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Exército guarda tesouro ambiental em Aldeia
Cimnc
Recife (PE) – Muita gente não tem conhecimento, mas no final da Estrada de Aldeia (entre o km 20 e o km 30 da PE-27) está nada menos que a maior faixa contínua de Mata Atlântica acima do rio São Francisco, dentro do Centro de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC).
Isso não é pouco! Significa que há sete décadas, desde que o Exército começou a construir o centro para treinar as tropas nordestinas que seriam mandadas para a Segunda Guerra Mundial, aquelas terras deixaram de ser plantações de cana e se transformaram em mais de 7 mil hectares de mata fechada.
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Vista do alto, a mancha verde do CIMNC se destaca na paisagem da Região Metropolitana
CIMNC
“Isso aqui é um tesouro ambiental”, alegra-se o coronel Mário Vidal, diretor do CIMNC desde janeiro de 2016. “Há uma enorme variedade de fauna e de flora guardada aqui. E o mais incrível é que muitos pernambucanos desconhecem isso. Se olharmos a imagem aérea da Região Metropolitana do Recife, veremos claramente uma mancha verde se destacando. É justamente a área do CIMNC com suas florestas preservadas. Uma coisa linda!”.
Coronel VidalO diretor, coronel Vidal, diz que as pessoas precisam connhecer este patrimônio da União
Segundo o coronel, além de manter intacta a mata nativa em quase toda a extensão do CIMNC, o Exército tem cedido alguns hectares degradados para serem reflorestados como compensação ambiental por empresas que causam impacto no Estado, entre elas o Camará Shopping (que está sendo construído em Camaragibe) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Visitas
Para conhecer melhor toda a riqueza natural do local, o CIMNC tem convênios com as universidades Federal e Federal Rural de Pernambuco, assim como com a Fiocruz, que realizam estudos da fauna, da flora e das condições ambientais da mata, que faz parte da Área de Proteção Ambiental (Apa) Aldeia-Beberibe e passa por sete municípios: Araçoiaba, Abreu e Lima, Camaragibe, Igarassu, Paulista, Paudalho e Tracunhaém.
Visitantes também são bem-vindos, desde que agendem previamente e obedeçam as condições impostas pelo Exército. De acordo com o diretor, o Centro tem recebido grupos de desbravadores, escoteiros, esportistas e igrejas (retiros).
“Já houve corridas aqui que chegaram a ter 650 corredores”, cita. “Além disso, há cavalgadas e atividades outdoors promovidas por organizações e universidades. Gostaria de receber mais escolas, poder mostrar tudo o que temos para os estudantes”, diz.
Origens
Originalmente chamado de Centro de Instrução Militar Engenho Aldeia, o CIMNC foi construído durante a Segunda Guerra Mundial para treinar as tropas brasileiras a partir da desapropriação de onze engenhos.
Com o fim da guerra, os investimentos previstos não chegaram a ser concluídos – apenas 2% das construções projetadas foram executadas (para sorte da Mata Atlântica) –, e o quartel passou a ser utilizado apenas para as atividades militares de rotina do Exército e Aeronáutica.
Sete décadas depois, as matas do CIMNC continuam guardando pelo menos oito nascentes de rios, seis das quais fazem parte do abastecimento d’água do Recife, além de açudes, cachoeiras e córregos. Para lá são levados muitos animais silvestres resgatados pela CPRH, como preguiças, jacarés, cobras e capivaras.
Um paraíso ecológico que precisa ser mais conhecido e valorizado por todos.
poraqui/montedo.com
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