Solução ‘civilizada’ para o problema da Venezuela está nas mãos de suas Forças Armadas

ANTONIO DELFIM NETTO
Qualquer atlas mundial revela um arquipélago com ilhas (nações) claramente separadas, mas com separações internas não visíveis. Entre elas, em geral, tudo é permeável, exceto a população! A experiência lhes ensinou que a autossuficiência produtiva é ineficiente.
Há cerca de 200 anos, o grande economista David Ricardo”demonstrou” (trata-se de uma relação matemática entre duas desigualdades) que a eventual liberdade de comércio produziria, no longo prazo (quando todo processo produtivo interno tiver se ajustado), um aumento do bem-estar geral.
O problema é o que fazer com os perdedores desajustados no curto prazo, mas isso é outra história…
As ilhas (as nações) são independentes e querem continuar assim. Têm interesses antagônicos. Cultivam desconfianças históricas e precisam defender o seu território. Sabem que os organismos multilaterais (ONU, OMC) tendem a ser palcos de reuniões literomusicais, sem efetividade para isso.
Logo, impõem-se sérios cuidados às nações que querem manter a sua independência num mundo onde a insegurança e a desconfiança se acumulam. Desde tempos imemoriais, elas aprenderam que, para gozar da relativa liberdade de determinar o seu futuro, precisam de três autonomias:

1. energética, para manter funcionando sua máquina produtiva;
2. alimentar, para sustentar a sua população nas condições mais adversas;
3. militar, com capacidade dissuasiva para defender seu território e recursos de eventual cobiça externa.

Os conflitos externos estão longe de nós há 150 anos. Suspeito que hoje estejam mais perto. A solução “civilizada” para o problema da Venezuela está nas mãos de suas Forças Armadas.
Desde 2005, a megalomania de Chávez envolveu-a numa fabulosa e sofisticada “corrida armamentista” com assistência e treinamento russo, além de armar milicianos. Tudo alegremente financiado por Putin. Estrategista frio e determinado, seu objetivo é a reconstrução do império russo na Europa, no que tem sido bem-sucedido.
A Venezuela é, provavelmente, apenas um “peão” nesse xadrez, mas o resultado do jogo foi a destruição do equilíbrio militar na América Latina, o que deve nos preocupar.
O psicopata Trump, por sua vez, pôs Xi Jinping (que deseja ampliar sua influência na Ásia) no colo de Putin. Não creio que este tenha, de fato, a intenção de estabelecer uma base naval no Caribe. Mas a Venezuela colocou nas suas mãos (com o apoio de Xi) o movimento de uma peça que pode sair muito caro à política externa dos EUA.
O “Lago Azul” proposto pelo senador Marco Rubio pode terminar num vazamento igual ao de Brumadinho…
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

Respostas de 7

  1. Para se ter forças armadas eficientes é preciso gastar dinheiro. E não é só com material mas também mantendo soldos dignos. Militares empobrecidos e desamparados não vão se sacrificar por Estados que os deixaram desamparados. A história está cheia de exemplos.

  2. Nós Militares, ativos e inativos, contribuímos por toda a nossa vida.Com a eventual taxação das pensionistas estaremos contribuindo também no pós-vida. Os demais , servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada serão também taxados quando aposentados????

  3. Este deve ser um argumento sempre utilizado quando estivermos debatendo o assunto: atratividade da carreira!

    Deixar a profissão militar, que guarda todo o poder bélico da nação na mão de gente desesperada não é a ideia mais inteligênte que um país pode ter. É dar a oportunidade de qualquer tirano que suba ao poder conquistar a lealdade do estamento militar a troco de algum reconhecimento, colocando-o ao seu lado contra o povo.

    E não precisa de modelo teórico para comprovar isso. Basta olhar para a Venezuela para se entender a situação. As FFAA da Venezuela, durante a década de 70, passaram por um processo de desmoralização enorme. Somente os desesperados queriam ser militares. E o que fez Chavez? Estendeu a mão para esse pessoal, valorizou-os, comprou barato a sua fidelidade. O mesmo que a Dilma tentou fazer aqui, em 2013, quando tentou usar o Exército para coibir os manifestantes, mas encontrou outra recepção. Se as FFAA não tivessem, naquela época, a moral que temos, hoje estaríamos no caminho do vizinho do norte.

    1. Concordo! Deixar os militares empobrecidos é de uma burrice gigantesca! Principalmente em um país que se a polícia e as forças armadas saírem da rua, por uma semana, a situação fica fora de controle! Os 65 mortos, anualmente, mostram o país selvagem que é o Brasil! E se a esquerda não tivesse sido tão burra e revanchista e tivesse dobrado nossos soldos e melhorado, para valer, as nossas vidas, hoje o cenário politico seria outro…muito gente não ganharia eleição e muita gente estaria livre…duvidam?

    2. Se ela tivesse dado um reajuste decente, e um aumento real, a história seria outra. Mas quiseram se vingar em pessoas qie nem na Força estavam, fotam revanchistas. Eles foram burros e até hoje não se deram conta. Para a felicidade de muitos. Mas que a lição fique para quem está aí, não deixe de tratar bem a Força.

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