Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Antonio Temóteo
Do UOL, em Brasília

O lobby explícito de integrantes das forças armadas para que os militares fiquem de fora da reforma da Previdência
tem causado desconforto entre técnicos da equipe econômica e em parte da ala política do governo. Num só dia, na
quarta-feira (9), três autoridades militares falaram publicamente contra mudanças.
Tamanha é a força dos militares na gestão de Jair Bolsonaro que alguns dos assessores dos ministros da Economia,
Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, admitem reservadamente a possibilidade de que os integrantes das
forças armadas ficarão de fora da reforma.
“Se a movimentação fosse apenas de bastidor, poderíamos tentar convencer o presidente da necessidade de mudar as
regras que levam os militares a reserva. Mas o lobby é explicito e o fato de o presidente não se manifestar é uma
preocupação maior”, disse um assessor de Guedes.

Silêncio de Bolsonaro causa desconforto entre técnicos
Um assessor de Lorenzoni afirmou que o silêncio do presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto traz ainda mais
desconforto entre os técnicos do governo.
“Bolsonaro deixou claro durante a campanha que não era favorável às mudanças nas normas para a passagem dos
militares para a reserva. Mas ainda não se manifestou depois que assumiu o cargo. Esse silêncio é o maior problema e indica que os militares podem ficar de fora da reforma”, declarou.
Parlamentares civis do PSL e integrantes da Secretaria de Governo também estão preocupados com os ruídos. Caso
os militares fiquem de fora da reforma, alguns deles avaliam que o governo pode perder parte do apoio popular que
elegeu Bolsonaro.
“Bolsonaro não foi eleito apenas por militares e seus familiares. O voto em Bolsonaro foi um recado para acabar com
privilégios e benefícios, inclusive de integrantes das Forças Armadas”, disse um parlamentar do PSL.

Categoria tem características específicas, dizem militares
Enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem alertado para a necessidade de que uma reforma seja feita para
reduzir as desigualdades, os ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e de Governo, general Carlos Alberto
Santos Cruz, são contra a inclusão dos militares no texto que será enviado ao Congresso.
Santos Cruz disse na quarta-feira haver outras categorias com peculiaridades que devem ser levadas em conta nessa
discussão. “Militar é uma categoria muito marcante, de farda. Militares, policiais, agentes penitenciários, Judiciário, Legislativo, Ministério Público possuem características especiais, que têm de ser consideradas e discutidas”, disse o ministro.
Azevedo e Silva voltou a defender também na quarta, que os militares fiquem fora da reforma da Previdência, durante
discurso na passagem do comando da Marinha, no Clube Naval, em Brasília.
UOL/montedo.com

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