
Felipe Amorim
Do UOL, em Brasília
Em mensagem lida na cerimônia de comemoração do Dia do Soldado, nesta sexta-feira (24), o comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, homenageou os militares mortos em operações durante a intervenção federal no Rio de
Janeiro e afirmou que as autoridades do estado não se “empenharam” na missão.
“Passados seis meses, apesar do trabalho intenso de seus responsáveis, da provação do povo e de estatísticas que demonstram a diminuição dos níveis de criminalidade, o componente militar é, aparentemente, o único a engajar-se na missão”, afirma a mensagem do general.
“Exigem-se soluções de curto prazo, contudo, nenhum outro setor dos governos locais empenhou-se, com base em medidas socioeconômicas, para modificar os baixos índices de desenvolvimento humano, o que mantém o ambiente propício à
proliferação da violência”, conclui o texto.
A mensagem, assinada por Villas Bôas, foi lida por um oficial na cerimônia realizada no Quartel-General do Exército, em Brasília. O evento teve a participação do presidente Michel Temer (MDB).
Villas Bôas também homenageou os três militares mortos durante uma operação das forças de segurança nos complexos de favelas do Alemão, da Penha e da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro.
“Vivemos tempos atípicos. Valorizamos a perda das vidas de uns em detrimento das de outros”, diz o comandante do Exército.
“Suas mortes tiveram repercussão restrita, que nem de longe atingiram a indignação ou a consternação condizente com os heróis que honraram seus compromissos de defender a pátria e proteger a sociedade”, afirmou o general.
Na mensagem, Villas Bôas afirma que o Brasil vive uma era de “conflitos e incertezas” e critica o que ele chama de uma “sociedade ideologizada”.
“Vivemos uma era de conflitos e incertezas, na qual os individualismos se exacerbam e o bem comum foi relegado a segundo plano”, diz o general.
“Perdemos a disciplina social, a noção de autoridade e o respeito às tradições e aos valores, o que nos tornou uma sociedade ideologizada, intolerante e fragmentada.
Estamos nos infelicitando, diminuindo nossa autoestima e alterando nossa identidade”, afirma o comandante.
O cabo Fabiano de Oliveira Santos e os soldados Marcus Vinícius Viana Ribeiro e João Viktor da Silva morreram após serem baleados durante a operação.
UOL/montedo.com
Uma resposta
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