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Tenente desapareceu no dia 3 de maio
Foto: Divulgação/Polícia Civil
CRIME MILITAR
Tenente da Aeronáutica sumida em BH pode ser presa se aparecer
Aeronáutica lavrou um termo de deserção e encaminhou à Justiça Militar; qualquer militar que se ausente das suas funções sem autorização pode pegar de seis meses a dois anos de reclusão

CAROLINA CAETANO
A tenente da Aeronáutica de 42 anos desaparecida há quase dois meses em Belo Horizonte pode ser presa caso apareça e não apresente nenhuma justificativa para o seu sumiço. Isso pode acontecer por causa do crime de deserção, previsto no artigo 187 do Código Penal Militar. A assessoria de imprensa e o setor jurídico da Aeronáutica confirmou, na manhã dessa quinta-feira (26), que existe um termo de deserção que foi encaminhado à Justiça Militar.
De acordo com o irmão de Mirian, Rique Tavares, a família não foi informada sobre essa tramitação. “Ainda não fomos informados, mas sabemos que o número de inscrição dela já consta para o processo de deserção. Isso é um absurdo”, disse.
Além da deserção, Mirian teve o salário suspenso. Nessa quarta (25), a mãe e a irmã da tenente saíram de Varginha, no Sul de Minas, e vieram para Belo Horizonte saber mais informações sobre o corte.
“Eles disseram que é um procedimento normal, uma vez que ela não está trabalhando. Também conversamos com o delegado que está responsável pelo caso, Thiago Saraiva, mas ainda não temos nenhuma novidade”, contou a irmã de Mirian, Beatriz Tavares.
De acordo com o setor jurídico da Aeronáutica, a corporação só está cumprindo a lei. “Temos que deixar claro que a medida não é uma opção da Aeronáutica. A partir do momento em que um militar desaparece por mais de oito dias temos que informar à Justiça Militar”, explicou o tenente Sérgio Alexandre Souza Silva.
Ainda segundo ele, o termo foi lavrado, mas a militar só vai começar a responder quando aparecer. “Se ela for localizada ou se apresentar espontaneamente será recolhida ao nosso quartel. Em relação ao salário, é óbvio que, como ela não está cumprindo suas atividades, seja suspenso”, disse o tenente.

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Entenda o crime
É considerado crime de deserção quando o militar se ausenta de suas atividades por mais de oito dias sem autorização. A pena, que é definida pela Justiça Militar, pode variar de seis meses a dois anos de prisão.
“Assim que o militar aparece comunicamos à Justiça e apenas o juiz pode conceder ou não a liberdade. Claro que se o desaparecido apresentar algum problema, como perturbação, ele receberá acompanhamento médico antes”, finalizou Silva.
Militar do Sul de Minas desaparecida passa a ser procurada pela Interpol (Foto: Reprodução Interpol)
Tenente desaparecida é procurada pela Interpol (Foto: Reprodução Interpol)
Relembre o caso
No dia 3 de maio, Mirian saiu do apartamento no bairro Prado, na região Oeste de Belo Horizonte, deixando para trás roupas, objetos pessoais e celular. A mulher pegou apenas a carteira militar e a carteira de motorista.
Ela deixou uma carta no imóvel em que, segundo a irmã Beatriz Rodrigues Tavares, escreveu que estava muito triste, mas não sabia o motivo. “Pensamos que ela pegaria a estrada para espairecer, como estava acostumada a fazer algumas vezes, e voltaria para casa, mas isso não aconteceu”, explicou Beatriz na época.
Além disso, conforme familiares, nos últimos meses, a tenente apresentava um comportamento diferente. Na Páscoa, última vez que a militar esteve em Varginha para visitar os familiares, Beatriz notou que a irmã estava muito calada. Ela foi questionada se teria acontecido alguma coisa, mas disse que estava tudo bem.
Mirian é uma pessoa muito reservada, e a família não tinha conhecimento de nenhum envolvimento amoroso da tenente.
Qualquer informação sobre o paradeiro da tenente pode ser comunicada à polícia por meio do 181. Não há necessidade de se identificar.
O TEMPO/montedo.com
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