Pedro Pedreira, personagem de Francisco Milani na Escolinha do Professor Raimundo

É bem conhecido o episódio que envolveu o marechal Castello Branco e seu irmão, funcionário da Receita Federal, após este receber um automóvel Aero-Willys de presente dos seus colegas, em agradecimento pela ajuda que dera na elaboração de uma lei que organizava a carreira. Castello não só fez o irmão devolver o carro, como o demitiu do serviço público.
De Castello até nossos dias, os parâmetros de moralidade no serviço público revestiram-se de uma elasticidade cada vez maior, que chegou ao auge na era PT.
Enumero alguns episódios pontuais para exemplificar como funcionou a máquina petista para o preenchimento de cargos na máquina pública:
No RS, o caso mais emblemático é o de Sérgio Roberto de Abreu. Oficial de carreira da Brigada Militar do estado, teve uma ascensão meteórica no governo de Tarso Genro: era major quando o `Peremptório` assumiu, em janeiro de 2011. Foi promovido a tenente-coronel no mesmo ano e a coronel no ano seguinte, quando assumiu o comando da corporação, `dando carona` em dezenas de oficiais mais antigos. Menos de dois anos depois, passou o cargo e foi agraciado com uma vaga de Juiz no Tribunal Militar do RS, que funciona aos moldes do STF. Seu maior mérito: ser militante petista de carteirinha.
Ricardo Levandowsky era um obscuro desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo até ser guindado ao Supremo pelas mãos de Lula. Seu maior mérito: a histórica ligação com o PT em São Bernardo do Campo e a amizade de sua esposa com Dona Marisa Letícia.
O subtenente músico Jeferson da Silva Figueiredo conseguiu ser designado para duas missões no exterior, o que é difícil na carreira de qualquer militar do Exército, raríssimo se ele for praça e realmente extraordinário tratando-se de um músico. Seu maior mérito: ser esposo da ex-senadora e ministra petista Ideli Salvatti.
O coronel Gonçalves Dias era apenas um oficial mediano quando foi designado para chefiar a segurança de Lula. Entrou como coronel e saiu como general de divisão – não sem antes carregar a bolsa de Dilma! – para envolver-se no famoso episódio do `bolo` durante a greve da PM baiana, que culminou com sua exoneração do comando da 6ª RM. Seu maior mérito: ser `amigão` de Lula, que empurrou sua promoção goela abaixo do Alto Comando do Exército.
E nem falo em Dias Toffolli e outros menos votados.
Para um governo que se elegeu prometendo acabar com os privilégios e primar pela meritocracia no serviço público, a promoção de Rossel Mourão manda às favas a coerência do discurso.
Não o estou comparando com estas figuras que citei acima. Assim como o irmão de Castello, o currículo do filho de Mourão é irrepreensível. Trata-se, pelo visto, de um servidor de carreira digno e capacitado, tanto quanto um punhado de colegas seus, que deveriam precedê-lo na escolha para o cargo. Então, mesmo que ele seja um “Ronaldinho”, tal qual o filho de Lula, o peso de seu sobrenome foi fundamental para sua ascensão meteórica.
Como diria o imortal Pedro Pedreira:
– E não me venham com chorumelas!

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