Exército planeja chamar presidenciáveis para discutir segurança

Encontro com Bolsonaro não constava da agenda oficial do comandante

BRASÍLIA
Gustavo Maia
O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, pretende convidar os candidatos à Presidência da
República para discutir assuntos relacionados à defesa e à segurança do país, em particular os referentes aos interesses da
Força Armada.
As propostas vão constar de um documento que está sendo elaborado pelo comando do Exército para ser apresentado aos
presidenciáveis das eleições deste ano.
A iniciativa foi revelada pelo Centro de Comunicação Social do Exército após questionamento da reportagem do UOL sobre a
visita do deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSLRJ) a Villas Bôas.

O encontro ocorreu na terça-feira (5), mas não constava da agenda oficial do comandante até a noite desta quarta (6).
Capitão reformado do Exército, Bolsonaro aparece ao lado do general em uma foto publicada no Twitter do seu aliado e
coordenador de seu plano de governo, o deputado (DEM-RS). Não fosse o tuíte de Lorenzoni, portanto, a visita poderia se manter apenas entre os três. “Ótima conversa sobre o presente e o futuro do Brasil com o General Villas Bôas”, relatou o escudeiro de Bolsonaro.
Questionada sobre o motivo de o encontro não estar na agenda, a assessoria do Exército informou que visualizou a visita de
Lorenzoni no sistema interno, mas que verificaria por que ela não estava disponível na versão pública nesta quinta (7).
O Exército informou que o comandante “recebeu o deputado federal nas instalações do Quartel General do
Exército para uma visita de cortesia”. “O mesmo estava acompanhado do deputado federal Jair Bolsonaro”, completou.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com os parlamentares nesta quarta, enviou questionamentos aos dois,
mas não obteve respostas até a publicação deste conteúdo.

Ainda de acordo com o Centro de Comunicação Social do Exército, Villas Bôas tem recebido diversas autoridades dos
poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, “para tratar de assuntos de interesse da Força Terrestre”.
A assessoria citou dentre as personalidades que visitaram o comandante outros dois pré-candidatos à Presidência da
República: o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), no dia 23 de maio, e o presidente da Câmara, (DEM-RJ), seis
dias depois. Ambos constam da agenda oficial de Villas Bôas.
Segundo o Exército, as futuras reuniões com os presidenciáveis vão depender da definição dos candidatos e das respectivas
agendas. “É importante que a sociedade discuta os temas defesa e segurança para que, no futuro, sejam tomadas as melhores
decisões”, diz a nota enviada ao UOL.
Em outra frente, o também pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou um general para sua equipe de campanha.

Declarações polêmicas 

Há pouco mais de dois meses, Villas Bôas se envolveu em uma polêmica ao declarar em sua conta no Twitter que o Exército
estava “atento às suas missões institucionais” e que repudia “a impunidade”. Era a véspera do julgamento do julgamento de
um habeas corpus do ex-presidente  (PT) no STF (Supremo Tribunal Federal), que seria preso dias
depois.
“Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das
gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”, escreveu o general, na primeira das duas postagens.
Villas Bôas complementou dizendo assegurar à nação “que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os
cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém
atento às suas missões institucionais”.

As declarações foram repudiadas por entidades da sociedade civil. A ONG Anistia Internacional, por exemplo, emitiu nota
classificando a manifestação do general como “grave afronta à independência dos Poderes, ao devido processo legal e uma
ameaça ao estado democrático de direito”, que “sinaliza um desvio do papel das Forças Armadas”.
A ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) também criticou a fala do comandante do Exército. “Em uma
democracia e em um estado de direito não cabe às organizações militares ou a seus integrantes – salvo como cidadãos na sua
liberdade de expressão – tentar interferir na agenda política do país ou nas pautas do Poder Judiciário. Ou mesmo parecer que
buscam interferir”, apontou a entidade.
No meio militar, a manifestação foi recebida com entusiasmo até mesmo por generais da ativa do Exército. Na ocasião,
Bolsonaro demonstrou apoio a Villas Bôas no Twitter. “O partido do Exército é o Brasil. Homens e mulheres, de verde,
servem à pátria. Seu comandante é um soldado a serviço da democracia e da liberdade. Assim foi no passado e sempre será.
Com orgulho: ‘Estamos juntos General Villas Bôas'”, escreveu o presidenciável.
General desde 2011, Villas Bôas tem 66 anos e assumiu o comando do Exército em 2015. Ele enfrenta uma doença
degenerativa grave, com perda de mobilidade, e se locomove em cadeira de rodas, além de enfrentar problemas respiratórios.

FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

Respostas de 16

  1. Até o “jararaca” enjaulado? Ele já ouviu muito dos militares em anos anteriores e já sabemos o que fez. Será que os candidatos da esquerda doentia vão querer ouvir dos militares? Acho que não. E os militares vão acreditar em promessa de candidato? Fico só com o Jair Bolsonaro que já sabe do que é necessário. Com exceção de uns dois a mais, o resto é só opção podre.

    1. Jair Bolsonaro já sabe do que é necessário. Concordo com você.
      Aliás, ele sabe disso a mais de vinte anos de política.
      Ele sabe que é necessário que as forças armadas tenham soldos dignos, armamento atualizado e investimento em tecnologia.

      Porém se Bolsonaro fez alguma coisa, isso te garanto, pelos meus 30 e poucos anos de serviço (33 anos e 8 meses), que Jair Bolsonaro só participou de formaturas no Rio, fora se envolver em discurssões midiáticas.

      Foram muitas formaturas às quais eu estava também, do outro lado do pavilhão, em forma, fazendo minha parte.

      Esperava mais da parte dele como deputado, como fez a bancada dos QEs na luta por seus interesses.

      Não se iludam senhores. o soldo não vai aumentar…
      Apenas a Missão e a punição.

      1. Me dê uma opção melhor e troco de voto. Dos tantos candidatos que vão concorrer, os podres de sempre e os que ficaram calados, quem entende mais dos assuntos militares? Outra coisa, os militares em situação ruim por causa dos comandantes. Quando tiver um tempinho, veja a entrevista do Sr. Paulo Guedes, PHD em economia, que será o provável ministro da Fazenda de Bolsonaro, se ganhar, obviamente.Está no Youtube. Ele explica de maneira clara a nossa história econômica desastrosa e os pontos bons.Nenhum candidato vem com garantia de cumprimento de todas as promessas, pois depende do apoio de um Congresso contaminado e de quem ele coloca para auxiliá-lo na administração do país.A situação em que se encontra o Brasil, pende favorável ao Bolsonaro, só isso, sem ranços.Uma coisa é certa, não quero esquerdistas e aliados no comando de novo.Um abraço.

        1. Infelizmente, não tenho opção melhor para você votar.

          Agora, reitero o que digo: não ter uma melhor opção, não faz de Bolsonaro ser uma boa opção.
          Apenas concluir que o navio está à deriva.

          Outro problema é esse: Bolsonaro entende dos assuntos militares. Entende que pode botar a carga que for nos militares, e os militares vão aceitar passivamente.
          Em períodos de graves crises, alguém deverá ser usado para “controlar coercitivamente” pois novas greves virão, arrocho salarial…quem viveu sabe.
          Seremos nós, militares, que teremos as mãos sujas por bater em nossa própria população.
          Vi já a entrevista do PHD citado, discursos são muitos bonitos devido a teoria. Mas a prática é bem diferente.
          FHC era sociólogo, e diziam que mudaria o mundo…
          Esse ministro não vai aceitar o “modo autoritário de ser” de tocar os negócios.
          E com o país do jeito que está, uma mão de ferro no poder só pode piorar as coisas. Fogo não se apaga com fogo, nem com gasolina.

  2. Alguns militares estão, erroneamente, achando que se o Bolsonaro ganhar, no outro dia os soldos sobem. O país está tão, ou mais, endividado do que os militares. Dinheiro não brota no quintal e a situação dos preços dos combustíveis será mais um “abacaxi” para o próximo descascar. Vão surgir as famosas desculpas econômicas, os demorados estudos, muitas missões extras mas, pelo menos, uma luz no fim desse túnel interminável. Conhecedor da situação, algo tem que ser feito. As outras categorias de funcionários e Força, vão à luta, podem ter a certeza. Se um outro ganhar, fica para daqui ha quatro ou oito anos. Aí, é gostar de ser masoquista.

      1. Aqui está melhor, ainda tem a opção de responder diretamente a pessoa. E o fundo preto melhorou a visualização.
        Parabéns Montedo.

  3. Cadê o financiamento para construção da casa própria? Já que não acertam a defasagem salarial, pelo menos abram uma linha de crédito diferenciada pela CEF para a construção da casa própria! Vamos trabalhar pela classe, Generais! Adjuntos de Comando: incluam a sugestão em seus relatórios!

  4. Tentei enviar pelo Fale Conosco e não consegui:
    Caro Montedo, o site está um tanto confuso.
    Pelo menos no navegador do meu Android as notícias não aparecem de forma organizada.
    Ora o título fica bem escondido, ora só tem um título seguido do texto na página incial, ficando a próxima notícia muito pra baixo.
    Não tá legal.
    Tenho certeza que vcs já estão fazendo os devidos reparos.
    Boa sorte e obrigado!

  5. Ficou pior o site, time que está ganhando não se mexe. Tela preta, menos visualização em celular. F. O. Negativo, montedo. Abraço

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *