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NO MÍNIMO, CURIOSO, PARA NÃO DIZER ESTRANHO
Marco Antonio Felício da Silva*

“Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos.”
Henry Kissinger
A questão dos recursos hídricos, infelizmente, não tem sido tratada com seriedade no Brasil, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos da América. Lá, tais recursos (já escassos em várias áreas) e os aproveitamentos respectivos são assuntos inerentes à Segurança Nacional e, por tal razão, entregues, em grande parte, à responsabilidade do Corpo de Engenheiros do Exército.
Sabe-se que nos últimos anos houve redução planetária de pelo menos 60% das reservas de água doce. Os dados sobre a América Latina falam em redução de 73%. As reservas de água potável na Terra são de 2,5%. 2% delas se localizam nas geleiras polares e apenas 0,5% podem ser exploradas.
Os números conhecidos e divulgados, mostram que o Brasil detém 50% das reservas de água doce da América Latina e conta com 12% a 15% de toda a água doce do Planeta. Temos de sobra o que já é escasso em grande parte do Mundo. Algo sumamente valioso, pois, fonte de vida: água.
Há que ressaltar que dados preliminares, divulgados por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), apontaram o aquífero “Alter do Chão”, recentemente descoberto, como o maior depósito de água potável do Planeta. Com volume estimado em 86.000 quilômetros cúbicos de água doce, a reserva subterrânea está localizada sob os Estados do Amazonas, Pará e Amapá. “Essa quantidade de água seria suficiente para abastecer a população mundial durante 500 anos”, informa geólogo da UFPA.
“Alter do Chão”, com 437.500 quilômetros quadrados de extensão e espessura de 545 metros, tem volume de água superior à do aquífero
“Guarani”, este um pouco mais extenso, porém com menor espessura.”
Em termos comparativos, “Alter do Chão” tem quase o dobro do volume de água do aquífero “Guarani” (com 45.000 quilômetros cúbicos). Até então, o Guarani era a maior reserva subterrânea do Mundo, distribuída por Brasil (cerca de 50%), Argentina, Paraguai e Uruguai.
Surpreendentemente, a maior reserva de água doce brasileira está localizada no Norte e no Nordeste, esta última a Região que mais sofre

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os efeitos da seca. NO MÍNIMO, CURIOSO PARA NÃO DIZER ESTRANHO, recentemente, foi realizado, com a presença do General comandante do “US Southern Command” e comitiva militar, encontro para discutir contrato de cooperação técnica, assinado entre a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaiba), empresa pública vinculada ao Ministério da Integração Nacional, e o Corpo de Engenheiros do Exército Norte-americano (USACE).
A Codevasf informa que atua em 13% do território nacional, perfazendo mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, abrangendo 894 municípios e uma população de 23,3 milhões de pessoas.
“O Corpo de Engenheiros do Exército Norte-americano irá providenciar assistência técnica ao longo do São Francisco, em tempo integral, com especialistas em áreas de hidráulica, geotécnica, dragagem e engenharia de construção (incluindo outras especialidades a serem requeridas pela Codevasf), com experiência em estabilização de margens de rio, controle de erosão, dragagem, escavação em rocha e navegação”.
Há que ressaltar que o investimento será da ordem de 73 milhões até o final deste ano para cumprir a meta de, numa primeira etapa, tornar 657 quilômetros de rio navegáveis.
O contrato de assistência técnica com o USACE, foi assinado em dezembro de 2011, com vigência de três anos, envolvendo investimento de US$ 3,84 milhões. Isso significa o absurdo que representa a presença de tropa estrangeira, atuando em extensa área do território brasileiro, o que necessita, pela Constituição Federal, de aprovação da União.
NO MÍNIMO CURIOSO, PARA NÃO DIZER ESTRANHO, tal contrato com o USACE, pois, além de afetar a Segurança Nacional, contraria o interesse da Nação, pois, temos universidades como a UFRJ e UFPA, centros de pesquisas como a COPPE, além dos batalhões de Engenharia do Exército, Instituto Militar de Engenharia (IME), Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), todos com grande experiẽncia no assunto, objeto de contrato com o órgão militar estrangeiro.
Estamos destinando recursos da ordem de milhões de dólares ao Exército Norte-americano para assessoramento e pesquisas em território brasileiro, sem necessidade, quando os investimentos em ciência e tecnologia no País são sumamente parcos, vivendo universidades, centros de pesquisas e pesquisadores a míngua de tais recursos.
NO MÍNIMO CURIOSO, PARA NÃO DIZER ESTRANHO, o Governo Federal aceitar tal contrato, lesivo aos interesses e soberania nacionais, e os administradores da Codevasp anunciarem a intenção de incrementar as ações do USACE, fazendo-o atuar em outros setores de responsabilidadeI da referida companhia.
“Revisite a História e esteja alerta para promessas vãs!”
(Norton Seng)

* General da reserva, cientista político, ex-assessor de inteligência do Gabinete do Ministro do Exército e ex-oficial de ligação ao Comando de Armas Combinadas do US Army.


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