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A ascensão do poderio militar da China
Ocidente preocupado com o despertar do Dragão Amarelo
Lee Wong
Beijing – Recentemente, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou cortes drásticos nas Forças Armadas dos EUA, assim como guinada de atenção à região Ásia-Pacífico. Tratou-se de uma mensagem indireta à China, cujo poderio militar em ascensão está provocando fortes preocupações no Ocidente.
Ao que tudo indica, o Ocidente julga que, apesar da sua retórica amiga da paz, a liderança chinesa encontra dificuldades para convencer os EUA sobre a nova doutrina das Forças Armadas do país, People”s Liberation Army (PLA).
Nos últimos anos, as Forças Armadas da China têm realizado vertical aumento de suas possibilidades operacionais, com resultado de muitos analistas ocidentais considerarem que em algum momento estarão em condição de ameaçar o predomínio dos EUA no Oceano Pacífico, assim como de enviar clara advertência a Taiwan para que evite anunciar, oficialmente, sua suposta independência.
A China desenvolve uma ampla gama de possibilidades ligadas com espaço e sua área de influência geopolítica, visando a contrabalançar o poderio militar norte-americano no Oceano Pacífico. Esta orientação caracteriza-se como “deflagração de guerras locais sob condições informatizadas, as “informationised conditions”.
Há 20 anos, a China percebeu que suas Forças Armadas convencionais não estariam em condição de enfrentar – de igual para igual – as correspondentes norte-americanas. Aquilo que foi proposto na ocasião foi “a guerra sem restrições” ou, em outras palavras, “a sintonia de múltiplos métodos para derrotar um adversário superior”.
Rearmamento
A liderança dos Partido Comunista da China iniciou ações para incorporação de programas políticos do setor de alta tecnologia, objetivando incrementar a competitividade chinesa e desenvolver as possibilidades produtivas domésticas. Paralelamente, lançou programas militares, correspondentes dos congêneres políticos, os quais incluem o uso de tecnologias de “dupla utilização” (tanto pacífica, quanto bélica).
Exemplo característico é o programa espacial do país, a recente – bem sucedida – interligação entre o navio da Marinha de Guerra Shenzou com a estação espacial Tiangong, considerada como raro feito, tanto da Agência Espacial, quanto das Forças Armadas da China.
Em caso de eclosão de um conflito nos Estreitos de Taiwan, ou de uma intervenção estrangeira desdenhando as reivindicações marítimas da China, o governo de Beijing desenvolverá uma estratégia de persuasão do controle do mar, enquanto, paralelamente, com operações convencionais, desenvolverá uma estratégia com objetivo de impedir a entrada de porta-aviões norte-americanos ao teatro das operações.
Os mísseis balísticos e cruise lançados por submarinos contra unidades navais de superfície são considerados uma ameaça extremamente grave, enquanto não poderão ser ignoradas, também, reavaliações (upgrade) do arsenal nuclear.
Ainda, uma das maiores dores de cabeça da Marinha de Guerra dos EUA são os anti-ship ballistic missile (ASBM), denominados carrier killers, mísseis destinados a atingir grandes unidades navais de superfície (porta-aviões), os quais são lançados com sua alça de mira definida por satélites. A China lançou, recentemente, satélites do BD Positioning System, quebrando o monopólio do GPS norte-americano.
Extremamente importante considera-se o progresso da China nos sistemas anti-satélites (Asat) e antibalísticos (ABM), sistemas que há dois anos as Forças Armadas chinesas utilizaram com sucesso total em um teste para derrubar um míssil balístico chinês lançado com este objetivo. O teste foi realizado quando os EUA estavam negociando a venda de baterias de mísseis Patriot a Taiwan.
Guerra espacial
Especialistas ocidentais advertem que uma campanha Asat da China contra satélites específicos dos EUA terá consequências catastróficas para o Exército norte-americano. Em sintonia com as ações em direção à criação de um escudo antimísseis chinês, considera-se por muitos que o espaço constituirá o novo teatro de antagonismo militar entre EUA e China, enquanto sugere-se que já foram realizadas experiências para operações destinadas a criar campos minados contra os itinerários de satélites inimigos, com minas espaciais ou mini-stélites, equipados com sistemas de intervenção eletrônica.
Algo que, também, é impossível de ser previsto é o incremento das possibilidades convencionais de guerra da China, no âmbito de operações de longa distância, enquanto o governo de Beijing definiu o upgrade de sua Força Aérea, com 3 mil novos aviões. O lançamento do caça-bombardeiro stealth (invisível) Chengdu J-20, criado por engenheiros e técnicos chineses, constituiu uma surpresa, considerando que, tradicionalmente, a China copiava aviões de combate da Rússia.
Grande interesse desperta a flotilha de submarinos da China, constituída por dez submarinos da classe Kilo, de fabricação russa, extremamente silenciosos e, provavelmente, armados com mísseis cruise. A propósito, causou surpresa desagradável, em 2006, a emersão de um submarino chinês, a distância que permitiria o lançamento de torpedos contra o porta-aviões norte-americano USS Kitty Hawk. Anotem que a presença e emersão do submarino chinês não foram detectadas pelos radares e sonares do Kitty Hawk.
Também, com relação à questão dos porta-aviões, a qual voltou ao proscênio com o início de testes do Varyag (ex-porta-aviões soviético vendido à Marinha de Guerra da China), considera-se que a China planeja criar três frotas, porta-aviões com 40 caças-bombardeiros cada um, oito navios de superfície, três submarinos com propulsão nuclear, além de outros navios de apoio. Observadores ocidentais consideram tudo isso como “fumaça sem fogo”, mas, sem sombra de dúvida, representará sério desarranjo no equilíbrio de forças no Leste da Asia.
Com relação à evolução da Forças Armadas chinesas, considera-se que existem três fatores de incerteza. O primeiro é que a liderança da China, por causa de sua excessiva confiança à ascensão de seu poderio militar, poderia super-avaliar suas possibilidades como superpotência militar emergente.
O segundo, é exatamente, o contrário, a liderança do país depreciar a possibilidade de controle de uma escalada no Oceano Pacífico. O terceiro, diz respeito à frente política interna, considerando que o “comportamento” das Forças Armadas chinesas poderia ser influenciado pela emersão de percepções nacionalistas no interior do país ou pelo conflito entre os diferentes pólos políticos de poder, precisamente, agora, quando o país está concluindo o processo de mudança do poder central.
Monitor Mercantil/montedo.com
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