Governo autoriza militares a negociar compra de arma antiaérea para Copa

Sistema russo é usado pela Síria para abater aviões inimigos na guerra civil.
Brasil não tem artilharia para atingir alvo a até 15 km, exigência da Fifa.
Pantsir S-1 (Foto: Anton Denisov/Ria Novosti/AFP)
Brasil começa a negociar a compra do Pantsir S-1, sistema de artilharia que pode atingir um alvo a até 15 km do solo e é usado na guerra civil na Síria (Foto: Anton Denisov/Ria Novosti/AFP)
Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo
Uma portaria do ministro da Defesa, Celso Amorim, publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (5), autoriza os militares a negociar a compra de um sistema de artilharia antiaérea russo de médio alcance, capaz de abater alvos entre 200 metros e 20 km de distância entre 5 km e 15km de altitude.
Atualmente, o Brasil não possui esta tecnologia, que é uma lacuna na defesa e obrigatória a todos os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em outubro de 2012, o G1 mostrou que esta arma é uma exigência da Federação Internacional de Futebol (Fifa) para a Copa do Mundo de 2014. Segundo a portaria do Ministério da Defesa, a dispensa de licitação para a compra está “baseada no comprometimento da segurança nacional”.
O sistema russo Pantsir-S1 pode atingir até 24 alvos simultâneos, sejam eles aviões, drones, helicópteros, barcos ou carros blindados. Ele é usado pela Síria na guerra civil no país, que dura mais de dois anos e já deixou mais de 110 mil mortos, milhares de feridos e refugiados.
A arma foi usada pela primeira vez pela Síria em junho de 2012 para abater um avião da Força Aérea da Turquia que invadiu o espaço aéreo sem autorização. A artilharia é considerada por especialistas como um dos trunfos sírios em caso de invasão ou bombardeio de forças de coalizão comandadas pelos Estados Unidos após o uso de armas químicas.
A compra pelo Brasil ocorre após um acordo de intenção assinado em fevereiro o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, e o vice-presidente da República, Michel Temer, em Brasília.
A ideia inicial prevê a aquisição de 5 baterias antiaéreas: duas do modelo Igla, de baixo alcance (até 5 km de altura), e três do modelo Pantsir-S1, de médio alcance. O valor da negociação não foi informado pelo governo.
Segundo o texto do Ministério da Defesa, o processo de negociação com a Rússia engloba também os dois sistemas. Para o Pantsir, haverá “transferência irrestrita de tecnologia”.
O país irá adquirir ainda um sistema de controle e alerta de um sistema de artilharia de médio alcance, que ainda está em fase de desenvolvimento pela Rússia, e três sensores e três centros de operações para o Pantsir, além de itens logísticos, de simulação, de capacitação e operação das armas. Cada bateria Pantsir-S1 russa engloba seis carros com radares, sistemas de detecção e canhões.
A negociação do sistema de média altura ficará com a Aeronáutica. Já o baixa altura, com o Exército. Um grupo de trabalho irá a Rússia conhecer o sistema e negociar os valores , apresentando uma proposta de contrato.
O governo não divulgou o valor da negociação. Em entrevista ao G1 em 2012, o general Marcio Heise informou que a proposta para modernização do sistema brasileiro tinha o custo de R$ 2,354 bilhões.
Para a Copa das Confederações e a visita do Papa, em junho e julho, o Exército teve que comprar às pressas um sistema de baixo alcance usado da Alemanha, composto por 34 carros de combate Gepard capazes de alvos a até 15 km de distância e até 3 km de altitude. A aquisição custou cerca de 30 milhões de euros (cerca de R$ 77 milhões).
Detalhes da negociação
A aquisição do Pantsir servirá para reforçar a proteção do território do território nacional, mas ainda não há informações sobre onde as baterias deverão ser instaladas.
O Brasil possui cinco grupos de artilharia antiaérea posicionados no Rio de Janeiro, em Praia Grande (SP), em Caxias do Sul (RS), em Sete Lagoas (MG) e em Brasília, para defender o Planalto. Eles contam com mísseis Igla-S, com alcance de até 3 km de altitude. (R.A.)
G1/montedo.com

Uma resposta

  1. 2 BATERIAS????????????????????
    Acho que não fará nenhuma diferença!
    2 Baterias.
    Melhor usar esse dinheiro para trocar mobiliário das praças dármas, cassinos, clube de tênis, revitalizar piscinas de clubes de oficiais, mais lagosta, mais camarão na moranga, mais vinho fino, whisky, água mineral "de bolinha", pratarias, uniformes para os militares, feitos de garções por ordem ( não menosprezando aqui os garções, apenas dizendo que militares, soldados, são usados sem o serem), melhora nos hotéis de trânsito de oficiais (quase todos eles sempre situados à beira de praias, em zonas nobres e tal), diárias mais frequentes (como se não fossem) para oficiais e etc…

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