Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino anunciou apoio irrestrito das Forças Armadas a Nicolás Maduro Foto: BORIS VERGARA / AFP

Documento foi elaborado por ONG local juntamente com Human Rights Watch; Forças Armadas juraram lealdade a Maduro

CARACAS — Às vésperas da posse do presidente Nicolás Maduro, cujo novo mandato tem a legitimidade questionada dentro e fora da Venezuela, o papel das Forças Armadas no regime chavista ganhou destaque nesta terça-feira com a publicação de um relatório elaborado pela ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW. O documento aponta abusos cometidos contra militares acusados de conspirar contra o governo. Paralelamente, em comunicado lido pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, o alto comando das Forças Armadas expressou “apoio irrestrito e lealdade absoluta a Nicolás Maduro como presidente constitucional e comandante em chefe para o período entre 2019 e 2025”.
O documento da HRW, elaborado juntamente com a ONG venezuelana Foro Penal, aponta 32 casos de maus-tratos e tortura contra militares. Entre as principais acusações utilizadas contra os militares estão “traição” e “instigação de rebelião”. Muitos dos acusados foram submetidos a espancamentos e choques elétricos, além de ameaças de morte. Na maioria dos casos, as detenções e torturas foram realizadas, segundo a denúncia, por membros da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) e do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).
— Os agentes de Inteligência não estão apenas detendo e torturando militares, mas em alguns casos também seus familiares e outros civis quando não encontram os supostos responsáveis que procuram — afirmou o diretor da HWR para as Américas, José Miguel Vivanco.
As vítimas incluem militares de diferentes patentes e civis acusados de colaborar com Oscar Pérez, um policial rebelde que teria sido executado extrajudicialmente após realizar ações contra o governo. Diversos advogados ouvidos indicaram que civis foram processados em tribunais militares com acusações fabricadas e sem qualquer prova que os incriminasse.

Recurso na OMC
No comunicado, Padrino manifestou “profunda indignação e categórico rechaço” a uma declaração no qual o Grupo de Lima, formado por 14 nações das Américas, pediu na última sexta-feira que o presidente abrisse mão de tomar posse e transferisse o poder à Assembleia Nacional, de maioria oposicionista. Ontem, a União Europeia pediu a convocação de novas eleições presidenciais na Venezuela por não reconhecer que as eleições de maio — boicotadas pela oposição e nas quais Maduro conquistou um novo mandato — não foram “livres ou justas”.
Na segunda-feira, os chamados “coletivos” — grupos organizados pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv), e classificados como gangues armadas pela HRW — realizaram uma manifestação em Caracas, prometendo defender o mandato de Maduro “de fuzil nas mãos”, e acusando a oposição de seguir diretrizes dos Estados Unidos para desestabilizar o país, derrubar Maduro e dar fim à revolução”, ecoando denúncias constantemente repetidas pelo governo nacional.
Por sua vez, o Departamento do Tesouro americano anunciou novas sanções contra a Venezuela que têm como alvo sete pessoas e cerca de 20 empresas acusadas de se beneficiarem de um esquema de intercâmbio de divisas derivadas do controle de câmbio. Entre os atingidos está Raúl Gorrín, dono do canal privado de TV Globovisión.
Já a Venezuela considerou as sanções ilegais e afirmou que “só quem pode impor sanções internacionais é o Conselho de Segurança (da ONU)”. O país ainda apresentou um recurso contra os EUA na Organização Mundial do Comércio para denunciar tais sanções e outras “medidas coercitivas de restrições comerciais contra si”, informou o organismo.
O Globo/montedo.com

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