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Polícia e Exército investigarão morte
Atendimento médico prestado a Juan Coelho, 2 anos, será avaliado
LIZIE ANTONELLO|COLABOROU LUÍSA KANAAN
Santa Maria – RS – Nada pode atenuar a dor de ter perdido o filho, mas os pais de Juan Gabriel Vieira Cardoso Coelho, 2 anos e 10 meses, querem explicações sobre o atendimento que o menino recebeu no Hospital de Guarnição (HGu) do Exército. Por três vezes, a mãe de Juan, Jozeane Maria Vieira, 29 anos, procurou o hospital com o filho. Os militares médicos plantonistas, que são clínicos-gerais, teriam atendido o menino e receitado medicação para virose e gripe (veja quadro). Mas Juan piorou e não resistiu. Casos tristes como esse são mais comuns do que se imagina e acendem o alerta sobre a dificuldade de diagnosticar pneumonia tanto em crianças quanto em adultos (leia na página 9).
A queixa dos pais de Juan é de que os médicos não teriam feito nenhum exame laboratorial ou Raio-X. Além disso, segundo a família, os dois profissionais não teriam julgado necessário chamar um especialista para avaliar o menino. O caso será investigado pelo HGu e pela Polícia Civil.
O hospital foi procurado pela família porque o pai de Juan, Jean Henrique Cardoso Coelho, 25 anos, é cabo do Exército.
– Tenho muita revolta e tristeza. Os médicos (do HGu) tiveram a oportunidade de salvar a vida dele e não fizeram. Se tivessem se empenhado mais em fazer o que eles estudaram para fazer, meu filho ainda estaria aqui – lamenta Jozeane.
Após as idas ao HGu (veja quadro), Jozeane levou Juan ao Pronto-Atendimento do Patronato, onde o Raio-X detectou pneumonia. Ele foi encaminhado ao Hospital de Caridade.
Conforme a equipe do CTI Pediátrico do Caridade, Juan chegou com pneumonia grave. Os médicos dizem que não é possível afirmar se um Raio-X nos primeiros atendimentos detectaria a doença.
O diretor do HGu, tenente coronel médico Luiz Augusto Fruitos Costa, disse que os plantonistas do hospital têm autonomia para requisitar qualquer exame. O HGu tem laboratório próprio e Raio-X. O plantonista também tem autonomia para chamar especialistas, inclusive os dois pediatras que trabalham no local. O HGu tem atendimento pediátrico de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h. Nos finais de semana e feriados, os profissionais ficam de sobreaviso e, se preciso, devem ser acionados pelo telefone. Em dois dos três dias em que o Juan foi atendido no HGu, na primeira e na terceira vez, segundo o coronel Augusto, havia pediatras no hospital.
Vida – Juan tinha um irmão mais velho, João Henrique, 4 anos. O caçula estava na escolinha e, segundo a mãe, era alegre, ativo, adorava cantar, dançar e brincar. Juan foi enterrado no Cemitério Ecumênico Municipal.
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