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Escolha da Arma, na AMAN

Gélio Fregapani
Foi noticiado que a Intendência foi a escolha preferida dos novos cadetes. Isto causa estranheza pois, apesar da extrema importância da Intendência, falta-lhe o glamour das armas básicas, e nunca havia sido a preferida anteriormente.
A grande evasão de quadros bem treinados do Exército já acendia um sinal de alerta e o fato era totalmente atribuído a defasagem dos salários em relação aos outros servidores do Estado, mas se julgava que essa evasão ocorreria apenas quando os encargos de família obrigava, contra a vontade, ao oficial ou ao sargento a procurar uma carreira melhor remunerada do que a dos seus ideais. Agora, com a preferência pela Intendência na escolha da arma, constatou-se que as matérias desse curso facilitavam de muito a aptidão para os concursos públicos melhor remunerados, o que indica, de forma meridiana, que muitos já ingressam na carreira militar visando se preparar para outras melhores. No Curso de Intendência estuda-se muita coisa que cai em concursos- Contabilidade, legislação das licitações, etc.
Nenhuma censura a quem quer progredir na vida, mas isto não interessa ao Exército. A falha talvez esteja no sistema de recrutamento.
Sabemos que o Exército foi o primeiro a instituir concurso público honesto em nosso País. Ótimo, mas um concurso apenas intelectual classifica apenas os mais estudiosos, e que raramente os mais vocacionados para o combate, naquela fase da juventude, serão os mais estudiosos. Não se nega o valor do concurso intelectual, mas insistir em um recrutamento apenas livresco para os que se pretende guerreiros é como comprar um quadro pela moldura ou um brilhante pela armação. O fato é que sem certa índole guerreira em seu pessoal nenhum Exército se dará bem em combate.
Tem solução? Claro! Hoje dispomos de testes psicológicos que traçam com precisão o perfil de qualquer um, inclusive a adequação para as diferentes funções em serviço. É só fazer uma média ponderada entre a avaliação psicológica e o concurso intelectual.
Nota do editor sobre a manchete:
– Sim, eu sei que a Intendência é um Serviço. Mas não resisti ao chiste com a Infa.
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