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Apesar de anúncio, solo de futuro autódromo pode conter explosivos
GIULIANDER CARPES
Direto do Rio de Janeiro
O Governo Estadual e o Ministério do Esporte lançaram nesta sexta-feira o projeto do Autódromo de Deodoro, que vai substituir o circuito de Jacarepaguá, em processo de demolição para dar lugar ao Parque Olímpico. Mas o exército, que cedeu a área de mais de 2 milhões de metros quadrados, ainda não terminou o processo de varrição do solo do local, que ainda pode conter explosivos enterrados.
“O exército está comprando os melhores equipamentos que vão nos ajudar a terminar a varrição do terreno dentro do cronograma”, disse o coronel João Ricardo Evangelho, comandante da 1ª Região Militar. “O exército jamais entregaria um terreno sem totais condições de segurança. É claro que estamos falando de um terreno muito vasto, onde a vegetação já cresceu e dificulta muito. Mas vamos continuar trabalhando”.

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Pelo cronograma do Ministério do Esporte, a licitação para a construção do autódromo deve ficar pronta na metade do próximo ano e a pista seria concluída em julho de 2014. No mês passado, o Ministério Público ajuizou uma ação em que questiona a decisão do estado e do Instituto Nacional do Ambiente (Inea) de dispensar estudo de impacto ambiental (EIA) para a liberação da obra. Em 1958 ocorreu um grande acidente no local, um campo de instrução militar, que espalhou explosivos pelo terreno.
Em junho deste ano, ocorreu outro acidente, desta vez com um grupo de alunos militares que estavam em aulas de instruções. Aconteceu nova explosão. Vinicius Figueira Benedito Eugênio, 21 anos, morreu e outros 10 colegas foram feridos. O exército abriu investigação para apurar a responsabilidade do caso e chegou à conclusão de que não houve falha de segurança.
“O aluno limpou a área e acendeu uma fogueira. O explosivo enterrado ainda estava ativo e acabou ocorrendo uma explosão. Foi uma fatalidade. A maioria dos explosivos de 1958 hoje já não está mais ativa”, explicou o coronel Evangelho. O militar admitiu que foram encontrados outros artefatos na varrição desde o acidente. “Aquela área ficou sem utilização por mais de 30 anos. Para nós é preocupante, imagina se há outro acidente. Mas ali não é uma área minada como chegaram a falar. O artefato só explodiu porque ficou em contato com o fogo”.
O secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, acredita que não haverá problema na obra em relação aos explosivos. E afirma que o projeto do autódromo trará uma recuperação ambiental para uma área degradada. “Fizemos uma análise e não verificamos a existência de mata atlântica no terreno. Existe ali uma vegetação secundária, cuja recuperação será garantida por toda a sustentabilidade do projeto”.
Terra/montedo.com
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