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Martinho da Vila: Nelson Sargento

3º Sargento Burocrata 
Martinho José Ferreira,
o Martinho da Vila

O Sargento Ferreira e o seu superior, Sargento Mattos, são compositores. Por ocasião da gravação do CD ‘Do Brasil e Do Mundo’ — o que se considera subalterno porque no Exército antiguidade é posto — ganhou do outro uma melodia de samba e ao ouvir, exclamou: “Que música linda”. Aí criou uma letra um tanto contundente, ‘Nossos Contrastes’, nada parecida com poesias de samba. Um tanto inseguro, mostrou ao mestre e este, para sua alegria, abriu um largo sorriso de satisfação: “Concerto de cordas, ópera chocante/ Araponga, grilo, rouxinol cantante/ Tuba, bombardino/ Fagote, oboé/ Na madrugada uma forte batucada/ Hip hop e Reggae/ Seresta e Axé/ Barata que voa, borboleta azul/ Canta o garnisé, late o Pit Bull/ Triste acalanto de manhã/ Silvo de serpente, coaxar de rã/ Com sorriso de mulher/ Uma brisa leve, uma ventania/ Nuvem turbulenta, vaga em calmaria/ Dinheiro no banco, esmola na mão/ Zuela, mantra, penitência e oração/ Corpo bronzeado, sol no lajeado/ Fosco firmamento, céu em tom anil/ Rock Heavy Metal, samba de raiz/ Fogo de Morteiro, bala de fuzil/ Riqueza opulente, pobreza indecente/ Mesmo Assim eu amo meu país”.

Lazão e Bino, componentes do Grupo Cidade Negra, ouviram a criação dos sargentos e o Toni Garrido, solista da banda, disse que a melodia era dolente como um reggae e sugeriu uma fusão dos dois ritmos. Dito e feito, o produtor Mazzola vibrou e eu, mais ainda. Aí, tensos, chamamos o velho Sargento para dar o seu aval. O sambista tradicional ao ouvir a sua música fundida ao reggae, os seus olhos brilharam. Bateu palmas e todos nos abraçamos. Glórias ao grande Nelson Sargento, poeta, escritor, artista plástico!…
E autor de um dos mais lindos sambas de enredo da Mangueira, o antológico ‘Quatro Estações do Ano’: “Brilha no céu o astro-rei com fulguração/ Abrasando a terra, anunciando o verão/ Outono, estação singela e pura, é a pujança da natura dando frutos em profusão/ Inverno, chuva, geada e garoa/ Molhando a terra preciosa e tão boa/ Desponta a primavera triunfal!/ São as estações do ano num desfile magistral/ A primavera, matizada e viçosa pontilhada de amores/ Engalanada, majestosa…/ Desabrocham as flores nos campos, nos jardins e nos quintais/ A primavera é a estação dos vegetais/ Oh! primavera adorada, inspiradora de amores!/ Oh! primavera idolatrada!… Sublime estação das flores”. A expressão mais famosa do Nelson é “Samba… Agoniza mas não morre. Alguém sempre lhe socorre” e a que eu mas gosto é: ”O nosso amor é tão bonito… Ela finge que me ama e eu finjo que acredito”. Continências, mestre.
O Dia Online/montedo.com
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