Chega ao Rio artilharia antimíssil para Copa das Confederações

Veículos recauchutados farão a segurança na abertura e na final do evento.
Sistema custou R$ 78 milhões, e Brasil comprou também 600 mil munições.
Tahiane Stochero
Chegaram ao Brasil nesta quinta-feira (16) oito carros do tipo Gepard que integram o sistema de artilharia antiaérea alemão comprado pelo Brasil para a segurança da abertura e do encerramento da Copa das Confederações, nos dia 15 e 30 de junho, respectivamente.
Gepard (Foto: Centro de Comunicação Social do Exército)
Carros Gepard desembarcam no porto do Rio
(Foto: Centro de Comunicação Social do Exército)
Os veículos são capazes de abater mísseis, aviões, helicópteros ou drones (aviões não tripulados) suspeitos a até 15 km de distância, com alcance de 3 km de altitude.
Segundo o general Marcio Roland Heise, coordenador do projeto de compra das armas, os canhões ainda estão em processo de desembaraço alfandegário junto à Receita Federal. Assim que liberados, os veículos serão levados ao Parque Regional de Manutenção do Exército, no Rio de Janeiro. A previsão é que isso ocorra na terça-feira (21).
O Brasil comprou 34 carros de combate Gepard ao preço de 30 milhões de euros (cerca de R$ 78,4 milhões).
Os blindados foram despachados de navio da Alemanha, em caráter emergencial, para que chegassem a tempo da abertura da Copa das Confederações, que acontece em Brasília, no dia 15 de junho, com a partida entre Brasil e Japão.
Quatro carros serão levados para Brasília e os outros quatro ficarão no Rio de Janeiro, para a partida de encerramento da competição, no dia 30 de junho. Os veículos não ficarão à vista do público, mas estarão posicionados perto dos estádios, em pontos estratégicos.
Em 11 de abril, o G1 divulgou com exclusividade a compra das armas para garantir a proteção dos grandes eventos. Os carros comprados do Exército da Alemanha sofreram uma remodelação, tendo sido “recuperados” em 2010, recebendo novas tecnologias para operar até 2030.
Além do sistema antiaéreo, o Brasil comprou cerca de 600 mil munições para os Gepard e três carros reservas, que serão desmontados e servirão para peças de reposição. O valor inicial do contrato não inclui esse complemento nem treinamentos e suporte técnico.
“As armas serão recebidas e incorporadas ao inventário do Exército. Além disso, 

faremos testes de tiro com cada um deles, para verificar o funcionamento”

General Marcio Roland Heise, coordenador do projeto de compra das armas

“As armas serão recebidas e incorporadas ao inventário do Exército. Além disso, faremos testes de tiro com cada um deles, para verificar o funcionamento”, afirmou o general Marcio Roland Heise ao G1.
Os blindados Gepard 1A2 pesam 47,5 toneladas, têm 3,7 metros de altura, 3,4 de largura e até 7,7 metros de comprimento. São equipados com dois canhões Oerlikon de 35 mm, que trabalham em conjunto um sistema de radares com campo de visão de até 15 km de raio. A fabricante informa que eles atingem alvos até 5,5 km de altura, mas, no Brasil, serão usados a baixa altitude (até 3 km).
Visita do Papa
A previsão inicial do general Marcio era que os carros sejam usados na Jornada Mundial da Juventude, que deve reunir mais de 2 milhões de pessoas no Rio em julho durante a visita do Papa Francisco ao país.
Mas, segundo o general Guido Amin Naves, comandante da Brigada de Artilharia Antiaérea, ainda não foi decidido se o material será empregado ou não. O evento em que o sistema antiaéreo pode ser usado é a missa de encerramento, em Guaratiba, no Rio, em 28 de julho.
“Poderão ser empregados para a visita do Papa, mas isso ainda está em fase 

de definição. Ainda não recebi nenhuma ordem de serviço sobre isso”

General Guido Amin Naves, comandante da Brigada de Artilharia Antiaérea do Exército

“Assim que os carros estiverem operando, faremos um treinamento inicial. Os blindados que já estarão no Rio para a final da Copa das Confederações poderão ser empregados para a visita do Papa, mas isso ainda está em fase de definição. Ainda não recebi nenhuma ordem de serviço sobre isso do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra)”, afirma o general Amim.
Usados e reformulados
A negociação entre os Exércitos do Brasil e da Alemanha ocorreu através da empresa Krauss-Maffei Wegmann (KMW), fabricante dos veículos.
Gepard, novo blindado com artilharia antiaérea do Exército (Foto: divulgação)
Gepard, novo blindado com artilharia antiaérea
do Exército  (Foto: Arquivo)
“Os carros foram reformulados, receberam novo sistema de radares e computadores, canhões de 35 mm e tecnologia de guiamento, que seguem o alvo mesmo se ele desviar. O Exército alemão iria usar os blindados, mas a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] mudou algumas diretrizes em relação à defesa antiaérea e eles tiveram que deixá-los de lado”, afirmou o general Marcio Roland Heise.
A implantação do Gepard pelo Exército busca suprir uma carência de proteção para as duas brigadas do país que abrigam blindados, localizadas em Ponta Grossa (PR) e em Santa Maria (RS), e também de garantir a segurança de estruturas estratégicas, como usinas hidrelétricas, essenciais para o caso de uma eventual guerra.
Intenção de compra
Em fevereiro, o vice-presidente, Michel Temer, assinou uma intenção de compra para adquirir um sistema de artilharia antiaérea da Rússia que tem capacidade de atingir alvos a médio alcance – até 15 km de altitude. O Brasil não tem atualmente esta tecnologia, que é uma exigência da Fifa para a Copa do Mundo.
Em 2012, o G1 mostrou a situação do sucateamento do Exército, que possui armas antiaéreas da década de 70, classificados pelo general Heise na época como “defasados tecnologicamente”.
G1/montedo.com

14 respostas

  1. Apesar de serem velhos são bastante eficientes para defesa a baixa altitude.
    Quem chama de sucata não entende nada do assunto.

  2. Pera aê… O Exército comprou mais três blindados reserva que servirão para serem desmontados e fornecerem peças para os demais (canibalizados)?
    Então não existem peças de reposição no mercado? O Exército está comprando um blindado que para ser manutenido tem que se recorrer à canibalização de outro blindado? Acho que é isso mesmo que eu posso depreender do trecho da notícia que afirma: "Além do sistema antiaéreo, o Brasil comprou cerca de 600 mil munições para os Gepard e três carros reservas, que serão desmontados e servirão para peças de reposição. O valor inicial do contrato não inclui esse complemento nem treinamentos e suporte técnico."

  3. Isso mesmo. Tres para serem canibalizados. Logo Logo estao iguais aos EDT FILA. Sem peça de reposição e sem previsão de chegar coisa nova… Ou seja vai se canibalizando ate o ultimo apagar. Mas tem uma solução que ja fiz muito, liga o radar e deixa girando, sem emitir, apenas girando. Dai quem passa acha que ta tudo funcionando, mas nem a tela do radar acende. Dai dizemos que nao pode entrar e nem fotografar por força da segurança do equipamento. Os civis acreditam e pensam que estamos ali realmente fazendo a defesa rsrsrsrs. Tudo de mentirinha…

  4. Puxa vida, que potência! Quer dizer que a partir de agora deixaremos de ser soldadinhos da paz e passaremos a ser de guerra? Que maravilha! Como diria o minerin: tequinfim, sõ!

  5. Como disse o anônimo das 12:28, as sucatas alemãs devem ser mesmo muito eficientes…Tão eficientes como o nosso super porta-aviões "fumacê" São Paulo, que passa o ano todo atracado no RJ. Se não me falha a memória, nessa mesma sucata aquática francesa, três ou quatro militares brasileiros jé perderam suas vidas em explosões e incêndios.

  6. Boa aquisição. São velhos para o cenário europeu mas, com novo sistema de armas e motorização deixa o Brasil muito além de seus vizinhos e em condições de abater aeronaves que queiram estragar os eventos vindouros. Não temos necessidade de comprarmos equipamentos de última geração, mesmo.

  7. 19 de maio de 2013 14:11

    Pensamento típico de brasileiro…..do "puxadinho", do complexo de vira-lata….para que o da última geração…um de 3a geração já tá bom…pra quem não tem nada…..e assim o brasil vai indo….sem atrás dos outros….neste campo, pois em arrecadação de impostos somos modelo exportação de eficiencia….

  8. Sistema de armas… hum… tá bom !!
    Quem irá manutenir os sistema de armas se a manutenção antiaérea já não existe mais no Exército?
    Ah, já sei, eles irão mandar três capitães Engenheiros militares lá para a Alemanha para aprender sobre a tecnologia embarcada no blindado e depois esses capitães difundirão o conhecimento aqui no Brasil para os outros militares.
    Parece até um dos episódios do antigo programa "Acredite se quiser"

  9. Para os sem moral de plantão, que nada fazem a não ser reclamar e resmungar o tempo todo, o Sistema Gepard é eficiente e, diferente de automóveis comuns, como so AMADORES imaginam ser, um carro de combate não é tratado como ano/modelo. São constantemente reformulados e reponcializados para aproveitar a plataforma. Além do mais, para sua operação e manutenção existem atualmente na Alemanha 20 militares (oficiais E SGT) se especializando no sistema. Para o próximo ano estarão esndo enviados mais outra leva (em sua MAIORIA SGT Mat Bel e Com) de militares que irão se especializar exclusivamente na matutenção do sistema.

    ALGUM ACOMODADO AÍ SE HABILITA? Acho que não. É melhor ficar aí sentado, criando a barriga e resmungando. Deixa isso pra quem realmente se interessa.

  10. Pelo contrario do que o anonimo acima falou, ha muitos interessados em ir na alemanha se especializar no sistema, mais pela grana claro. Ja que quando voltarem para o Brasil vao assumir uma carga ou quem sabe uma 1 seção. Ele é realmente muito eficiente contra as birutas(alvo aereo) no tiro de adestramento uma vez ao ano. Contra um missil??? faça me rir.

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