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Pelo terceiro ano consecutivo o orçamento para a defesa será superado pelos gastos em segurança interna, num sinal da preocupação de Pequim com ameaças locais

Ben Blanchard e John Ruwitch, da REUTERS
Bandeiras nacionais da China são vistas no Grande Salão do Povo, em Pequim, na China
Os números indicam que o Partido Comunista está atento não só às disputas territoriais, mas também à inquietação popular (REUTERS/Petar Kujundzic)
Pequim – A China divulgou nesta terça-feira mais um aumento expressivo nos gastos militares, mas pelo terceiro ano consecutivo o orçamento para a defesa será superado pelos gastos em segurança interna, num sinal da preocupação de Pequim com ameaças locais.
A verba do Exército de Libertação Popular irá subir 10,7 por cento, chegando a 704,6 bilhões de iuanes (119 bilhões de dólares), enquanto o orçamento da segurança interna terá expansão ligeiramente menor, de 8,7 por cento, chegando a 769,1 bilhões de iuanes, segundo documento orçamentário divulgado no início da sessão anual do legislativo.
Os números indicam que o Partido Comunista está atento não só às disputas territoriais com o Japão e países do Sudeste Asiático e à maior presença dos EUA na região da Ásia/Pacífico, mas também à inquietação popular decorrente da corrupção, da poluição e dos abusos de poder, apesar do robusto crescimento econômico e do aumento da renda.
O número de “incidentes coletivos” (como protestos) registrado pelo governo saltou de 8.700 em 1993 para 90 mil em 2010, segundo vários estudos patrocinados pelo governo. Algumas estimativas são maiores, e o governo não divulgou dados oficiais de anos mais recentes.
“Isso mostra que o partido está mais preocupado com os potenciais riscos de desestabilização vindos de dentro do país do que de fora, o que nos diz que o partido está bem menos confiante”, disse Nicholas Bequelin, pesquisador da ONG de direitos humanos Human Rights Watch, com sede em Nova York.
“Um governo confiante, que não tem medo da sua população, não precisa ter um orçamento de segurança interna que seja maior que o gasto em defesa”, acrescentou.
EXAME/montedo.com
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