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Com atuação limitada, presença de mulheres entre militares é de 6,9%

Imagem: EB/Divulgação
Apesar da abertura de vagas para mulheres, escolas de formação de oficiais das Forças Armadas do país ainda são predominantemente masculinas. Aspirantes e cadetes femininas têm atuação limitada às áreas administrativas.
O processo ainda é lento, mas as Forças Armadas brasileiras começam a dar os primeiros passos para aumentar a inserção de mulheres em seus quadros permanentes. A primeira turma de aspirantes femininas da Escola Naval, que forma os oficiais da Marinha, está completando um ano. Apesar do avanço, as 12 pioneiras da instituição de ensino superior mais antiga do país junto às 12 novas ingressantes representam apenas 2,6% dos alunos.
O Exército se prepara para fazer a mesma mudança. A partir de 2017, a Escola Preparatória de Cadetes vai receber cinquenta moças que vão ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras no ano seguinte. A primeira escola de formação de oficiais a aceitar cadetes do sexo feminino foi a Academia da Força Aérea, em 1995. Desde então, a AFA já formou 306 mulheres. A academia também avançou em direção à igualdade de gêneros em 2003, quando começou a treinar mulheres para pilotar caças.
No entanto, o sexo feminino ainda enfrenta algumas restrições no meio militar. Assim como será com as futuras cadetes do Exército, as aspirantes da Marinha poderão servir apenas em postos administrativos. Mas para elas, o impedimento não se deve a limitações físicas, mas a falta de planejamento para o ingresso de mulheres combatentes.
Para receber a primeira turma de mulheres, a Escola Naval passou por adaptações, como a instalação de câmeras de segurança, construção de alojamentos reservados, além de espaço especial na enfermaria.
O Comandante da Escola, Almirante Marcelo Campos, não descarta a possibilidade de formar mulheres para compor os corpos de Fuzileiros Navais e Armada. E, mesmo após um ano da primeira turma, reconhece as limitações que ainda há na infraestrutura.
A chegada das mulheres na Escola também alterou a rotina dos aspirantes, segundo o Comandante-Aluno Matheus Wilhelm. Mesmo com as tentativas de inserção feminina no meio militar, as estatísticas gerais apontam para uma presença desigual de gêneros.
Atualmente, as mulheres correspondem apenas a 6,9% do total de militares brasileiros. E a mudança desse cenário ainda deve demorar. Estima-se que uma mulher possa chegar ao cargo mais alto do Exército, o de General no campo operacional, por exemplo, somente em 2060.
Para o coronel e especialista em Sociologia das Forças Armadas da PUC-Rio, Julio Cesar Gomes, apesar de tímida, a caminhada de inserção das mulheres nos quadros permanentes já é uma mudança substancial.
Maria Fernanda Marcelino, membro da ONG feminista Sempreviva, acredita que a inserção de mulheres ainda é pequena por um preconceito velado.
Em toda a Aeronáutica, apenas 13,8% do efetivo é feminino. Na Marinha, esse número chega a 10%. E no Exército, a porcentagem é ainda menor: 3,2%. A situação é um pouco diferente nas Forças Auxiliares, como a Polícia Militar.
No Rio de Janeiro, de um total de mais de 48 mil policiais, aproximadamente 4 mil e 200 são mulheres. Elas atuam inclusive no policiamento ostensivo. Entretanto, não há mulheres no quadro operacional do BOPE. Segundo o Exército, estudos para avaliar a possibilidade de admitir mulheres em outras armas serão desenvolvidos após os primeiros anos de formação das cadetes femininas.
Já a Aeronáutica informou que, até o momento, não foi identificada demanda para o ingresso de mulheres no Curso de Infantaria. Mas que o caso será analisado se houver procura por vagas.
CBN/montedo.com
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