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General nega que homenagem a Jango seja retratação histórica
Comandante militar do sul, general Carlos Bolivar Goellner, afirmou que não há nenhum erro histórico no caso do ex-presidente João Goulart
General nega que homenagem a Jango seja retratação histórica Tadeu Vilani/Agencia RBS
General Carlos Bolivar Goellner é o comandante militar do SulFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
Carlos Rollsing | São Borja
O comandante militar do sul, general Carlos Bolivar Goellner, autoridade que está representando o Exército Brasileiro em São Borja, negou na manhã desta sexta-feira que a recepção ao restos mortais do ex-presidente João Goulart, o Jango, com honras militares seja uma retratação histórica com Jango, deposto pelo golpe militar em 1964.
— Nenhum erro histórico. A história não comete erro. A história é a história — afirmou o comandante.
Ele também foi questionado a respeito do enterro de Jango em dezembro de 1976, feito às pressas, sem as honras de chefe de Estado.
— Ele não foi enterrado como cidadão comum. Ele nunca deixou de ser presidente. Estamos prestando as honras regulamentares, nada mais do que isso. Não tem nenhuma outra ilação além disso, nem a favor nem contra — declarou.
O militar ainda negou que o fato de o Exército receber Jango — que foi deposto no golpe de 1964 — com honras abra um novo período na instituição.
— Nenhuma modificação para a instituição Exército brasileiro. As instituições não mudam na história. Não há nenhuma modificação em relação ao Exército — garantiu Goellner.
Políticos reagem com ironia às declarações de general sobre Jango
Políticos reagem com ironia às declarações de general sobre Jango  Tadeu Vilani/Agencia RBS
Ex-deputado Ibsen Pinheiro comentou declarações do comandante militar do SulFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
Foi com uma pitada de ironia que lideranças políticas responderam, na manhã desta sexta-feira, às declarações do general Carlos Bolivar Goellner, comandante militar do sul, representante maior do Exército na recepção dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, o Jango.
Em três declarações, Goellner afirmou que o recebimento dos restos mortais de Jango com honras de Estado, deferência que será prestada pelo Exército, não representa a correção de um erro histórico.
Goellner ainda disse que estão sendo prestadas apenas as honras regulamentares, e disse que a instituição não tem “nenhuma ilação, nem contra nem a favor” de Jango.
“Faz bem o comandante em dizer isso. 
Ele acerta em citar o regulamento. 
A presidente manda e ele obedece.”
Senador Pedro Simon (PMDB/RS)
— Faz bem o comandante em dizer isso. Ele acerta em citar o regulamento. A presidente manda e ele obedece — disse o senador Pedro Simon (PMDB), que esteve com Jango nos momentos que antecederam o golpe e, depois, no enterro dele, em 1976.
— Eu acho muito bom quando os militares falam só sobre regimento. Fez muito bem o comandante cujo nome eu não sei. Militar é para falar sobre regulamento, regimento, essas coisas. Política é para o povo falar e para os líderes políticos. É isso. Do ponto de vista do regimento, é um ato formal. Do ponto de vista do Brasil, é um grande acontecimento, cívico e emotivo — comentou o ex-deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB), outro que acompanhou o sepultamento de Jango em 76.
— Foi um enterro quase clandestino. O carro teve de vir por Uruguaiana, não podia ter velocidade de cortejo. Coisas que as ditaduras fazem. A população violou a ordem de velocidade acelerada de enterro. A população tomou o caixão do carro, colocou nos ombros, e caminhamos lentamente até o cemitério Jardim da Paz, onde Jango foi colocado pelas mãos do seu povo — recordou Ibsen.
Outro a comentar as declarações de Goellner foi o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que chegou ao aeroporto de São Borja perto das 11h, assim como Simon e Ibsen.
— João Goulart foi o único presidente da República que morreu no exílio e não teve direito a honras. O que se faz aqui é a correção de um grave erro histórico — afirmou Randolfe, que emendou fazendo a citação de um verso de Chico Buarque:
— A historia é um trem alegre que atropela todo aquele que a negue.
Recentemente, por iniciativa de Randolfe e Simon, foi anulada a sessão do Congresso do dia 2 de abril de 1964, quando foi declarada a vacância do cargo de presidente da República, consolidando o golpe militar.
ZERO HORA/montedo.com
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