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Morre ex-paraquedista que construiu túmulo e estátua em cemitério no RS
Casemiro Scepaniuk morreu aos 94 anos na terça-feira (2) em Porto Alegre.
Idoso era considerado uma lenda do paraquedismo entre militares.
Do G1 RS
O ex-paraquedista Casemiro Scepaniuk morreu na terça-feira (2) em Porto Alegre. Aos 94 anos de idade, ele era considerado uma lenda do paraquedismo entre os militares. A morte foi confirmada pelo Exército. O sepultamento ocorreu nesta quarta-feira (3).
Além da carreira militar, Scepaniuk, que é natural de Erechim, Região Norte do Rio Grande do Sul, ficou conhecido pela construção de um túmulo majestoso no cemitério da Santa Casa, onde será enterrado. A causa da morte não foi informada.
O mausoléu é ornado com uma estátua de bronze acompanhada de uma águia e um cachorro, e custou o mesmo valor de um apartamento de três quartos no bairro Partenon, onde vivia na capital gaúcha.
“Essa aqui é minha morada eterna, não pretendo dar serviço para minha esposa Ruth porque vou primeiro que ela, então já vou deixando a casa pronta para a nova moradia”, disse em entrevista concedida à RBS TV em 2009.
No mesmo cemitério está o túmulo do músico Teixeirinha, motivo de comemoração para Casemiro. “Tenho certeza que até o Teixeirinha vai tocar, é meu vizinho”, brincava.
Na entrevista, ele afirmou que não tinha medo da morte: “É uma coisa natural”. A preocupação dele parecia ser deixar sua marca pela terra. “Aqui eles vão custar a me esquecer”.
Nas redes sociais, o paraquedista Ricardo Freire prestou uma homenagem a Scepaniuk, ainda na terça, dia da morte. “Temos a triste missão de nos preparar para amanhã [quarta], inaugurar o Mausoléu do Pioneiro Pqdt 44 Casemiro Scepaniuk”, escreveu. “Mais um bravo paraquedista militar que vai Cumprir Missão Eterna na Brigada Celestial Aeroterrestre”, completou.
G1/montedo.com



Chipanique

Nilo da Silva Moraes

Casemiro Scepaniuk é um dos pioneiros, 44, formados nos EUA, cuja contribuição para o engrandecimento e destaque do paraquedismo, foi deveras notável. Além de ter sido instrutor da 1a turma de paraquedistas formada no Brasil, foi também instrutor dos cursos de Cabos e Sargentos realizados no Núcleo de Formação e Treinamento de Paraquedistas.

Em 1954, quando nem se pensava no modismo da ecologia, Scepaniuk já havia plantado muitas árvores em nossos quartéis. Destaque para as mangueiras, hoje frondosas, no Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil.
Um militar excepcional, sob todos os aspectos. Sempre atento a tudo, não se descuidando da segurança no salto de paraquedas.
Em 31 de junho de 1955, um soldado, aluno do Curso de Paraquedismo, tendo seu paraquedas desenganchado no meio de sua equipe de salto, foi levado a saltar sem saber o que ocorria. Não acionando o reserva, veio a falecer tragicamente. Essa tragédia consternou a todos nós paraquedistas.
Scepaniuk muito habilidoso e preocupado com a segurança dos paraquedistas, como já falamos antes, analisou detidamente o gancho da fita de abertura de um paraquedas T-10, após o que, sugeriu a colocação de um freno, que impediria a abertura fortuita do gancho.
Foi uma sugestão simples; difícil foi o Scepaniuk provar que o gancho de abertura do T-10 poderia abrir-se, acidentalmente, quando lançado no fundo do avião, pois ao chocar-se com o batente do cabo de ancoragem, o olhal do gancho poderia retrair-se, ocorrendo, assim a abertura não esperada do gancho. Isso ele provou na Área de Estágio lançando dentro do falso avião várias fitas de abertura centenas de vezes, até que, finalmente, aos olhos da comissão, um gancho abrira-se, soltando do cabo de ancoragem.
A sugestão simples, sugerida pelo Sargento Scepaniuk, era a colocação de um pequeno pedaço de arame, que assim foi feita. Fechado o gancho, fez-se um furo no seu corpo central, e introduzindo-se, nesse furo, um pino de arame que, em seguida, era dobrado para evitar sua saída do olhal. O pino, preso por um pequeno cadarço de nylon, seria cosido na fita de abertura do paraquedas.
Simples dispositivo, o grampo de segurança! Como as coisas simples, objetivas, práticas, eficientes e funcionais. Sugerido em 1955, perdura até hoje nos saltos de paraquedas, dando-lhes segurança máxima.
Chipanique (no detalhe): quantas vidas esse pedaço de arame já salvou?
(Imagem: Sargento Fernanda – FAB/Edição: Montedo.com)
Paraquedistas, quando na hora do salto você receber os comandos: Prepara! Levantar!! Enganchar! À porta!, não esqueça de introduzir no gancho da fita de abertura de seu paraquedas, o pino de segurança, há muito, com todo mérito, chamado de “Chipanique”, ou melhor, “Scepaniuk”, hoje de uso por todas as tropas de todo o mundo.

ALMANAQUE CULTURAL BRASILEIRO/montedo.com
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