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Carlos I. S. Azambuja*
Um pouco de História: No dia 4 de dezembro de 2006 foi realizado o Seminário “Sociedade: Diálogo com as Forças Armadas”, no auditório da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro/RJ.
A coluna do jornalista Ancelmo Gois, no Globo do dia seguinte, 5 de dezembro, noticiou que a palestra do Aldo Rebelo, na ECEME, “foi um sucesso. Ele contou que Renato Archer, militar de esquerda preso em 64, teve que responder a um Inquérito Policial Militar sobre atividades anti-americanas”.
Não é verdade! A oficialidade da ECEME foi desinformada.
O Inquérito Policial Militar em que Renato Archer, oficial inativo da Marinha do Brasil foi indiciado, nada teve a ver com supostas “atividades anti-americanas”. Obviamente, Aldo Rebelo contou essa historinha por ouvir dizer, pois na época do fato tinha a idade de 12 anos.
Renato Archer foi preso, sim. Não em 1964, mas em 29 de janeiro de 1969. Após a assinatura do Ato Institucional nº 5 de 13 de dezembro de 1968, quando teve o seu mandato de deputado federal pelo MDB cassado por 10 anos, sendo recolhido à Base de Submarinos, no Mocanguê, Rio de Janeiro, onde respondeu a um Inquérito Policial Militar não por “atividades anti-americanas” e sim por sua participação na Frente Ampla, movimento político lançado em 28 de outubro de 1966 com o objetivo de lutar pela “restauração do regime democrático” no Brasil (isso é fácil de comprovar, pois o IPM está arquivado no STM).
A Frente Ampla teve como principal articulador o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, e contou com a participação dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek eJoão Goulart e de seus correligionários. Em agosto de 1967, Renato Archer foi designado secretário-geral daFrente Ampla, ficando responsável pelos contatos entre Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda, então exilado em Portugal. Os contatos entre Lacerda e Jango eram feitos pelo ex-deputado, também cassado, Doutel de Andrade.
Além disso, Renato Archer devia explicações, também, a respeito de suas atividades na difusão de boatos sobre o chamado Caso Parasar.
Na época de sua prisão, um jovem Oficial do Centro de Inteligência da Aeronáutica foi escalado para ouvir o depoimento de Archer sobre o Caso Parasar. Já na Base do Mocanguê, esse oficial foi informado pelo então comandante – Almirante Paraguassú, salvo engano – que isso não poderia ser realizado, por ser esse oficial – um Tenente – mais moderno que Renato Archer, cassado, mas não demitido das FF AA que, todavia, concordava em conversar com o oficial, o que foi feito.​
Essa é a verdade e não o chute do deputado do Partido Comunista do Brasil, hoje ministro de Estado de um governo comprovadamente incompetente e corrupto.
Como é que um cara desses (militante do PC do B) pode ser nomeado Ministro da Defesa?
*Historiador
Alerta Total/montedo.com
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