perderiam se entrassem em Guerra

      1. Avisa pra esse garoto aí que o Exército dos Estados Unidos é o único com condições de travar 4 guerras simultaneas em continentes diferentes. Sendo assim se a Venezuela,Russia e China já estão juntas só vai facilitar o trabalho do Tio Sam.

    1. Num eventual conflito, mais da metade das forças armadas da Venezuela vão desertar na primeira oportunidade, e a China e a Rússia não têm condições de suportar um conflito prolongado no outro lado do planeta, tanto que a China teve que fretar um avião civil para transportar suas tropas e a Rússia está atolada na Síria.

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