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‘Ainda que eu corra pelo vale da morte…’
Por Wallace Mattos
Marco Farinazzo (Poupex/Armadda/Quelps/ Lab-pro/Viptranning/Probiotica/Reader/JCFit/ Allen/Hospital 9 de Julho) larga amanhã para encarar novamente a mais dura corrida do planeta. A partir das 14h, o juiz-forano de 47 anos dá o primeiro passo dos 217km (135 milhas) da Badwater, ultramaratona mais famosa do mundo, que tem percurso através do Death Valley, o Vale da Morte, na Califórnia, Costa Oeste dos Estados Unidos.
O ultramaratonista de Juiz de Fora participa pela quarta vez da competição americana. “Em 2009, disputei pela primeira vez a corrida e venci, surpreendendo a muitos adversários. Em 2010, liderei a maior parte do percurso, mas uma necrose no pé direito, em consequência da disputa da ultramaratona Arrowhead (disputada no meio do inverno em Minnesota, um dos estados mais frios dos Estados Unidos), pegou e acabei terminando em quarto. No ano passado, um cisto estourado não permitiu que eu cruzasse a linha de chegada. Esse ano, vou focado em não só vencer, mas quebrar o recorde da prova. Tudo vai depender de como estarei no dia, pois algumas dores só aparecem depois dos 100km”, diz Marco.

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Confiante em sua preparação, o atleta local passou as últimas semanas que ficou no Brasil praticando subidas na Serra de Petrópolis. “Rodei entre 40km e 80km nos treinos. Muita gente pensa que o problema é só o calor do deserto, mas o percurso da Badwater é praticamente todo em subida. Saímos de um depressão no deserto de 86m abaixo do nível do mar e chegamos a 3.000m de altitude. No final da prova, são três desníveis muito fortes, de 1.000m cada. A região de Xerém até Petrópolis tem entre 700m e 800m de desnível. Por isso, treinei lá”, conta.
Adaptação
 Nos Estados Unidos há três semanas, Farinazzo faz os últimos treinos para se adaptar ao calor – ele deixou Juiz de Fora quando a temperatura média estava entre 20 e 25 graus, e na região onde se encontra, ela passa dos 45 graus todos os dias -, à baixa umidade e ao terreno que irá enfrentar. “Nessa reta final, estou treinando no trecho de decisão da prova, na cidade de Lone Pine, a 1.100m de altitude. É aqui que a maior parte dos atletas sofre por causa do desgaste, do clima e das montanhas. Realizei vários treinos fortes, no plano e subindo de Lone Pine até a chegada, a 3.000m de altitude. Treinei dois dias em Las Vegas, onde o calor também é muito forte, de cerca de 47 graus, e fiz um treino de duas horas no Death Valley, na parte mais quente do deserto, onde a temperatura chega a 55 graus durante a tarde. A umidade do ar em cerca de 3% também é outro fator que pega. Mas estou adaptado”, relata o local por e-mail.
Inquieto, mesmo às vésperas da Badwater, Farinazzo arrumou tempo para uma aventura em solo americano. “Fiz o percurso dos sonhos de qualquer atleta e montanhista. Subi a montanha mais alta dos Estados Unidos, o Monte Whitney (com mais de 4.400m de altitude). Passei pelo portal da trilha às 3h45 e cheguei no topo às 8h45. Foram cinco horas alucinantes. Muito frio, apesar do sol forte, e muito vento. Cada penhasco de assustar pelo caminho… Assinei o livro que fica em uma casa de pedras no topo, tirei algumas fotos e comecei a descida, com muito cuidado para não me machucar às vésperas da prova. Foram mais quatro horas. Cheguei ao portal às 14h10”, conta.
Estratégia
Para conseguir o objetivo principal, que é vencer abaixo do tempo de 22h51min39s, recorde cravado pelo também brasileiro Valmir Nunes, o ultramaratonista de Juiz de Fora já traçou seu plano de prova. “Pretendo me poupar mais no início, tentando manter um ritmo tranquilo nos primeiros 70km e na primeira montanha de 1.500m de altitude, pois estamos saindo de um cratera abaixo do nível do mar. Depois dessa montanha, começa a anoitecer e pegamos uma descida muito forte. Daí para frente, a prova muda muito, o corpo começa a sentir a fadiga. Quero iniciar este trecho bem, subir a segunda montanha e passar a milha 100 (160 km) inteiro. Se estiver me sentindo bem, a partir desse ponto, começo a ditar o ritmo para terminar a prova fazendo o recorde”, planeja Farinazzo.
Tribuna de Minas/montedo.com
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