Número de candidaturas de militares dobra em 4 anos

Candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro (PSL), Hamilton Mourão (PRTB) é identificado apenas como General Mourão durante seu anúncio para participar da chapa (Guilherme Venaglia/VEJA.com)

Crise na segurança pública impulsiona candidaturas, que cresceram 92% desde 2014

Estadão Conteúdo

Incentivados pela reprovação a políticos de carreira, militares ampliaram a participação na disputa por cargos do Poder Executivo neste ano. O número de candidatos originários das Forças Armadas, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros quase dobrou em relação ao pleito de 2014.

Levantamento identificou pelo menos 25 militares, da ativa ou da reserva, que vão concorrer a presidente, vice-presidente, governador ou vice-governador. Ante os treze nomes da eleição passada, isso representa um aumento de 92%. Se comparado com 2010, quando sete militares disputaram esses cargos majoritários, a alta chega a 257%.

Quando considerado todo o universo de candidatos ao Executivo, os militares representam 7% dos nomes já anunciados pelos partidos. Na eleição passada, a proporção era de 3% do total de profissões registradas ao fim do pleito, conforme dados da Justiça Eleitoral. Os números podem sofrer variações porque o prazo para os candidatos requisitarem o registro vai até a próxima quinta, 16. O perfil dos candidatos vai de apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) até filiados a partidos de esquerda.

Com mais de 64.000 assassinatos registrados no ano passado e confrontos frequentes entre facções criminosas internacionalizadas, a violência tornou-se uma das pautas mais sensíveis do debate eleitoral.

“Os militares estão sendo alçados a se candidatar como consequência do momento nacional, um país que enfrenta tantas mazelas e dificuldades. Pesquisas de opinião junto à sociedade brasileira mostram que, entre as demais instituições, as Forças Armadas têm maior índice de confiabilidade. E a sociedade está em busca disso”, afirma o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que promoveu rodadas de conversas com os principais concorrentes à Presidência da República. Essa visão é endossada pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Sérgio Etchegoyen.

Para o cientista político Hilton Cesario Fernandes, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, com a crise na área da segurança pública, os casos de corrupção e o descrédito nos nomes tradicionais da política “era de se esperar que militares fossem o ‘perfil da vez’ para muitos eleitores”. “E esta é uma tendência que não tem dado sinais de mudança para os próximos anos”, afirmou ele.

Divisão
Dos 25 nomes, seis são do Exército, a maior das três Forças e a mais influente politicamente. Não há candidatos da Marinha ou da Aeronáutica. Os demais são policiais (17) e bombeiros militares (2). A reportagem não incluiu na contagem candidatos a cargos no Legislativo nem carreiras vinculadas à segurança pública, mas de caráter civil, como guardas municipais, delegados e policiais civis ou federais que também vão disputar cargos majoritários

Três militares concorrem ao Palácio do Planalto, como candidato a presidente ou vice: Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, e seu candidato a vice, o general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB), além do deputado Cabo Daciolo (Patriota), ex-bombeiro.

Os outros 22 nomes disputam cargos de governador ou vice. No Rio por exemplo, o PRTB lançou uma chapa pura formada por dois policiais militares. Em São Paulo, três mulheres da Polícia Militar foram convidadas para compor chapas como candidatas a vice-governadora do estado.

Propostas
Apesar da resistência na cúpula das Forças Armadas, o emprego dos militares em ações de segurança pública aproximou a tropa dos policiais militares, subordinados aos governadores. Hoje, não só os policiais candidatos, mas também os oficiais e praças do Exército assumiram como bandeira de campanha a defesa de aumentos no soldo, benefícios para famílias de PMs vitimados e mudanças na lei para atuar em confrontos armados, sem que homicídios praticados por policiais gerem processos judiciais.

Militares reassumiram protagonismo no primeiro escalão do governo Temer e passaram a ser mais empregados em ações de segurança pública. O ápice foi a decretação da intervenção federal na segurança do Rio — a cargo de outro militar, o general Walter Souza Braga Netto, comandante militar do Leste. Temer recriou o GSI e, pela primeira vez desde a redemocratização, nomeou um militar para o Ministério da Defesa, o general da reserva Joaquim Silva e Luna.

Após a redemocratização, dois militares que haviam sido governadores biônicos durante a ditadura chegaram ao poder pelo voto direto: o vice-almirante da Marinha Annibal Barcellos, pelo PFL (atual DEM), em 1990, no Amapá, e o brigadeiro da Aeronáutica Ottomar Pinto, do PTB, em Roraima, que ainda governou o estado a partir de 2004 e foi reeleito em 2006, pelo PSDB, antes de morrer no ano seguinte.

VEJA/montedo.com

Respostas de 3

  1. ATENÇÃO CANDIDATOS MILITARES

    Sugestões de proposta para a família militar:
    – revogação da MP do mal, até porque MP tem prazo de validade, falta chefe para determinar isso,
    – pagamento dos 28,86%,
    – construção de pnrs;
    – nomeação de Praça ou QAO para ministro do STM, equiparando ao Nr de oficiais;
    – nomeação de Praça como presidente do FHE Poupex, somos a maioria de associados;
    – isonomia na tabela de diárias, indz de transporte e bagagem, aux fardamento, aux de natalidade, pois segundo a CF o que nos diferencia é somente o soldo;
    – lei de promoção de praças até Subntente, pois o planejamento será na confecção dos editais;
    – equiparação de cursos, tempo de guarnição para movimentação e demais benesses aos oficiais ;
    – autonomia aos adjuntos de comando, inclusive na aplicação de recursos públicos;
    – corregedoria Militar Federal, para acabar com os desmandos na força, pois o período colonial já se foi há tempos;
    – aumento de vagas de hotéis de trânsito para ST e Sgt;
    – rancho comum a todos, pois é mantido pelo recursos público;
    – diminuição do número de generais, condizente com o pib do país;
    – profissionalização do efetivo, para diminuir a força, pois hoje é impraticável um aumento de salário em razão da extensão da força;
    – melhor gestão na aplicação dos recursos públicos, evitar elefantes brancos;
    – ativar linha para denúncia no (MPF) tais como o emprego da força para angariar boquinhas para os chefes e apaniguados, ainda, denúncias de interferências de esposas de militares na administração pública federal e em assédio moral;
    – isonomia de aumento salarial com todas as carreiras do estado;
    – porte de arma para todos militares, exceto soldado EV, pois é vergonhoso é motivo de piada o militar não poder portar uma arma;
    – utilização realmente social do FHE Poupex para aumentar o patrimônio de todos militares, na construção de casas para todos militares com parcelas melhores que os bancos públicos;
    – emprego correto da atividade de inteligência, criminalizando e responsabilizando o uso da inteligência para perseguições pessoais;
    – escala de serviço para todos, do general até o soldado EV, sem distinção;
    – proibir o lobby em todas as instituições e criminalizar o lobby na justiça;
    – RACE com a participação de Praças;
    – valorizar estudo superior e pós graduação, bem como, os militares que estão na tropa;
    – tempo de guarnição limite de Brasília DF de três anos, sendo inflexível à qualquer desculpa de não cumprimento desta determinação;
    – ressarcimento ao erário dos prejuízos causados pela compra de Pasadena,
    – abolição do pttc; e
    – demais sugestões dos praças aos candidatos militares.

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