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Militar deixou carta de despedida alegando que estava “cansado” da rotina no Batalhão
Márcia Costanti, do R7

A 4ª Companhia de Polícia do Exército Brasileiro em Belo Horizonte abriu um inquérito para apurar a morte do soldado Pablo Soares Pereira, de 18 anos, que teria cometido suicídio dentro do quartel na última sexta-feira (20). Ele teria dado um tiro de fuzil no rosto no início da tarde. Pouco antes da morte, no entanto, o militar enviou mensagens de celular para a mãe, o pai e a noiva, se despedindo. Ele ainda deixou uma carta, onde relatava estar “cansado” do quartel. Com isso, a família agora culpa a corporação, alegando que o rapaz confessou que sofria constantes humilhações de outros colegas e superiores.
O comandante da companhia, Major Marcelo Neival, explicou que todos os procedimentos cabíveis foram tomados. Ele conta que foi chegou ao local poucos minutos depois de o tiro ser ouvido no quartel. Os médicos de plantão do local foram acionados, mas o rapaz já havia morrido. Segundo Neival, as perícias do Exército e da Polícia Federal analisaram a cena e concluíram inicialmente que se tratava de suicídio. Laudos conclusivos devem sair em até 40 dias.
O militar ressalta ainda que “seria uma surpresa muito grande” caso fique comprovado que o soldado sofria algum tipo de perseguição dentro do quartel, já que esta postura é “terminantemente proibida” pela corporação. Mesmo assim, o inquérito aberto irá apurar todas as condições que possam ter motivado o suicídio do rapaz.
— Ele tinha muitos amigos, inclusive cita o nome de mais de 20 amigos, todos com conotação positiva. A gente entende que a família quer achar um culpado, a gente se comove, mas eu acredito que em momento algum ele sofreu qualquer tipo de perseguição. Pessoalmente, eu não acredito, porque contraria todos os nossos valores.
Ainda conforme o comandante, a formação do combatente exige “certas privações”, como a falta de descanso. Ele ressalta, no entanto, que a prática de tortura é “inadimissível”.
Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta manhã, a mãe do soldado morto afirmou que o filho era vítima de bullying no quartel. Liliane Soares Pereira ainda argumentou que este não é um caso isolado no Exército.
— O que mais me marcava era ele falar das coisas que faziam com ele: cuspir no prato, humilhar, colocar eles no chão mesmo. Tipo assim: você não vale nada, você não vale o prato que você come, você é um cachorro. Falavam muitas coisas para ele, que não aguentou
Neival concluiu dizendo que a corporação “está procurando dar toda a assistência possível à família, porque entende o sofrimento que os pais estão passando”.
R7/montedo.com
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