História: A resistência de São Borja

Monumento à Resistência de São Borja (Imagem: Portal das Missões)

Quando em 10 de junho de 1865 a Vila de São Borja foi invadida pelo Exército de Solano Lopes que pretendia alcançar o Uruguai através do Rio Grande do Sul, para isso, seguir até Uruguaiana com a metade de suas tropas pela margem esquerda do Rio Uruguai levando reforços aos seus aliados que estavam sofrendo ataques no território Uruguaio e assim ter acesso à costa marítima, visto que o Paraguai dispunha apenas do porto de Buenos Aires para seu comércio exterior e buscava uma nova rota para seu intercâmbio com os países Europeus.

O rio estava com uma enchente muito grande, a conhecida Enchente de Santa Rosa e suas águas invadiam as várzeas do Arroio do Padre, do Itacherê e do Bairro do passo, essa enchente dificultou a travessia dos paraguaios, mas após várias tentativas eles conseguiram atravessar o rio em chalanas, o que já era anunciado, visto que o Padre João Pedro Gay, pároco da Vila de São Borja por 24 anos, vinha alertando através dos seus artigos publicados nos jornais de Buenos Aires e Rio de Janeiro, que a invasão era eminente. Por volta das 10 horas os paraguaios atravessaram o rio e receberam a primeira resistência da Guarda Nacional na Barranca Pelada e do Corpo de Cavalaria Provisório 22 próximo ao Arroio do Padre, mas as forças brasileiras tiveram que recuar, pois o número de invasores era infinitamente superior e os paraguaios seguiam em direção à Vila, que era formada por poucas casas ao redor da Igreja, não mais do que uma dúzia de pequenas ruas, após ás 13 horas, no campo do Peribebuí, onde hoje é o Quartel do 2º RC Mec, tiveram uma surpresa, encontraram o 1º Grupo de Voluntários da Pátria sob o comando do Ten Cel João Manoel Menna Barreto, que acabava de chegar com sua tropa vindos do Rio de Janeiro e estavam acampados á duas léguas do povoado, no Lajeadinho, hoje Capão dos Voluntários.

Esse enfrentamento inesperado recuou os invasores que aguardaram a chegada de reforços vindos do outro lado do rio e isso deu tempo para as famílias saírem da Vila, em carretas, carroças, a cavalo e até mesmo a pé, levaram alguns pertences, os idosos e as crianças e seguiram em direção à Santiago, somente dois dias após, já com a vila deserta os paraguaios invadiram as casas, as repartições públicas e a igreja para saquearem e carregaram em carretas os pertences de valores que encontraram, a relíquia mais emblemática foi a imagem do santo padroeiro São Francisco de Borja que foi levado à Igreja de Nossa Senhora de Assunção, na capital paraguaia, esta imagem foi restituída à São Borja 145 anos após, no dia 01 de maio de 2010, hoje encontra-se na Igreja Matriz da cidade.

Texto original: FlashSB (editado)

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