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Também Fiesp reage a ação de empreiteiras em defesa
No dia 19 de julho, esta coluna ouviu um analista da área bélica e publicou: “Especialista teme entrada de empreiteiras em defesa”. No texto, o técnico criticava o modelo, em que o BNDES financia grandes grupos para assumirem as remanescentes privadas nacionais do setor. Em seguida, afirmou à imprensa o diretor do departamento de indústria de Defesa da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Jairo Cândido, em crítica direta à ação do governo em favor das empreiteiras: “Essas empresas têm fôlego financeiro, mas precisam definir suas vocações, porque do contrário estarão apenas explorando oportunidades de negócios, colocando em risco os objetivos de capacitação e fortalecimento da indústria brasileira de defesa”.
Acentuou Cândido que as vantagens tributárias e condições especiais para a compra e desenvolvimento de produtos de defesa no país, oferecidas pela Lei 12.958, de março último, só deveriam beneficiar as empresas que efetivamente se comprometerem em desenvolver conhecimento no Brasil. O certo é que as empreiteiras estão crescendo no setor. A Odebrecht partiu na frente, pois não só comprou a pequena Mectron como está junto com os franceses da DCNS na construção de base da Marinha e construção de cinco submarinos, sendo um de propulsão nuclear.
A Embraer, embora não seja empreiteira, é uma grande empresa, já dona da Atech SA. A Andrade Gutierrez, junto com a gigante francesa Thales – antes conhecida como Thomson – comprou a brasileira Omnisys. A Helibras pertence à francesa Helicopter, do grupo EADS. A Avibras está no mercado, mas não foi vendida porque tem dívidas com o governo. A Aeroeletrônica virou AEL e pertence à israelense Elbit. Informa-se que a brasileira Akaer recebeu proposta do grupo francês Safran.
Para especialistas, essa desnacionalização ou transferência de controle de pequenas para grandes empresas, mesmo que nacionais, não é exatamente o objetivo da Estratégia Nacional de Defesa. O sistema agora anunciado afasta as empresas que realmente conhecem o segmento e que poderiam se tornar grandes se tivessem o mesmo apoio que vem sendo prometido às empreiteiras. O próprio BNDES é citado como instituição que prefere trabalhar com grandes empresas do que estimular pequenas e médias – talvez por praticidade e não estratégia – também no delicado setor de defesa.
Segundo técnicos, esse tipo de equívoco pode ser exemplificado com a iniciativa governamental de criar a empresa Visiona Tecnologia Espacial, com a Embraer detendo 51% e a Telebras com os restantes 49%. Citam que as duas empresas não têm qualquer experiência na área de satélites e, sem demora, recebem importante atribuição da área de defesa, enquanto companhias há anos dedicadas ao setor, no campo dos satélites, foram preteridas na formação da Visiona. Pelo menos, deveria haver uma ação de ouro – golden share – que desse ao governo alguma garantia, caso a Embraer um dia opte por vender a Visiona a estrangeiros.
Monitor Mercantil/montedo.com
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