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‘Salve Jorge’: Théo poderia ser expulso do Exército por roubar moto
VICTOR CORRÊA
Personagem surta por amor | Foto: Reprodução Internet
Théo (Rodrigo Lombardi) parece desconhecer a palavra razão. Sempre com a emoção à flor da pele, o protagonista de ‘Salve Jorge’ tem dado o que falar com sua impulsividade. Se não fosse no mundo de Glória Perez, o mocinho estaria bem encrencado, podendo até ir para a cadeia. Logo no início do folhetim, em outubro, o capitão deu voz de prisão a Morena (Nanda Costa) por desacato. Ele também já enfrentou Beto (Sacha Bali), pai de Junior (Luiz Felipe Mello), no Complexo do Alemão, e, na semana passada, saiu no tapa com um assaltante, roubou uma moto e driblou os seguranças do aeroporto para impedir que Morena embarcasse para a Turquia.
De acordo com o advogado Ramilson Tavares Veiga, especialista em direito militar, Théo infringiu o regulamento disciplinar do exército com suas atitudes. “Ele deveria pensar nas consequências de seus atos. O militar não pode esquecer de sua função em momento algum. Ele não pode ter uma atitude tresloucada, sair por aí tomando porre. A conduta deve ser irretocável. No mínimo, houve uma quebra do regulamento disciplinar do exército. Uma sindicância interna seria instaurada para analisarem se suas atitudes denegriram a imagem da instituição. Ele poderia perder a patente ou ser expulso da corporação”, opina Veiga.
Para um coronel do exército, que preferiu não se identificar, Théo demonstrou que os militares são pessoas normais. “Foi uma ação passional. Existem pessoas normais por trás da farda. Militar não é um super-homem”, defende.
Mas ele assume que o mocinho da trama das nove poderia, sim, ter a cadeia como destino. “A gravidade do fato foi descaracterizada pela própria Glória Perez, que colocou o dono da moto como padrinho do Théo. A prisão ou expulsão do personagem dependeria da pena aplicada pelo inquérito civil. O Luciano Huck, por exemplo, foi pego pela Lei Seca e não foi demitido da Globo. Depende da gravidade”, explica o coronel.
A advogada Débora Quaresma é implacável ao analisar as atitudes de Théo. “Acho que podemos configurar como abuso de poder dele, que parece ter usado de sua patente de capitão para invadir as áreas restritas do aeroporto. Além disso, ele foi desobediente ao fugir dos funcionários do local. Em relação à moto, será que ele arranhou ou causou algum estrago? Não devemos desconsiderar o crime de dano”, avalia Quaresma.
Para o juiz federal Paulo Cesar Rodrigues, que não assistiu às cenas de ‘Salve Jorge’, houve apenas o crime de furto. “O fato de ter entrado no aeroporto não chega a constituir crime algum, a menos que tivesse recebido alguma ordem de não entrar e a tivesse desobedecido. Eu não vi a cena, mas abuso de poder só se ele tivesse se valido do fato de ser militar. E mais: furto é subtrair para si ou para terceiros.Pode ser que o juiz considerasse que a intenção foi só usar momentaneamente, e nem julgasse que houve furto”, esclarece Rodrigues.
Ainda de acordo com o juiz, por não ter antecedentes criminais, Théo responderia à soma das penas mínimas. Se fosse indiciado por abuso de poder, desobediência, furto e dano, ele pegaria, no máximo, dois anos de prisão.
Resultados da paixão
De acordo com Regina Navarro Lins, psicanalista e colunista do jornal O DIA, as atitudes de Théo têm explicação. “Uma pessoa apaixonada pode fazer coisas impensáveis. A paixão sempre foi considerada perigosa. A pessoa acaba se afastando da realidade, abandona todas as regras , vira sua vida do avesso e só vê em sua frente o objeto amoroso”, diz.
O que o capitão da cavalaria sente por Morena pode nem ser exatamente amor, segundo a psicanalista. “As pessoas confundem amor com paixão. A paixão é um período, dura um tempo. Ninguém fica apaixonado a vida inteira”, avalia.
As loucuras de Théo pela mocinha do Complexo do Alemão podem chegar ao fim, segundo a psicanalista. “Se essa paixão tiver a ver com você, não é só uma coisa inventada, pode se tornar uma relação amorosa mais calma. Estudos que medem os estímulos do cérebro já comprovaram que não suportamos tanto tempo a paixão”, observa Regina.
O Dia Online/montedo.com
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