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Militar do Exército, Elenílton Rangel foi o melhor brasileiro na Maratona de Berlim em 2012, venceu o desafio do Pateta, em Orlando, em 2011, e mira Boston 2014
Elenilton Rangel coleciona medalhas de maratonas de Berlim, Amsterdam, Orlando, Buenos Aires e outros (Foto: Cleber Akamine)
Rangel coleciona medalhas das maratonas de Berlim, Amsterdam, Orlando, Buenos Aires entre outros (Foto: Cleber Akamine)
Por Cleber Akamine
Ribeirão Preto, SP
O fato de ter sido o melhor brasileiro na Maratona de Berlim, em 2012, não ilude o sargento do exército e atleta amador Elenílton Rangel. A marca expressiva, de 2h35min, conquistada aos 39 anos, não serve de estímulo para que ele busque, por exemplo, uma vaga nos Jogos Olímpicos de 2016.
Rangel é mais um apaixonado pelas corridas. Cumpre treinos e completa provas por prazer, pela saúde, pelo bem estar físico e mental, sem apoio de patrocinadores ou leis de incentivo.
– Nunca tive o objetivo de ser um atleta profissional. Meus resultados são frutos do querer participar, competir, conseguir resultados. A minha grande paixão é a corrida, o treinamento, a competição, a viagem, fazer o meu melhor, sempre – explicou Rangel, que tem uma rotina de treinos pesada. E outra, no quartel, também bastante trabalhosa.
Nas ruas e pistas de Ribeirão Preto, o sargento maratonista tem apenas uma folga a cada 15 dias. As distâncias variam entre 75km e 95km por semana, sendo que em dois dias da semana, ele divide o treino em duas etapas. Muito? Se comparado à rotina dos atletas de elite, não. Se comparado aos corredores amadores, sim. Rangel se considera um superamador.
– Meus tempos são compatíveis com aquilo que eu posso fazer. Não sou um exímio atleta, mas não é qualquer um que consegue atingir essas marcas. São 21 anos de treinamentos. Poderia me dedicar muito mais, caso eu vivesse profissionalmente da corrida. Enquanto eu chego a fazer um pico legal de 120km na semana, os atletas de elite fazem de 160km a 220km por semana – disse Rangel, que não sonha com Jogos Olímpicos ou Pan Americano.
Elenilton Rangel se divide entre os quarteis e as pistas (Foto: Cleber Akamine)
Elenilton Rangel se divide entre os quarteis e as pistas (Foto: Cleber Akamine)
– Prefiro ser mais realista. Faço meus treinos, minhas provas, por amor ao esporte, para cuidar do meu corpo, da minha saúde. Meus resultados são consequência da minha dedicação. Hoje, não tenho idade ou capacidade. Nosso país, por sinal, teria que preparar melhor os atletas. Os chineses fizeram uma preparação de oito anos para brilhar nos jogos de Pequim. Por aqui, a estrutura é precária – lamenta o sargento-maratonista, que coordena um grupo de corrida com aproximadamente 70 atletas.
Com a assessoria, Rangel arrecada fundos para comprar passagens e fazer inscrições em provas pelo mundo. Não é o ‘apoio’ que ele gostaria de ter, afinal, são horas dedicadas aos seus alunos – três treinos por semana -, mas é a forma que ele encontrou para unir o útil ao agradável.
– É claro que eu gostaria que fosse de outra forma. Não fácil trabalhar no quartel, treinar todos os dias e preparar treinos para todos. Mas não posso reclamar. Gosto do que faço – disse.

Resultados e objetivos
Elenilton Rangel foi o campeão no Desafio do Pateta, em Orlando, Estados Unidos (Foto: Cleber Akamine)
Elenilton Rangel foi o campeão no Desafio do Pateta, em Orlando,  nos Estados Unidos (Foto: Cleber Akamine)
Além de ser o melhor brasileiro na Maratona de Berlim, Rangel foi campeão do “Desafio do Pateta”, disputado em Orlando, na Disney.
– O desafio era fazer a meia maratona num dia, e a maratona no dia seguinte. Na soma dos resultados das duas, fui o melhor. Em 2013, fui o segundo melhor brasileiro em Berlim, ficando atrás apenas do Marilson Gomes – comentou Rangel, que tem as maratonas de Boston e Chicago como principais objetivos de 2014.
As ruas e o quartel
Não há como negar as influências cruzadas, das pistas para o quartel, do coturno para o tênis. As duas vidas exigem dedicação, seriedade, perseverança, mesmo estando em uma função mais burocrática no Exército.
– Eu tenho uma rotina mais burocrática em Ribeirão Preto, mas ainda tenho possibilidades de treinamentos, como eu fazia em São Paulo. Na capital, eram constantes os treinamentos, operações, patrulhas. Eu tinha uma vida agitada por natureza. Em Ribeirão é mais tranquilo, mas a todo momento, seja na parte burocrática ou operacional, a gente tem uma vida bastante agitada. Isso ajuda na preparação para a maratona porque você precisa ser mais ousado. E a história do Exército passa por essa ousadia – disse Rangel, que mora em Ribeirão Preto há sete anos.
Em 22 anos de Exército, o sargento tem levado muitas lições para as provas.
– Força, garra, vontade de superar distâncias, são ineretes ao trabalho do Exército. Sempre queremos representar a instituição da melhor maneira possível. Em provas de longas distâncias, eu procuro fracionar as provas. Esse poder de concentração, de colocar objetivos, vem do Exército.
globoesporte/montedo.com


Nota do editor (em tempo):
O 3º Sargento Elenílton Viana Rangel é do Quadro Especial e serve na 5ª CSM (Ribeirão Preto-SP).
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