Foram os militares que disseram ao governo o que aceitam na Previdência

Imagem: Comando Conjunto/Divulgação

As mudanças para militares que forem incluídas na reforma da Previdência estão sendo sugeridas diretamente pelos próprios militares à equipe econômica do governo Bolsonaro. O general de divisão Eduardo Garrido, assessor especial do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, é o responsável por fazer essa ligação, segundo o UOL apurou.
“Não fizemos nenhuma sugestão sobre o tema. Quem definiu as mudanças em alíquota e tempo de contribuição foram os próprios militares. E recebemos essas informações do general Garrido nas últimas semanas”, disse um técnico da equipe econômica que preferiu anonimato.
Cabe a Garrido repassar à equipe econômica todos as solicitações dos militares no debate sobre as mudanças nas regras da inatividade. Ele também é responsável por apresentações para os comandantes das Forças Armadas. Procurado pela reportagem, Garrido não quis dar entrevista. O Ministério da Economia não respondeu.

PRIMEIRA REUNIÃO FOI EM 10 DE JANEIRO
Um dia após três militares da cúpula do governo realizarem uma ofensiva contra a reforma da Previdência, o porta-voz das Forças Armadas nas discussões sobre o tema se reunia pela primeira vez com o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho.
Pontualmente às 10h de 10 de janeiro, o general Garrido era recebido por Marinho no oitavo andar, do bloco F, da Esplanada dos Ministérios.
Em 12 de fevereiro, Garrido fez uma apresentação sobre o Sistema de Proteção Social dos Militares para o alto comando da Aeronáutica. Mesmo entre os integrantes das Forças Armadas, há divergências sobre o assunto.

MOSTROU CONHECIMENTO EM PREVIDÊNCIA
Pela proposta que será enviada ao Congresso, a alíquota de contribuição dos militares será única e passará de 7,5% para 10,5%. O tempo mínimo de contribuição dos integrantes das Forças Armadas passará de 30 anos para 35 anos.
Sempre impecável, com sapatos bem engraxados e muito educado, Garrido surpreendeu técnicos da equipe econômica com o conhecimento sobre questões previdenciárias. Faz questão de apontar em todas as reuniões que os militares não têm um regime de Previdência, mas um Sistema de Proteção Social.

TEM EXPERIÊNCIA EM TEMAS ECONÔMICOS
Ao todo, Garrido já participou de 11 reuniões com integrantes da equipe econômica. Além de encontros com Marinho, também acompanhou o ministro da Defesa em uma reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em 30 de janeiro. Já esteve com o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, com o secretário de Previdência, Leonardo Rolim, e com o secretário especial adjunto de Fazenda, Esteves Colnago.
A familiaridade com os números o habilitou a ser o interlocutor dos militares com a equipe de Paulo Guedes. Ao longo da
carreira, Garrido acumula passagens por postos ligados a assuntos econômicos. Somente na Secretaria de Economia e Finanças do Exército, ocupou os cargos de assessor especial e de diretor de gestão especial.

SOCIEDADE DESCONHECE A CARREIRA MILITAR
Em publicação no blog do Exército em 17 de janeiro, Garrido afirmou que os brasileiros desconhecem as peculiaridadesda carreira militar. Com o título “Regime constitucional dos militares”, o texto mostra como pensa o portavoz das Forças Armadas nas discussões sobre a reforma da Previdência.
“Ao se comparar o Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas com os regimes previdenciários previstos na Constituição Federal, nota-se que os pontos de contato são mínimos. O que se observa por parte da sociedade em geral é o desconhecimento das peculiaridades da carreira militar”, escreveu.

MILITAR NÃO TEM HORA EXTRA E FGTS
Ele também fez questão de dizer que os militares não têm direito a horas-extras, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS), adicional de periculosidade, adicional noturno, direito de sindicalização e de greve, entre outros.
“As estimativas das Forças Armadas projetam que a União economiza, anualmente, da ordem de R$ 21 bilhões por deixar de pagar tais direitos e benefícios aos militares, valor suficiente para arcar com as despesas referentes à folha de pagamento dos militares inativos das três Forças”, declarou na publicação.
Ele também afirmou que as contribuições dos militares não se limitam ao teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
“É reconhecido, também, que a contribuição dos militares objetiva o custeio da pensão militar. Essa contribuição pode chegar a 9% da remuneração bruta do militar -não estando limitada ao teto do INSS- e, mesmo quando na reserva ou reformado, continua a contribuir”, disse.
UOL/montedo.com

Respostas de 36

  1. Ouvi o Gal Mourão dizer que o inegociável seria a integralidade (ir para a reserva com o mesmo salário da ativa) e a paridade (aumentos iguais entre ativa e reserva), ufa nossos chefes são o que há de melhor em negociação e deveria dar aula ao judiciário e ao legislativo , parece até que os “Militares são os mais bem remunerados, funcionários tidos como típicos de carreira”.

    1. Hoje a paridade e a integralidade são inegociáveis…ÇEI… Daqui a 10 ou 12 anos, na próxima bomba de ajuste que possivelmente vá ocorrer, é bem provável que isso seja a pauta da nova “negociação”.

  2. Esse Gen. entende do assunto, tem excelentes números para convencer qualquer um sobre a situação dos militares, mas ele não pode esquecer que ele está lhe dando é só com cobra criada, políticos safados, que fazem de tudo para jogar os militares em sistema que deixe totalmente desamparado, então Gen. abra seu olho e fique esperto.

    1. O General Garrido é de Intendência, servimos juntos na Brigada de Aviação, Taubaté-SP em 1989, na época era capitão; era o tesoureiro; frequentamos a mesma universidade de Taubaté-SP, ele parece que fez Contabilidade .Muito competente. Esses técnicos do governo estão enfrentando uma pessoa preparada. Que Deus abençõe e proteja os militares das Forças Armadas e faça justiça quanto a nossa remuneração.

  3. Acabei de assistir na Globo News um trecho da reportagem do Dep Rodrigo Maia dando entrevista a Miriam Leitão dizendo que não tem condições de aumento de soldo e gratificações para os militares neste momento de crise econômica. Disse ainda que reconhece que o salário de um General 4 estrelas é pouco, em torno de 22 mil reais ( segundo ele) , porém não tem sentido essa troca de moedas. Segundo ele, primeiro fazer a reforma, depois esperar o país crescer para aí sim pensar no aumento. Disse ainda que foi contra o aumento do STF porque acabou aumentando também o deles ( Deputados) e ele não queria isso. Disse que se der o aumento, parece que está tirando de uns e dando aos militares e isso não parece legal. Se quiser comprovar só assitir na Globo News às 21:30 de hoje no programa da Miriam Leitão…parece brincadeira mas é sério. Então meus amigos, não quero ser pessimista, mas essa reestruturação vai dar trabalho, até estava com alguma esperança, mas pelo visto…vamos aguardar.

      1. Esse valor que o Maia falou deve ser o Bruto, tira 30% dele que dará os R$14 mil e alguma coisa. Quando fala em salário geralmente é o Bruto. Por exemplo, ministro do STF antes do aumento possuía salário de R$33.000 , isso é o Bruto, mas o líquido ficaria em torno de R$23.000

    1. Pois é. Tinha que entrar na pauta de votação uma lei pedindo cancelamento do aumento do judiciário de 16.38% e que vai impactar quase 6 BI no orçamento por causa das cascatas, o qual também beneficiou os deputados. Vamos ver quantos irão votar a favor do corte. Aqui é sempre a mesma ladainha sendo jogada pra cima dos militares: uma hora é a economia travada, outra hora é o momento político…e assim vai.

  4. Eu não entendo por qual motivo os Generais não cogitaram como barganha para fazer caixa para aumentar os nossos salários a redução dos valores pagos às futuras pensionistas (as que têm somente expectativa de direito) tal como ocorre no serviço público federal civil e INSS (uma tabela onde recebe mais quanto mais idade tiver a pensionista) e a COMPLETA EXTINÇÃO da pensão para filhar EM QUALQUER SITUAÇÃO (casada ou solteira) na forma garantida pela “gambiarra” chamada desconto de 1,5% para pensão militar.
    Só houve piora considerável para o militar da ativa e o da reserva, já as pensionistas que NÃO SÃO MILITARES só vão ter um desconto de 14% e mais nada!
    Eu quero BENEFÍCIOS enquanto eu estou vivo, Generais! Não quero me sacrificar para TALVEZ vir a deixar um gordo benefício – às custas do meu sacrifício em vida – para quem ficar vivo após à minha morte, seja esposa ou filha.

  5. A verdade é que em se tratando dos militares tudo é revanchismo. Rodrigo Maia não é “persona grata”, portanto, vai ser muito complicada a vida dos militares nessa história toda. Sou até capaz de dizer que só sobrará para os militares, os civis continuarão só “na boa”. Esta “conversinha de que o STF aumentou o salário aumentando assim o deles e ele não queria é pura HIPOCRISIA desse desgraçado. Sou do RJ e queria saber quais os FDP que ainda votaram nesse cara para deputado. É por isso que não acredito nessas urnas.

  6. Eu também tenho a impressão de que, quando não dão aumento aos militares, é porque estão tirando dos militares e dando aos políticos, Rodrigo Maia. Deixa de ser cara de pau!!! Não sei como ainda votam em você aqui no RJ.

  7. Eu vi o Maia numa entrevista com a Leitão, dizendo que vão só aprovar as reformas da previdência civil e militar, não vai ter aumentado salarial para militares, a promessa de aumentar os salários só depois quando economizar os trilhões, pois não vai passar na reforma dos militares ,se falarem em aumento de salários. Agora cabe aos militares abrirem o olho e ver se dá para confiar em Políticos.

      1. aguarde e verá meu caro

        rodrigo maia e globo

        nao teremos nada….nadinha

        os milicos x todo povo

        aguarde

        nenhum politico vai comprar essa briga dos milicos

        nao damos voto ..somos apenas 200 mil militares + uns 200 esposas e filhos….elegemos no maximo um DEP ou vereador

        o povo sao 120 milhoes de votos

        olha a diferença

    1. Avisaram para o porquinho que se essa previdência passar, nos vamos ganhar menos? Deviam ter dado o aumento primeiro, e se alguém reclamasse, diziam que nos entrariamos na Previdência para calar as bocas. Mas a burrice e a soberba falaram mais alto. Vamos ver esse contra-cheque que vão vir a menor.

  8. É muito fácil fazer a população conhecer a carreira militar: muda essa CLT e na sequencia corta fgts, hora extra, adicional de insalubridade, periculosidade, todo mundo continua contribuindo depois de aposentado…e depois é só falar que é assim que funciona com os militares.

  9. Acabei de assistir a parte da entrevista do Rodrigo Maia a Mirian Leitão. Em nem um momento ele fala que é contra reajuste ou aumento de salario dos militares, pelo contrário ele falou que o “salário de um general 4 estrelas está defasado”!
    Ele simplesmente falou que junto com a reforma não era o momento de mandar algum aumento. Isso “contaminava a reforma como um todo”!
    Disse que era melhor aprovar a reforma da previdência no primeiro semestre e daí no segundo, sabendo do impacto da reforma, resolveriam essa questão.
    Concordo com ele, estamos no foco de todos, melhor aprovar primeiro e depois mandar uma MP reajustado os salários, nada impede que uma reestruturação de cargos seja aprovada agora, até por que será necessária.

    1. Kkkkkkkk…. Vc acha mas mesmo que depois que enfiarem essa reforma goela abaixo eles vao nos dar aumento? Nos nao podemos fazer greve e nem reivindicar e ficaremos mais para tras ainda. Nesse momento, nos estamos ainda podemos barganhar, pois os governadores estão desesperados para aprovar a reforma dos militares a fim de reduzir gastos com as PMs e bombeiros militares. Se perdemos essa carona, perdemos o bonde era sempre meu amigo.

  10. Já era. Rodrigo Maia poe uma pá de cal na sepultura dos Militares. Veja a entrevista na Globo News. Não terá aumento tão pouco restruturação da carreira.

  11. A incompetência de oficiais, especialmente os generais, nos levaram a esta situação que estamos agora. Agora, um presidente da Câmara, delatado na lava jato, ira ditar as regras…..maravilha. com a Reforma da previdência teremos os salários reduzidos, e se Bolsonaro deixar sera um traidor e mentiroso. Juizes tiverarm aumento, justiça liberou auxilio moradia dos deputados…..há, mais não, Rodrigo delatado Maia falou que militares não podem ter aumento.

  12. Sei lá, mas em relação às coisas boas eu sou parecido com São Tomé: só acredito vendo! Já pra prejudicar, daí nem precisa esperar, pois é sabido que vai sair de qualquer jeito. Já estou mandando dois “joínhas” para nossos comandantes e se tivesse mais uma mão, a usaria!

    1. Todos nós sabemos como vai acabar, nosso saudoso Ministro do Exército Zenildo Lucena, também fez esforços hercúleo, kkkk, para que nós milicos, baixo clero não fossemos injustiçados com a defasagem salarial que vem da era Sarney com seus planos transcendental, de outra órbita, perdemos na era Collor, Itamar e para coroar, o nosso querido filho e neto de militar FHC, lascava conosco e mandava os informex amaciando e nos confortando dizendo que entendia as necessidades dos militares, pois nasceu em berço militar. Voltando a discussão Zenildo f…. conosco e ganhou de brinde uma embaixada, não lembro se foi na China ou outro país asiático. Se essa reforma não foi incluído o baixo clero, vamos ver navios indo embora igual a 2000, desde quando quem está no teto olha para baixo? Cada qual defende seus interesses e do grupo que o representa, eu acredito que poucos Generais vão interceder para que a justiça comece de baixo para cima. O bolo sempre e repartido de forma desigual, eu defendi sempre o governo em arrumar a casa primeiro, mas, começou a barganha, porque não barganhar, será que só nós somos os abnegados, patriotas? Cadê os demais. A palavra convence o exemplo arrasta. Sgt QE Refm Bastos

  13. A “condição militar”, internacionalmente reconhecida, em países desenvolvidos ou não, submete o profissional a exigências muito peculiares, que não são impostas, na sua totalidade, a nenhum outro profissional. Dentre essas exigências vale lembrar: risco de vida permanente; sujeição a preceitos rígidos de disciplina e hierarquia; dedicação exclusiva; disponibilidade permanente; mobilidade geográfica; vigor físico; proibição de participar de atividades políticas; proibição de sindicalizar-se e de participação em greves ou em qualquer movimento reivindicatório; restrições a direitos sociais; vínculo com a profissão mesmo na inatividade; sujeição a regulamentos disciplinares e códigos penais militares. (Márcio Dantas Avelino Leite).

    Todo mundo gosta de seguir a carreira militar, né? A vida de um militar é só mordomia, na cabeça desses BAGRES. O texto do cidadão acima mostra bem isso. Na verdade, há prejuízos até para seus familiares.

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