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Bruno Calzavara
piloto drone cockpit
Ficamos sabendo de suas missões por meio dos noticiários e acompanhamos um pouco mais de perto o cotidiano dos soldados que servem o exército dos Estados Unidos em seriados ou filmes de Hollywood. E, embora um pouco diferente, a realidade é igualmente dramática.
Em uma entrevista à rádio BBC, de Londres (Inglaterra), o oficial Bruce Black contou como foi conduzir os chamados “drones” (ou “veículos aéreos não tripulados”, que são aeronaves que não necessitam obrigatoriamente de um piloto embarcado para serem guiadas) e ofereceu um raro ponto de vista de como é um dia de trabalho coordenando voos de missões no Iraque, no Paquistão e no Afeganistão.
No programa, o membro das forças aéreas dos Estados Unidos relatou como era a rotina de guiar uma aeronave a milhares de quilômetros de distância. Habitante da cidade de Las Vegas, Nevada, Black saía de casa pela manhã e dirigia cerca de uma hora deserto adentro até chegar à base onde trabalhava. “Havia uma clara separação entre a minha vida de civil em Las Vegas e o trabalho na base do exército”, lembrou.
Sobre a atividade que ele desempenhava em si, Black comentou que o mais incomum era chegar à mesa de comando e assumir o controle de um avião que já estava voando, em missão. “Uma vez eu recebi uma mensagem que dizia: ‘Não estrague as coisas, o presidente está vendo’. Não sei se o presidente estava mesmo me observando, mas você tem que ter certeza de que está fazendo tudo certo o tempo todo”.
O major, que possui o título de “Lieutenant colonel”, também disse que, quando comandava aviões em missões em outros continentes, ele perdia a noção de que estava em uma base nos Estados Unidos, e não lá, no centro das ações. “Em um caso em particular, eu estava conversando com um soldado que havia caído em uma emboscada e tudo que ele tinha era um rádio pelo qual conseguia se comunicar comigo”, recordou. “E eu conseguia ouvir as balas passando perto da cabeça dele. É impressionante como, mesmo de longe, eu me sentia no meio daquilo tudo, tentando contato com o Pentágono, pedindo ajuda para os soldados em combate”.
Imagem: STATUS
Black ainda relatou o que ele sentiu quando a sua parte dessa missão em particular tinha acabado. “A porta da sala se abriu e outro piloto entrou. Eu falei ‘Meu Deus, eu não estou no Afeganistão, ainda estou em Las Vegas!’. Depois eu peguei o carro e voltei para minha casa. É muito estranho você sair dessa situação em que cada decisão sua pode significar a sobrevivência ou a morte de outra pessoa e, uma hora depois, você já estar em casa tentando decidir qual roupa de balé sua filha deve usar. É incrível”, completou. [BBC]
hypeSCIENCE/montedo.com
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