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Método é o mesmo usado por ex-diretor da Petrobras, indica investigação.
Othon Silva está preso. G1 tentou falar com advogado, mas não conseguiu.
Trecho de documento do Ministério Público Federal que fundamentou o pedido de prisão preventiva de Othon Luiz Pinheiro da Silva (Foto: Reprodução)
Trecho de documento do Ministério Público Federal que fundamentou o pedido de prisão
preventiva de Othon Luiz Pinheiro da Silva (Foto: Reprodução)
Camila Bomfim
Da TV Globo, em Brasília
O ex-diretor-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva é suspeito de manter contas no exterior não informadas às autoridades brasileiras para esconder propina. Procuradores da Operação Lava Jato encontraram novas provas da atuação de Silva que embasam o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público Federal.
O ex-diretor estava em prisão temporária, convertida nesta quinta-feira (6) em preventiva (sem prazo) por decisão do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância da Justiça.
A TV Globo teve acesso aos documentos que mostram que as contas foram abertas em nome de parentes, seguindo o mesmo método usado por ex-diretores da Petrobras investigados na Lava Jato.
O G1 fez contato por telefone com o escritório no Rio de Janeiro do advogado Helton Marcio Pinto, que representa Othon Pinheiro da Silva, mas não havia conseguido falar com ele até a última atualização desta reportagem.
Segundo o Ministério Público, “o real titular (das contas) era Othon que, como Paulo Roberto, Renato Souza Duque, Jorge Luiz Zelada e Nestor Cerveró, abriram contas escondidas no exterior, em nome de pessoas interpostas (offshores) para receber propinas”.
Othon Luiz Pinheiro foi afastado do cargo em abril deste ano, quando surgiram denúncias de pagamento de propina a dirigentes da Eletronuclear, uma subsidiária da Eletrobras. Ele é suspeito de receber R$ 4,5 milhões em propina. A empresa é de economia mista, e o controle acionário é da União.
O relatório do Ministério Público Federal mostra que, durante as buscas feitas pela Polícia Federal, em julho de 2014, ou seja, durante a Operação Lava Jato, foi aberta uma conta em nome da Offshore Hydropower Enterprise Limited, com sede em Hong Kong, e conta bancária no Banco Havilland S/A, em Luxemburgo.
Segundo o relatório, a beneficiária dessa conta é a filha do ex-presidente da Eletronuclear Ana Cristina e a irmã Ana Luiza Barbosa da Silva Bolognani como forma de “ocultar a titularidade de recursos auferidos indevidamente por Othon Luiz Pinheiro de empresas contratadas pela Eletronuclear”.
Outra empresa aberta em nome da filha de Othon é a Waterland Sociedad Anonima, constituída no Uruguai. Nesse caso, o MP descobriu faturas de honorários prestados à Waterland pelos escritórios encarregados de operacionalizar a abertura de contas offshore. Nessas faturas, há a menção “Cliente: Othon Luiz da Silva”.
As duas contas não foram declaradas às autoridades brasileiras, segundo os procuradores. “Há o risco concreto de prática de novos atos de lavagem em relação a ativos secretos que não são de conhecimento das autoridades brasileiras e que não estão bloqueados, frustrando-se futuras diligências para repatriação desses valores”.
De acordo com as investigações, para fundamentar a prisão preventiva também foi usado o depoimento do delator Victor Sergio Colavitti, administrador da empresa Link Projetos. O MPF diz que essa empresa foi usada pela construtora Engevix apenas para repassar propina a Othon.
O delator retificou o depoimento e confirmou que houve contratos fictícios, fechados em dezembro de 2013 e janeiro de 2014, com valor de R$ 450 mil e que gerou repasses à Aratec, empresa do ex-presidente da Eletronuclear.
G1/montedo.com
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