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O paraíso visto das fortalezas
Dez fortes administrados pelo Exército são abertos ao público
Do Forte Duque de Caxias, no Leme, visitantes apreciam o cenário de cartão postal
(José Pedro Monteiro – O Dia)
ATHOS MOURA
Rio – Construídos a partir do século 16 com o propósito de proteger o Rio de Janeiro de invasões pela Baía de Guanabara, os fortes e as fortalezas da cidade e de Niterói hoje são atrações turísticas. Das fortificações, descortinam-se algumas das mais belas vistas das duas cidades. E a visita serve ainda para conhecer um pouco de História.
Nas primeiras décadas após o descobrimento do Brasil, o Rio de Janeiro foi invadido por forças estrangeiras, principalmente as francesas, que aportavam aqui para roubar pau-brasil e tentar controlar o território. Para evitar que isso acontecesse, os governadores dos estados, que à época eram chamadas de capitanias hereditárias, mandaram construir as fortalezas. Rio de Janeiro e Niterói ganharam cerca de 80 delas para tentar impedir a entrada de navios inimigos na Baía de Guanabara.
Atualmente, o que restou foi apenas histórias, mas que estão disponíveis ao público. Dez fortes administrados pelo Exército são abertos ao público: de Copacabana, Duque de Caxias, Tamandaré, Fortaleza de São João e da Conceição, no Rio; e Fortaleza de Santa Cruz, Forte do Imbuhy, Barão do Rio Branco, de São Luiz e de Gragoatá, em Niterói. Instalados na orla, deles é possível ter visões que ficam marcadas na memória. O problema é que poucos as desfrutam.
A francesa Veronique Enne, de 50 anos, escolheu como primeiro programa na cidade visitar o Forte Duque de Caxias, no Leme. Ela decidiu visitá-lo após ler uma indicação em um guia de viagens. “Esse lugar é maravilhoso. Uma das visões mais lindas que já vi. Daqui vejo a Praia de Copacabana, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor”, destacou.
Mas, apesar da beleza e de a entrada custar R$ 4, o baixo número de visitantes chama a atenção. De acordo com o major Alexandre Jorge dos Santos, gestor do sítio histórico, em junho, um dos mais movimentados, foram 2.106 visitantes, a maioria estrangeiros. Ele faz um trabalho de divulgação para atrair visitantes. “Estamos reformando o espaço para receber cada vez mais visitantes”, explica o major.
Para as crianças, esses locais são ainda mais atrativos. Além das belezas naturais, os pequenos se deslumbram com as construções, e principalmente, com os canhões. Luan da Silva, 11, foi numa excursão de escola ao Forte São João, na Urca. E o que mais gostou foi poder tocar nas armas e se sentir mais íntimo da História que aprendeu na sala de aula. “Dá vontade de aprender cada vez mais”.
Último tiro foi em 1955, mas canhões estão ativos
Militares sempre consideraram o entorno da Baía de Guanabara estratégico por causa dos morros que permitem visão panorâmica da região. Depois das invasões de franceses, a partir de 1555, ela ganhou fortes. A cidade do Rio de Janeiro, fundada em 1565, e a de Niterói foram as que mais construíram fortalezas.
O especialista em história militar Adler Homero Fonseca de Castro, explica que Rio foi a cidade mais bem armada do país porque, a partir de 1763, com a elevação do Brasil a vice-reino de Portugal, passou a ser a capital, condição que manteria após a Independência.
Os fortes, com canhões voltados para a Baía e para a orla do Rio e de Niterói, explica Castro, tinham o objetivo de passar a imagem de cidade pronta a repelir invasões. “Os que vinham ao Brasil chegavam pelo porto do Rio. Era importante para o governo colonial passar essa imagem”.
Alguns canhões têm capacidade de atingir alvos a 24 quilômetros. O último disparo foi em 1955, do Duque de Caxias, no Leme, contra o navio Tamandaré, onde estava o presidente Carlos Luz, que participava de tentativa de golpe para impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. A lista dos fortes e informações sobre visitação estão no site do Comando Militar do Leste. (R. A.)
O DIA/montedo.com
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