Foto: Marcos Corrêa/PR

Guilherme Mazieiro, Gustavo Maia, Hanrrikson

O general Eduardo Villas Bôas chorou e foi abraçado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a transmissão do
comando do Exército, nesta sexta-feira (11), em Brasília. O general fez um discurso em que disse que 2018 foi ano
“desafiador para as instituições e para a identidade nacional”. A cerimônia marca o início do comando do Exército sob o general Leal Pujol.
Ao deixar o cargo, Villas Bôas fez um forte discurso político no qual afirmou que Bolsonaro “tirou o país da amarra
ideológica que sequestrou o livre pensar”.
“O senhor traz a necessária renovação e a liberação das amarras ideológicas que sequestraram o livre pensar e
nublaram o discernimento e induziram a um pensamento único e nefasto como assinala o jornalista americano Walter
Lippmann: ‘Quando todos pensam da mesma maneira é porque ninguém está pensando'”, discursou o militar.
O pronunciamento do agora ex-comandante do Exército foi concluído com “Brasil acima de tudo”. O brado é um dos
símbolos de maior vibração e expressão entoado pelos integrantes da Brigada de Infantaria Paraquedista. O brado foi
criado pelo movimento que ficou conhecido como Centelha Nativista, que teve atuação política durante a ditadura
militar. Embora o movimento não exista mais, foi incorporado pelas organizações atuais e é associado à ideia de
patriotismo e lealdade. Além disso, a frase foi parte do slogan da campanha de Bolsonaro em 2018.8 foi ano rico
Com auxílio mecânico para respirar, Villas Bôas entrou no salão em uma cadeira de rodas, sendo deslocado por um
ajudante. Ele discursou com um microfone preso à cabeça. O general tem uma doença neuromotora degenerativa.
Em posição de destaque na primeira fila no palco, Bolsonaro e o vice-presidente, Hamilton Mourão, sentaram-se entre o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, além dos comandantes do Exército.
Atrás deles, ficaram outros militares e ministros do governo Bolsonaro como o ex-juiz federal Sergio Moro, da Justiça e da Segurança Pública, e o general Augusto Heleno, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).
O ex-comandante fez uma declaração via Twitter após a cerimônia, dizendo ter sido “uma honra comandar uma das
instituições em que o brasileiro mais confia e ter mantido elevada essa confiança”.

Antes da leitura da Ordem do Dia do general VIllas Bôas, o mestre-de-cerimônias anunciou que seriam prestadas
honras militares ao presidente, agraciado nesta sexta com Ordem do Mérito Militar, grau grão mestre. Esta é a mais alta medalha do Exército, recebida por generais do alto comando. Bolsonaro a recebeu porque, mesmo tendo chegado só até a patente de capitão, é agora o comandante-em-chefe das Forças Armadas.
A maioria das autoridades (inclusive civis) se virou para Bolsonaro em posição de continência. O presidente do STF,
Dias Toffoli, no entanto, permaneceu parado na posição que estava.
Das 3 cerimônias de transmissão de cargo das Forças Armadas, a única que não teve discurso do novo comandante foi
a do Exército. O general Edson Leal Pujou limitou-se a bradar “assumo o comando do Exército de Caxias”. A cerimônia marca a terceira e última troca no comando das Forças Armadas. Na última sexta-feira (4), o tenente brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermúdez tomou posse como comandante da Aeronáutica. Nesta quarta (9), foi a vez de o de almirante esquadra Ilques Barbosa Junior assumir a Marinha.
A formalidade da cerimônia não impediu que o público presente desse risadas no momento que o ministro da Defesa
se atrapalhou com o microfone e acabou derrubando-o. A cena ocorreu quando ele falava sobre “estabilidade”.
Na posse de Azevedo, no último dia 2, Bolsonaro abriu seu discurso dando um “muito obrigado” ao comandante Villas
Bôas e revelando a existência de uma conversa secreta entre eles. “O que nós já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por estar aqui. Muito obrigado, mais uma vez”, declarou o presidente.
Azevedo fez um breve discurso e também encerrou com o brado “Brasil acima de tudo”.
*Com colaboração de Luis Kawaguti, do UOL em Brasília, e com Estadão Conteúdo
UOL/montedo.com

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