Escolha uma Página
A saída das tropas brasileiras do Haiti depende de uma maior estabilidade política do país caribenho e de uma maior autonomia da polícia nacional. Militares participantes da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Haiti (Minustah) explicaram nesta quarta-feira (5) a deputados brasileiros que ainda não há uma data certa para a retirada total do contingente do Brasil. A orientação atual é para que o efetivo de 6.841 militares de 17 países seja gradativamente reduzido até, pelo menos, 2016. O número já cairá para 6.270 até junho do ano que vem.
“O fim da missão se dará apenas quando o governo haitiano estender sua autoridade por todo o País, e a polícia nacional for eficiente. Atualmente, ela conta com 10 mil policiais, mas precisa chegar a 15 mil. Ainda não há condições para as tropas da ONU saírem”, explicou o comandante da Minustah, o general-de-brigada Fernando Goulart, aos deputados Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Gonzaga Patriota (PSB-PE) e Jô Moraes (PCdoB-MG). Goulart ressaltou que a missão ocorre a pedido do governo do Haiti.
Gonzaga Patriota e Perpétua Almeida são integrantes da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. Jô Moraes faz parte da Frente Parlamentar de Defesa Nacional. Os três estão em missão oficial no Haiti, a convite do Ministério da Defesa, para acompanhar as ações brasileiras no país. O Brasil comanda a missão desde que ela foi instalada, em 2004, e encabeça um efetivo de 2.097 militares, composto por brasileiros e outras nacionalidades da América do Sul. Em 2013, este número deverá ser reduzido para aproximadamente 1,2 mil militares.
Nesta quarta, a reunião foi com Fernando Goulart; com o comandante do contigente brasileiro, coronel Rogerio Rozas; e com o embaixador brasileiro no Haiti, José Luiz Machado e Costa.
Perpétua Almeida, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores, e Jô Moraes, questionaram justamente a necessidade da interferência internacional no Haiti. “Temos de nos convencer da necessidade de estar aqui para ajudar e não apenas para nos posicionar bem no cenário internacional. Mas até quando vamos estar aqui? Já existe o sentimento de caminhar com as próprias pernas?”, perguntou Perpétua.
Evolução
Ainda que a situação não esteja completamente resolvida, o Haiti conta hoje com um presidente diretamente eleito (Michel Martelly) e índices menores de violência. “As tropas de pacificação conquistaram territórios onde o Poder Público não entrava, como Cité Soleil (na capital Porto Príncipe). Também damos apoio ao processo eleitoral”, disse Rogerio Rozas.
Além de patrulhas, as tropas da Minustah realizam ainda ações humanitárias, como distribuição de alimentos e atendimento médico, e trabalham em obras de infraestrutura, como asfalto de rodovias, serviços em portos e recolhimento de escombros remanescentes do terremoto que assolou o país em janeiro de 2010.
O embaixador José Luiz Machado e Costa ressaltou que a experiência adquirida já está sendo levada para o Brasil. “Nossos militares atuam na pacificação de favelas brasileiras. O conhecimento foi levado daqui, o que demonstra a boa atuação do contingente brasileiro.”
A missão parlamentar prossegue até sexta (7), com atividades no Parlamento e na Presidência da República. Os deputados retornam ao Brasil no sábado.
Agência Câmara/montedo.com
Skip to content