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Militares que integram unidades especializadas em distúrbios mantém celulares ligados e não viajam para o caso de terem de intervir em tumultos
Humberto Trezzi
As Forças Armadas acompanham de lupa a escalada da tensão política no país, tanto que existem planos de contingência caso aconteçam tumultos durante as manifestações previstas para os dias 13 e 18.
— Cada unidade importante tem um grupo de militares de sobreaviso. Eles estão com celulares permanentemente ligados e também não devem viajar. Precisam estar à disposição, caso tenham de manter a ordem nas ruas. Faz parte da nossa missão constitucional — explica a Zero Hora um oficial do Estado-Maior do Comando Militar do Sul (CMS, que coordena todas unidades do Exército nos três Estados do Sul).
Não se trata de um estado de prontidão – quando os militares são convocados para ficar aquartelados (dormir dentro dos quartéis) – mas apenas a subida de um degrau a mais no padrão de alerta que o Exército costuma manter no seu cotidiano. O normal é que os soldados e suboficiais vão para casa após o expediente, sem compromisso de deixar de viajar ou sequer de manter contato com o quartel. No caso das manifestações do dia 13 (anti-Dilma) e dia 18 (convocadas por simpatizantes do governo e partidos de esquerda), determinados contingentes das principais unidades do Exército ficarão de sobreaviso.
As unidades mais propícias ao sobreaviso são as da Polícia do Exército (PE), que possui um batalhão em Porto Alegre (o 3º), especializado em lidar com tumultos. Ela deve destacar uma companhia para permanecer de sobreaviso. O mesmo está previsto para acontecer no 3º Regimento de Cavalaria de Guarda, também na Capital, conhecido como Regimento Osório. Ele possui um esquadrão especializado em agir contra distúrbios de rua, com uso de cavalos.
Deve ficar em sobreaviso também parte do 8º Batalhão Logístico (em Porto Alegre), destinado a armazenar suprimentos e munições. E pode ocorrer o mesmo no 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, de São Leopoldo, especializado em pronto-emprego.
— Não ficam todos de sobreaviso, mas apenas uma parte do quartel. Esperemos que nada ocorra e seja apenas uma precaução saudável — pondera outro oficial ouvido por ZH.
O maior temor é que grupos políticos antagônicos se enfrentem. Essa possibilidade é maior em São Paulo, onde defensores da presidente Dilma e do ex-presidente Lula cogitam antecipar manifestações para dia 13, no mesmo dia e no mesmo local (Avenida Paulista) onde está previsto ato contra o governo. Em Porto Alegre também há grupos anti e a favor do governo marcando atos para dia 13, embora a convocação inicial dos petistas fosse para ações pró-Lula no dia 18.
O próprio comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, abordou os temores de confronto em mensagem interna a seus colegas da reserva e também a alguns da ativa, na última sexta-feira, quando o ex-presidente Lula foi conduzido pela Polícia Federal para depor. O militar reiterou que as Forças Armadas acompanham “com muita atenção a evolução da crise política judicial” e que elas vão agir como pacificadoras “em busca da conservação da ordem pública”.
A presença de militares federais nas ruas só ocorrerá se autorizada ou ordenada pela Presidência da República. Caso prédios estratégicos federais estiverem sob ameaça, eles também podem agir.
Confira o que é Garantia da Lei e da Ordem (GLO):
– A GLO é uma operação militar determinada pelo Presidente da República e conduzida pelas Forças Armadas de forma episódica, em área previamente estabelecida e por tempo limitado. Foi prevista no Decreto Nº 3.897, de 24 de agosto de 2001, e tem por objetivo a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio em situações de esgotamento dos instrumentos para isso previstos no art. 144 da Constituição Federal ou em outras em que se presuma ser possível a perturbação da ordem.
– Agentes de Perturbação da Ordem Pública (APOP) são pessoas ou grupos de pessoas cuja atuação momentaneamente comprometa a preservação da ordem pública ou ameace a incolumidade das pessoas e do patrimônio.
– Ameaças são atos ou tentativas potencialmente capazes de comprometer a preservação da ordem pública ou ameaçar a incolumidade das pessoas e do patrimônio.
Glossário da caserna
Batalhão – unidade do Exército que congrega de 500 a mil militares. Faz segurança de parte de uma cidade.
Companhia – Cada batalhão tem três companhias, cada uma delas com mais de 100 militares.
Pelotão – Cada companhia tem cerca de três pelotões (que comportam até 30 militares).
ZERO HORA/montedo.com
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