Escolha uma Página
Eles afirmam que o BEC não está acompanhando as vítimas.
Caminhonete capotou no KM 127 da Rodovia BR-163.
Rafael Gilvan foi transferido para um hospital particular nesta sexta-feira (Foto: Karla Lima/G1)
Rafael Gilvan foi transferido para um hospital particular nesta sexta-feira (Foto: Karla Lima/G1)
Karla Lima
Do G1 Santarém
Familiares de três militares que estavam numa caminhonete que capotou com 18 pessoas na Rodovia BR-163, no dia 13 de outubro, reclamam da falta de assistência do 8º Batalhão de Engenharia e Construção (8º BEC). Dos cinco que permanecem internados, quatro estão em um hospital particular de Santarém, oeste do Pará, e o que foi transferido para o Hospital Geral do Exército, em Belém, segundo a família, corre risco de ficar sem andar.
Segundo o irmão, soldado Anderson Broni corre risco de não voltar a andar (Foto: Arquivo Pessoal)
Segundo o irmão, soldado Anderson Broni corre
risco de não voltar a andar (Foto: Arquivo Pessoal)
De acordo com Gerson Broni, irmão do soldado Anderson da Silva Broni, de 20 anos, que sofreu uma lesão grave na coluna, a transferência do militar para Belém só ocorreu quatro dias após o acidente. “Ficamos insatisfeitos inicialmente com a demora da viagem para Belém, porque ele precisaria fazer a cirurgia o quanto antes. A gente pediu um lugar melhor para ele ficar e para isso foi necessário conseguirmos advogado que pressionou o Batalhão. Lá no hospital, o médico disse que não adiantava fazer cirurgia, que não tinha mais jeito, na maior brutalidade disse que não sabia se ele ia voltar a andar. Ele falou para os meus pais: ‘o teu filho não anda mais, não sei se vai adiantar fazer cirurgia’”.
Gerson Broni reclamou também da forma como o irmão dele foi encaminhado ao Pronto Socorro Municipal (PSM) após o acidente. Segundo ele, o soldado Anderson foi colocado na carroceria de outro veículo até o hospital.
Elizabeth Maciel, mãe de Pablo; Gerson Broni, irmão de Anderson e Maria Elizete, mãe de Pedro (Foto: Karla Lima/G1)
Elizabeth Maciel, mãe de Pablo; Gerson Broni,
irmão de Anderson e Maria Elizete, mãe de Pedro
(Foto: Karla Lima/G1)
Elizabeth do Amparo Maciel, mãe do soldado Pablo Vinícius Maciel de Lima, de 19 anos, que fraturou um osso da perna, também demonstrou insatisfação quanto ao acompanhamento do Batalhão. “O BEC não teve nem o bom senso de informar a família. Após o socorro, o meu filho ficou rodando de um hospital pra o outro por falta de espaço. Falaram que iam ser operados no dia seguinte e nada. Somente depois de vir para o hospital particular é que tivemos um melhor atendimento, mas antes faltou muito apoio. No municipal, a família de outro não podia entrar, não tinha material para o paciente. Eles falaram na imprensa que tudo estava estabilizado e não foi isso que ocorreu. Quem veio do interior não tem alimento, é preciso ficar se sustentando de doações”.
O soldado Rafael Gilvan Ferreira Figueira, de 19 anos, foi transferido no fim da manhã desta sexta-feira do PSM para um hospital particular. A mãe dele, Gilvana Ferreira Figueira contou que o rapaz foi arremessado do veículo durante o capotamento, desmaiou e sofreu fratura na perna, na clavícula, no braço, na bacia, e uma perfuração no pulmão. “Não tinha ninguém deles aqui, acompanhando. Estou aqui o dia todo, meu marido é deficiente e ele que tem que trazer comida para mim. Estamos desamparados porque só fizeram jogar no leito e agora, quatro dias depois que começaram a demonstrar assistência. Meu maior medo é meu filho saia com sequelas. Dói muito meu coração porque ele é meu único filho”.
A falta de informação sobre como o capotamento ocorreu também gerou insatisfação. Conforme as famílias, os únicos detalhes são os que foram contados pelos militares. “Eles estavam em um caminhão todo irregular. Estão escondendo informações, vão investigar se foi erro mecânico, mas as vítimas nos falaram que ocorreu desentendimento do sargento que era motorista com o grupo, e quando chegou numa descida com curva, o sargento acelerou, não conseguiu dobrar, e capotou. Isso foi muita imprudência”, enfatizou Gerson Broni.
Após capotamento, caminhonete ficou destruída (Foto: Reprodução/TV Tapajós)
Após capotamento, caminhonete ficou destruída (Foto: Reprodução/TV Tapajós)
De acordo com familiares, na quinta-feira a equipe de Saúde e de Assistência Social do Batalhão informou que os soldados internados em Santarém não serão mais transferidos para Belém e devem fazer cirurgia no hospital particular na segunda-feira (20), entre eles, Jackson Eduardo Santos da Silva e Pedro Emanuel Paes Batista.

Leia também:
Caminhão do Exército capota em estrada do Pará e dezoito militares ficam feridos.


8º BEC
Em nota, o Comando do Batalhão informou que desde o início prestou assistência de saúde às vítimas. Conforme os resultados dos exames, as vítimas foram liberadas ou transferidas para Hospitais particulares na cidade, a fim de prosseguirem no tratamento indicado para cada caso.
O ferido mais grave foi transferido, em UTI aérea, para Belém no último dia 16, após o aval do neurologista, a fim de realizar uma cirurgia ortopédica especializada. Outros militares permanecem internados em hospitais da cidade, realizando exames complementares, tendo cirurgia ortopédica agendada para segunda-feira (20).
O Batalhão acompanha cada militar que permanece hospitalizado, mantendo contato diário com os familiares, a fim de oferecer toda a assistência. A apuração das causas do acidente é objeto de um Inquérito Policial Militar instaurado pelo Batalhão.
G1/montedo.com
Skip to content