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Militar percorre Rio Juruá a remo em três meses, no Amazonas
Gaúcho começou expedições como promessa após AVC da esposa.
Missão teve aproximadamente 3.900 km percorridos.

Camila Henriques
Do G1 AM
Coronel Hiram da Silva (de branco) encerrou missão por volta das 15h deste domingo (10), ao chegar no Comando Militar da Amazônia (CMA), na Zona Oeste de Manaus (Foto: Camila Henriques/G1 AM)
Coronel Hiram da Silva (de branco) encerrou missão por volta das 15h deste domingo (10), ao chegar no Comando Militar da Amazônia (CMA), na Zona Oeste de Manaus (Foto: Camila Henriques/G1 AM)
Foram quase três meses remando pelo Rio Juruá, com paradas em 30 municípios do Amazonas e Acre. Para o Coronel Hiram Reis da Silva, 62 anos, uma aventura como essa não é novidade. Nascido em Porto Alegre e apaixonado pela Amazônia, o militar já participou de expedições nos rios Solimões, Negro e Madeira. No entanto, a viagem pelo Juruá teve um significado especial, como ele mesmo contou ao G1.
“Minha esposa teve um AVC e fiz uma promessa de descer os rios da Amazônia. Além disso, essa expedição quer homenagear o General Belarmino Mendonça, um herói do passado, infelizmente esquecido. Todo mundo conhece o relato que o Euclides da Cunha fez sobre o Purus, mas uma minoria ouviu falar da subida e do reconhecimento feito simultaneamente no Juruá pelo Belarmino”, disse o Coronel, que revelou ainda que um dos tataranetos do General agradeceu pessoalmente os participantes da missão.
A expedição, que teve fim neste domingo (10), fez uma historiografia militar da região e serviu para atualizar a cartografia do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT). “Temos que corrigir uma série de erros nos mapas, tanto na parte de navegação quanto na nomenclatura de comunidades e acidentes naturais. Esses foram os dois focos principais, que se juntaram ao que eu gosto, que é ver essas regiões, conversar com as pessoas e conhecer as histórias locais”, destacou.
Militares “acordavam o sol” remando
Na missão, foram percorridos cerca de 3.900 km por todo o rio. A rotina do Coronel e dos dois soldados que o acompanharam começava com o céu ainda escuro. “A gente costumava dizer que acordávamos o sol. Quando ele começava a aparecer, já estávamos remando há pelo menos uma hora”, relatou.
A partir das 11h, os militares começavam a perguntar dos ribeirinhos em que lugares poderiam “acantonar” (acampar, na linguagem do Exército). O trio parava por volta de 14h, mas, dependendo da condição física, poderia acabar mais cedo. “Algumas vezes encerrávamos às 11h30, outras remávamos 12h seguidas. Isso também era determinado pela distância do local onde iríamos procurar apoio”, afirmou. O percurso entre os municípios de Coari e Codajás, de 142 km, foi feito em um dia, por exemplo. Ainda de acordo com o militar, a média de velocidade em cima do caiaque era de 12 km/h. No entanto, eles conseguiram chegar a 17,5 km/h em determinadas regiões.
Um dos principais desafios da expedição foi justamente a desatualização dos mapas. Segundo Silva, eles observaram a existência de ilhas que não estavam destacadas nas suas cartas do Google Earth, enquanto que outras apareciam no mapa, mas não foram localizadas. As picadas do pium, um inseto voador que pode medir até quatro centímetros, também foram motivo de preocupação para o trio. “Ficamos cheios de picadas, nossas pernas incharam e não tinha nada que repelisse a ação dele. Chegamos a colocar inseticida no rosto para tentar controlar. Outro problema foi a água. Algumas vezes nos descuidamos e eu até passei mal por conta de uma disenteria, que durou dois dias”, lembrou.
Silva disse que missão teve intuito de atualizar mapas do DNIT e fazer historiografia militar da região.  (Foto: Camila Henriques/G1 AM)
Silva disse que missão teve intuito de atualizar mapas do DNIT e fazer historiografia militar da região. (Foto: Camila Henriques/G1 AM)
Expedição deve virar livro
Mesmo com a conclusão do trabalho de campo, o Coronel não vai descansar. Agora, ele deve compilar todo o estudo e enviar para o DNIT. De acordo com o militar, a pesquisa será finalizada em aproximadamente quatro meses. O plano de Silva é conseguir patrocínio e publicar um livro com os registros da viagem.
G1/montedo.com
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