Governador capixaba anistia PMs amotinados, que ele chama de grevistas: é a história se repetindo.

Fevereiro de 2017: mulheres de militares bloqueiam saída do Comando da PM do Espírito Santo

Está no noticiário da noite: cumprindo promessa de campanha, o governador do Espírito Santo concedeu anistia aos Policiais Militares que participaram da “greve” de 2017. A Lei aprovada por Renato Casagrande cancela processos e punições a policiais militares ou parentes que participaram do movimento grevista que durou vinte dias e incendiou o estado capixaba, em fevereiro de 2017. Isso aconteceu após aprovação, por unanimidade, da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) nesta manhã. A anistia foi uma promessa de campanha do governador.

Relembrando
Em função da “greve”, o Exército foi convocado e atuou durante 31 dias no estado, garantindo inclusive a segurança no carnaval. Nota à margem: a palavra “greve” está entre aspas por que militar não entra em greve, faz motim. Já a medida do governador implode os pilares básicos da profissão militar: a hierarquia e a disciplina.
Confira a cronologia da greve, disponível no G1.

A história que se repete, se repete, se repete …
O texto abaixo é de janeiro de 2018, escrito logo após o encerramento da “greve”da PM no RN.

A “greve” da PM potiguar, os “Severinos da Nação” e a história, sempre repetindo-se
Greve? Que greve?
Os policiais militares do RN anunciaram na última terça-feira (9) o final da “greve”, iniciada em 20 de dezembro. Por que as aspas, Montedo? Simples: tropa armada não faz greve, faz motim! E motim, convém lembrar, é crime militar.
Como criminosos a FAB tratou os sargentos controladores de voo que se amotinaram em 2007, durante o “caos aéreo” no País, quando a categoria promoveu uma operação-padrão que resultou em atrasos, cancelamentos de voos e imensas filas nos aeroportos. E, por mais que entenda as razões que levaram os militares a agir daquela forma, à época, tenho que dizer: a FAB agiu corretamente. Afinal, a lei existe para ser cumprida. Vale lembrar que, em abril de 2017 o STF pacificou a questão, proibindo qualquer forma de paralisação de servidores públicos de órgãos de segurança. Entretanto, no caso das policiais militares estaduais, não é bem assim.

A história se repete
O blog existe desde 2009. Nesses anos todos, perdi a conta das vezes em que as Forças Armadas foram chamadas para garantir a segurança nos estados, enquanto PMs fardados e muitas vezes armados se recusavam a cumprir seu dever. De memória, lembro dos casos do Ceará, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Norte.
Nessas situações, há uma espécie de roteiro-padrão: enquanto a população fica à mercê da bandidagem, os amotinados dedicam-se a criar situações limítrofes de confronto com as forças federais e as instituições, contando com a cobertura da mídia para adubar projetos políticos de seus líderes: assim foi com o Cabo Daciolo no RJ, Marco Prisco e Pastor Isidoro na Bahia, entre outros.

Milicos no fio da navalha
Via de regra, as Forças Armadas tem se saído bem, conseguindo escapar das armadilhas preparadas pelo sindicalismo militar/militante, travestido sob a forma de associações. A postura profissional tem sido decisiva para que os militares federais saiam com a credibilidade ilesa da maioria dos episódios de paralisação.

O bolo que custou uma estrela
A exceção mais pitoresca – e, por isso mesmo, notória – acabou custando a quarta estrela ao general Gonçalves Dias, amigão de Lula.
Durante a greve da PM baiana, no início de 2012, ele estava no comando da tropa de segurança que cercava a Assembleia Legislativa, tomada pelos policiais militares amotinados. Num evento que lhe valeu a alcunha de ‘general do bolo’, Gonçalves Dias foi homenageado pelos manifestantes. Em imagem que ficou famosa, ele recebeu um bolo em seu aniversário. Ato contínuo, foi afastado do comando da operação e encostado na diretoria de inativos e pensionistas, onde permaneceu como general de divisão até ir para a reserva.

Salários x salários
O grande paradoxo está na disparidade salarial entre as forças envolvidas. De um lado, os militares federais, que veem seus vencimentos minguarem a cada governo. De outro, com salários maiores, os grevistas, que acabam obtendo mais vantagens ao final de cada episódio.

Anistias à granel
Ato contínuo ao fim de cada movimento, inicia-se um movimento político no sentido de atenuar a responsabilidade dos militares envolvidos. Diferentemente do caso dos controladores da FAB, onde a lei foi cumprida, nunca falta um deputado para apresentar um projeto de anistia aos amotinados, proposta invariavelmente aceita por seus pares.

Resumo da ópera
Ao fim e ao cabo, o que temos? Militares federais com baixos salários, em condições precárias de alimentação e acomodação e recebendo diárias irrisórias, respeitando a lei e cumprindo à duras penas seu dever, fazendo o que os militares estaduais se recusam a fazer, seguros da impunidade.

“É a política, estúpido!”
Sem representatividade política, os militares das Forças Armadas continuarão à mercê dos humores governamentais, enquanto exercem o papel de ‘Severinos’ da Nação.

Respostas de 12

  1. Preparem-se! Carnaval está chegando e o pessoal, que deveria por lei tomar conta da festa, vai arrumar um jeito de arrumar otários para tirarem bendela de graça para eles no carnaval, enquanto eles mesmo se divertem. E depois tudo fica por isso mesmo, severino é para isso.

  2. Se as Far tivesse 1% de união como as outras categorias, agente não estaria nesse estado vegetativo! Espero que um dia caia a ficha e acordemos! Sei que não sera publicado. Mas ta ai minha opinião!!!

  3. Essa bagunça só vai acabar quando os governadores pagarem os custos da operação com recursos do próprio Estado que se diz sem condições de manter sua segurança.

  4. “Ja a medida do governador implode dois pilares básicos : hierarquia e disciplina”

    Ok, pena que nesse arremedo de país”disciplina” seja usado como motivo de servilismo trabalhista, apenas.

    Quanto a “implosão” dos “pilares basicos”, fica de reflexão do que o nosso glorioso STF, que se auto aplica aumento de salário quando bem entende-faz toda hora com a CF, quando bem entende.Exemplos acho que nao faltam.

  5. Enquanto isso os controladores de voo da aeronáutica foram expulsos! Cadê a isonomia? Ah lembrei as PMs têm COMANDANTES honrados (cabra macho) e leais!

  6. Soldos miseráveis. Com soldos miseráveis se vai mais longe(no controle e acomodação da tropa), pois nossos comandantes defendem ardentemente que soldo de militar deve ser miserável mesmo, pois estamos “pensando” no Brasil. Resumo da ópera: as PM`s de diversos Estados ganham, e vão continuar ganhando muitos mais do que os militares das FFAA`s, tudo em nome do Brasil, varonil.

  7. Queria muito saber quem escreveu essa matéria. “estado potiguar”? Quem nasce no ES é capixaba e não potiguar. Acho que está confundindo ES com RN!!!

  8. Enquanto eles são unidos, praças e oficiais, nas forças armadas…todos contra todos! Vi gente rindo quando detonaram a carreira do QCO…gente falando que tinham que dificultar a promoção ao QAO…gente falando mal dos QE…e assim vai tocando a banda! Quanto mais desunidos…melhor para o sistema! Em algumas OMs que servi o ambiente era péssimo! Todos falavam mal de todos! Ninguém era bom para ninguém! Muito triste…desunião nos torna alvos fáceis para governos que queiram nos prejudicar.

  9. Quem falar que não temos mais a tão perseguida “representatividade” está faltando com a verdade!
    Veja o alto escalão e o congresso, nunca antes tivemos tantos representantes (ok, estou sendo sarcástico, visto que oficiais das forças armadas são uma irmandade Onde só existem eles mesmos, ou seja, nada vai mudar seus inocentes puxa saco)!

  10. Parabéns aos pms pela união e sabedoria.
    Quanto as forças armadas todo mundo sabe que o inimigo maior encontra-se no interior de seus quarteis, nas bases, nos navios, e ostentando a mesma farda, as vezes de posto ou graduação superior, mas,infelizmente, também do mesmo ciclo.
    Enquanto ficarem em clubes de sargentos ou de oficiais findo a toa, enquanto se preocuparem com o modismo reinante dos governos anteriores, enquanto estiverem preocupados com reuniões e formaturas inúteis, veremos mais do mesmo.
    Minha continência e solidariedade para com os irmãos de armas controladores de voo que até hoje foram esquecidos e humilhados.
    De certo que existem outros casos mas não é o caso lançar aqui agora.
    Espero que com o novo governo que inicia-se algo de melhor aconteça, pois mudanças foram sempre para o pior.

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