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Fragata Liberal substituiu nesta quinta-feira a União na coordenação da frota naval das Nações Unidas
Militares gaúchos integram força que chega ao Líbano Rodrigo Lopes/Zero Hora
Grupo de seis gaúchos com uma bandeira do RS na fragata Liberdade
Foto: Rodrigo Lopes / Zero Hora
Rodrigo Lopes, enviado especial ao Líbano
O suboficial Celani Borba trouxe cuia, bomba e oito quilos de erva-mate. O segundo tenente João Ricardo de Souza já pensa em procurar uma churrascaria em Beirute.
O terceiro sargento Aiórton da Silva tirou da mala a bandeira do Rio Grande do Sul. Chegaram também o segundo sargento Luis Antonio Prado do Prado e o fuzileiro naval Carlos Augusto de Menezes. Ao ver a função, o suboficial Marco Antônio dos Santos Lopes até exagerou:
— Ao caminhar pelo calçadão de Beirute, a gente pensa que está no Gasômetro, em Porto Alegre.
E estava formada a delegação gaúcha a bordo da fragata Liberal, que substituiu nesta quinta-feira a fragata União no comando da frota naval das Nações Unidas no Líbano. Dos 260 militares a bordo, pelo menos seis nasceram no Rio Grande do Sul. E fizeram história ontem ao desfraldar, com orgulho, no heliponto da embarcação a bandeira trazida pelo sargento Aiórton, de Porto Alegre.
— Estamos pensando em assar uma ovelha aqui no Líbano. Só que no forno — diz um deles.
— Mas aí não tem graça — retruca o outro.
Dizem que, na travessia do Oceano Atlântico, houve até uma churrasqueira improvisada no convés principal do navio. Todos a bordo são voluntários. João Ricardo, 30 anos, nascido e criado no bairro Hípica, na capital gaúcha, até três anos atrás nunca pensara em navegar pelo mundo.
Formado em engenharia pela UFRGS, ele passou no concurso da Marinha e mudou-se para o Rio de Janeiro. Como um dos tripulantes da Liberal, teve prioridade no convite para viajar ao Líbano.
— A gente vem com uma ideia distorcida de Beirute. Tu pensas: “Pô, Oriente Médio…” Para mim, era que nem o Rio, que eu odiava. E agora, gosto! Aqui, a população surpreende. Tu pensas que eles não podem fazer muita coisa por causa da religião, e eles podem. É um pais livre — explica.
Em uma cerimônia no Mar Mediterrâneo, a União e a Liberal navegaram nesta quinta-feira emparelhadas. A tripulação da União, que encerra a missão, jogou um cabo até a proa da segunda embarcação. Por meio dele, foram passados, em ato simbólico, documentos e relatórios sobre a missão.
A Liberal encontra um país mais tenso do que o enfrentado pela União. O conflito na Síria começa a transbordar para o lado libanês. A missão dos brasileiros de evitar a entrada ilegal de armas no Líbano (que poderiam chegar à Síria) torna-se ainda mais desafiadora.
— No momento em que aumenta o cerco no mar, quem quer fazer entrar armas, não tem opção a não ser tentar por terra — pondera o comandante da Liberal, o capitão-de-fragata José Luiz Ferreira Canela.
Em formato, a Liberal é semelhante à União. As duas fragatas pertencem à mesma classe, Niterói. Porém, enquanto a União foi construída no Brasil, a outra, foi lançada ao mar na Grã-Bretanha. Zero Hora desembarcou às 16h04min desta quinta-feira.
Durante os três dias em que esteve a bordo da fragata União, não localizou nenhum militar gaúcho entre a tripulação, que começa a volta para a casa, após seis meses de missão. Ao saber disso, o suboficial Celani Borba, de Pelotas, que chega na Liberal com os outro cinco conterrâneos, não acreditou. E tascou um verso:
“Não que eu reivindique glórias,
Que o tempo nunca dará
Mas onde se fez História
Um gaúcho estava lá.”
(Comento: mazzzáááá´, galo véio! kkkkk)
ZERO HORA/montedo.com
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